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03/07/2019 12:13 -03

Ministro da Educação afirma que 'cabeças vão rodar' caso Enem 2019 tenha 'viés ideológico'

Weintraub disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro “não leu e não lerá” a prova.

Adriano Machado / Reuters
“Foi passada uma orientação para todas as estruturas para acabar completamente com qualquer viés ideológico na elaboração de provas", afirmou o ministro. 

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou nesta quarta-feira (3) que “cabeças vão rodar” se existir “qualquer viés ideológico” nas questões da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano.

“Foi passada uma orientação para todas as estruturas para acabar completamente com qualquer viés ideológico na elaboração de provas. Quem não performar adequadamente, a gente vai desligar. Não tem muita novidade”, disse Weintraub em entrevista coletiva a jornalistas.

Sem dar detalhes, o ministro afirmou que já afastou um dos colaboradores responsáveis pela produção da prova na última semana.

De acordo com ele, o objetivo do exame é dar aos alunos a “tranquilidade” de que eles só precisam estudar “ciência, matemática, ler e escrever corretamente, sem se preocupar com viés ideológico”.

A declaração de Weintraub reforça um trabalho que começou ainda em março, sob a gestão do então ministro Ricardo Vélez, com a instalação de uma comissão responsável pelo pente-fino ideológico no Enem.

Na época, Marco Antônio Barroso Faria, secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Antônio Maurício Castanheira das Neves, diretor de estudos educacionais do Inep, e o procurador de Justiça do MP de Santa Catarina Gilberto Callado de Oliveira, representante da sociedade civil, eram os responsáveis por coordenar a varredura.

Também foi publicada uma portaria no Diário Oficial, que explicava que o objetivo da comissão era identificar a “pertinência com a realidade social, de modo a assegurar um perfil consensual do Exame”.

Bolsonaro não leu e nem lerá a prova do Enem

O ministro da Educação também afirmou que o presidente Jair Bolsonaro “não leu e não lerá” a prova do exame.

De acordo com ele, seria algo totalmente fora do script se Bolsonaro dedicasse tempo para conhecer a prova antes de sua aplicação.

“Não consigo imaginar porque o presidente com uma agenda tão atribulada vai parar para ler a prova”, disse.

O próprio Weintraub também explicou que não pretende analisar as questões. 

“Antes da aplicação não pretendo ler. Ninguém vai ler, salvo uma hecatombe nuclear (...) Estamos seguindo o procedimento padrão”, explicou.

Enem deve se tornar digital até 2026

Outro plano anunciado pelo MEC é o de tornar a aplicação do exame 100% digital. 

De acordo com o ministro, a substituição será progressiva e encerrará em 2026. A ideia é que no próximo ano pelo menos 50 mil candidatos já façam a prova na versão digital.

Segundo o presidente do Inep (órgão ligado ao MEC responsável pela prova), Alexandre Lopes, atualmente a pasta gasta R$ 500 milhões de reais com a aplicação de cada edição do Enem. 

A prova deste ano, ainda sem data confirmada, mas com previsão para outubro, foi enviada à gráfica na última sexta (28).

Legado de Bolsonaro

Em novembro do ano passado, depois de eleito, Bolsonaro prometeu que alteraria o método como são feitas as provas do Enem. A prova do ano passado abordou o pajubá, conjunto de expressões associadas aos gays e aos travestis.

“Esta prova do Enem – vão falar que eu estou implicando, pelo amor de Deus –, este tema da linguagem particular daquelas pessoas, o que temos a ver com isso, meu Deus do céu? Quando a gente vai ver a tradução daquelas palavras, um absurdo, um absurdo! Vai obrigar a molecada a se interessar por isso agora para o Enem do ano que vem?”.

E seguida, acrescentou:

“Podem ter certeza e ficar tranquilos. Não vai ter questão desta forma ano que vem, porque nós vamos tomar conhecimento da prova antes. Não vai ter isso daí.”

Na época, Bolsonaro afirmou que o ministro da Educação seria alguém que entendesse que o Brasil é um país “conservador”.