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03/11/2019 17:45 -03 | Atualizado 03/11/2019 17:59 -03

Prova do Enem sob governo Bolsonaro traz 'democratização do cinema' como tema de redação

Primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também traz questões sobre liberdade de expressão, direitos humanos e minorias.

Tânia Rego/Agência Brasil
Candidatos chegam para o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), na Tijuca, zona norte do Rio.

Democratização do acesso ao cinema no Brasil é o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019. Neste domingo (3), participantes fazem, além da redação, provas de linguagens e ciências humanas. As provas começaram a ser aplicadas às 13h30 e vão até as 19h, no horário de Brasília.

O tema foi anunciado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub e pelo perfil do Ministério da Educação, no Twitter.

“Esse é o tema, estou aqui em Palmas, capital do estado de Tocantins, no colégio da Polícia Militar conferindo se o Enem está indo tudo bem. Tudo 100%, zero de atraso, zero de problemas, tudo caminhando para ser o melhor Enem de todos os tempos”, disse o ministro em vídeo. 

A prova de redação é a única subjetiva do exame e um bom desempenho pode ser decisivo para os candidatos. Cada redação é corrigida por duas pessoas. Elas dão notas de 0 a 200 para cada uma das cinco competências avaliadas no Enem. A nota final é a média aritmética das duas notas.

Caso haja uma diferença entre as notas de mais de 100 pontos na nota final ou de mais de 80 pontos em qualquer uma das competências, a redação passa por um terceiro avaliador.

Se a diferença entre as notas dadas se mantiver, a redação é avaliada por uma banca presencial composta por três professores, que define a nota final do participante. Redações que ferirem direitos humanos serão desclassificadas.

Neste domingo (3), além da redação, candidatos fizeram as provas de Ciências Humanas e Linguagens. Entre os principais tópicos levantados pelo exame estavam bullying, liberdade de expressão e violência contra a mulher.

Segundo o jornal O Globo, a violência contra a mulher foi abordada a partir da música Coração pede socorro, da cantora sertaneja Naiara Azevedo, que foi utilizada em uma campanha do Governo Federal, em 2018.

A prova ainda contou com questões sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Conselho de Segurança da ONU, e outras temáticas envolvendo comunidades quilombolas, refugiados também sobre totalitarismo. 

NurPhoto via Getty Images

Este é o primeiro Enem sob o governo do presidente Jair Bolsonaro. Dias após ganhar a eleição, Bolsonaro criticou uma das questões do exame de 2018, que mencionava o dialeto “Pajubá” usado por LGBTs, e disse que sua gestão “não tratará de assuntos dessa forma” e que verificaria a prova antes da aplicação.

Neste ano, o Inep (Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais) criou uma comissão para fazer uma análise ideológica da prova.

Assim que o tema da redação foi divulgado neste domingo (3), usuários no Twitter lembraram as ações recentes do governo federal em relação à cultura e cinema no País. Durante toda a tarde, “Ancine” ficou entre os assuntos mais comentados da rede social. 

Desde o início deste ano, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) tem sido alvo de ataques do governo federal. Em julho, Bolsonaro criticou o fomento de filmes como Bruna Surfistinha (2011), baseado na história da garota de programa Raquel Pacheco, por classificá-lo como como “pornografia”.

No mesmo mês, reduziu a presença de membros da indústria no Conselho Superior do Cinema (CSC), órgão responsável por formular políticas para o cinema. No lugar, o colegiado passou a contar com mais integrantes do governo como o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Governo também anunciou que estuda tirar o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da Ancine e transferi-lo para a Secretaria Especial de Cultura, antigo Ministério da Cultura. Bolsonaro também anunciou que tem intenções de transferir a sede da Ancine do Rio de Janeiro para Brasília, com o objetivo de transformá-la em uma secretaria e ter mais controle.

Recentemente, Christian de Castro Oliveira foi afastado do cargo de diretor-presidente da Ancine, atendendo a uma decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro.

No mês de outubro, o governo definiu novos membros do comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual que incluem executivos da TV Record, roteirista e programadores. Esta alteração foi utilizada como justificativa pelo Ministério da Cidadania, ao suspender, em agosto, edital que com produções LGBT.