Eis como manter algum equilíbrio entre o home office e vida doméstica

Parecia um sonho o fim das fronteiras entre o trabalho e a vida doméstica, mas é preciso de estabelecer separações.

A pandemia de coronavírus virou o mundo de todo mundo de cabeça para baixo e nos obrigou a nos ajustar a uma nova maneira de viver e trabalhar. Para quem teve a sorte de poder trabalhar à distância durante a crise, os meses passaram voando.

Quando a sensação é de viver num “eterno presente”, não é surpresa que muita gente sinta falta do escritório – das interações pessoais a prazer de tomar um café com o colega. O barulho. Ou só pegar o elevador de manhã (sério).

Trabalhar de casa tem suas vantagens – adeus, trânsito ―, mas o que poderia ser uma hora a mais de sono acaba se perdendo com as preocupações com o futuro e com o estresse de não sair de casa. Coloque na conta cuidar dos filhos e é difícil manter a cabeça no lugar. Todo mundo sabe da importância de manter o equilíbrio entre as vidas profissional e pessoal. Mas o que isso significa hoje em dia?

Não existe fórmula mágica

Alguns sentem mais o impacto do confinamento que outros. Isso é verdade para a adaptação de ter de trabalhar na mesa de jantar e também para os níveis de estresse e procrastinação. Mas isso também era verdade quando estávamos todos no escritório: cada pessoa tem um estilo diferente. Agora podemos reconhecer essas diferenças – e prestar atenção nelas.

“As empresas deveriam fornecer ferramentas e treinamento para os funcionários durante este período difícil”, diz Ritam Gandhi, fundador da produtora de software Studio Graphene. “E elas não devem tratar todos os funcionários da mesma maneira. Cada pessoa tem necessidades e circunstâncias únicas.”

Estabeleça seus limites

Trabalhar de casa tem positivos e negativos. Muita gente gosta do fato de não ter de enfrentar trânsito, do ritmo mais lento e da distância do ambiente do trabalho – que às vezes é tóxico. Isso pode fazer bem para a saúde mental. Mas, para outros, é justamente o contrário: a sensação é de solidão. Falta motivação.

É importante ser produtivo – mas não ser escravo da produtividade. Ter horários para trabalhar e para descansar é essencial. “Como o trabalho está invadindo nossa vida doméstica, é importante estabelecer alguns limites”, diz Chloe Brotheridge, hipnoterapeuta e coach.

“Lembre-se que você é o responsável por modular as expectativas dos outros em relação ao que é e o que não é OK – se você responde e-mails de trabalho às 22h, eles podem achar que tudo bem continuar se comunicando nesses horários.”

Os limites também valem para os espaços físicos – muita gente não tem o luxo de contar com um escritório em casa, mas estabelecer algum tipo de separação ajuda a criar a sensação de que você “está no trabalho”. “Quanto mais você trabalha em vários lugares da casa, menos claras ficam as fronteiras”, diz a psicóloga ocupacional Rachel Lewis, da Affinity Health at Work. “Tente manter uma rotina, emulando ao máximo um dia de trabalho normal.”

Quando chega o fim de semana, limpe a área de trabalho – isso também ajuda a limpar a mente.

Limite o uso de telas

Manter um bom equilíbrio entre a vida pessoal e profissional não só ajuda no trabalho, mas é um tipo de autocuidado essencial. Sentir estresse, tédio, ansiedade e incerteza é perfeitamente nos dias de hoje. Uma maneira de combatê-los é reduzir o tempo de tela.

“Tem muita coisa acontecendo online agora. E nunca fomos tão pouco críticos em relação ao que vemos e lemos”, diz Martin Talks, fundador da Digital Detoxing.

“Incluir desintoxicações digitais na rotina é uma boa ideia. Estamos cansando os olhos, nos estressando demais com e-mails de trabalho e nos enfiando no buraco sem fundo das redes sociais. É importante limpar a cabeça de vez em quando.” Será que aquela reunião precisa mesmo ser por vídeo? Por que não fazer por telefone?

Trabalhe por um futuro melhor

A pandemia mostrou que muita gente pode trabalhar muito bem de casa, e para muitas empresas essa é uma maneira realista – e até mesmo positiva e produtiva – de operar.

“Quanto mais controle temos sobre a maneira como trabalhamos, melhores as chances de trabalhar melhor”, afirma Talks. “Deveríamos nos preocupar menos com a localização e mais com a produção.”

As empresas vão se beneficiar dessa transferência de controle para os funcionários, acrescenta Lewis. “Deveríamos ter chefes mais empáticos e preocupados com o bem estar dos funcionários, além de mais reconhecimento pelas conquistas.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.