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24/07/2020 05:00 -03 | Atualizado 24/07/2020 09:31 -03

Como pequenas empresas buscam se reinventar para sobreviver à crise provocada pela pandemia

Quase 18% dos negócios de pequeno porte fecharam definitivamente no Brasil. Empreendedores contam sua receita para virar o jogo.

A pandemia foi um verdadeiro golpe na economia brasileira. A última previsão do Banco Central é de que o PIB (Produto Interno Bruto) em 2020 será negativo: -5,95%. Ao todo, 522 mil empresas fecharam as portas por causa do novo coronvírus, segundo pesquisa Pulso Empresa do IBGE. A situação é pior para as micro e pequenas empresas. Cerca de 33% das companhias com até 49 funcionários no Brasil encerraram atividades até a 1ª quinzena de junho — 17,8% em caráter permanente.

O IBGE mediu que 70% das empresas brasileiras reportaram efeitos negativos decorrentes da pandemia. O setor de serviços é o mais afetado, seguido de perto por indústria e construção e, mais atrás, pelo comércio. 

Um levantamento do Sebrae para a CNN acrescenta que 9 milhões de pessoas foram dispensadas de pequenas empresas nestes 5 meses de epidemia da covid-19.

Do início de maio ao fim de junho, a taxa de desemprego no Brasil cresceu de 10,5% da população para 13,1%. Nesse cenário desalentador para o mercado, alguns pequenos negócios têm feito o possível para se reinventar e minimizar os danos ante a pandemia.

Montagem/Divulgação
O Share evoluiu de um modelo presencial para uma forma dinâmica e interativa de EAD.

O Share, empresa de educação em comunicação, cresceu organizando eventos pedagógicos em diversas cidades brasileiras. Em janeiro deste ano, inaugurou a sua escola em Porto Alegre. Menos de 2 meses depois, precisou suspender as aulas na instituição.

O planejamento para este ano, que incluía 14 eventos presenciais, precisou ser repensado. O aluguel dos locais das palestras, os materiais de aula e coffee break já estavam pagos. Para o CEO do Share, Rafael Martins, o jeito de resistir à crise foi revisitar sua oferta com base nas necessidades do público-alvo — que necessariamente estaria apenas em casa.

“Percebemos que um grupo de pessoas queria continuar estudando, porém não se adaptava ao formato de EAD (Educação à Distância), em que a pessoa estuda online sozinha. Criamos, então, um método de ensino com foco na interação entre as pessoas, com encontros ao vivo, via Zoom e com exercícios em grupo”, conta Martins. O novo formato fez sucesso: o Share conseguiu lotar 5 turmas de curso.

Além disso, a empresa lançou em maio o Clube Share, uma comunidade online que já reúne 200 membros ativos. Eles pagam mensalidade para participar de masterclasses semanais e mentorias mensais.

“Criamos produtos que fossem atemporais, ou seja, que pós pandemia seguissem relevantes em nosso portfólio”, explica Martins. Neste momento, o Share busca investidores para expandir seus produtos educacionais.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Dani Borges, chef do restaurante vietnamita Bia Hoi, em foto de março de 2018.

Desde novembro de 2017, a culinária vietnamita tem endereço certo em São Paulo: na República, no centro. É lá que funciona o vietpub Bia Hoi. Entretanto, a pandemia atingiu o negócio. Ainda em abril, os proprietários decidiram fechar por 2 meses. Estavam preocupados principalmente com a saúde dos funcionários e, por isso, optaram por deixá-los em casa.

“Logo que fechamos, colocamos vouchers à venda e foi ótimo. Com isso, pagamos os salários da equipe”, conta a chef Dani Borges, dona do Bia Hoi, referindo-se a vouchers de refeições e drinks que poderiam ser utilizados pelos clientes após o fim do isolamento.

Com a paralisação dos serviços por meses, as contas foram acumulando, e decisões difíceis tiveram que ser tomadas. “Infelizmente, não pudemos manter todos os funcionários. Dispensamos 2/3 do quadro”, lamenta.

Diante do prognóstico ruim para a economia, Borges está suando para virar o jogo. Com a reabertura dos serviços e estabelecimentos de São Paulo, ela decidiu remodelar o negócio e investir quase totalmente em uma estrutura de delivery.

″[O delivery] Era um mercado em que a gente não atuava porque nosso movimento usava nossa capacidade total de produção”, afirma a chef. “Agora, vamos passar a ter nossa estrutura de cozinha compartilhada — serão duas marcas distintas saindo do mesmo fogão, para que a gente aproveite ao máximo o que já temos aqui e consiga continuar bem.”

Além disso, o Bia Hoi tem agora um novo sócio, Assis Honorato (ex-Aguzzo), que vai agregar toda sua experiência com delivery. “Isso já tem feito diferença”, conclui Borges, otimista. 

Divulgação
Gramado Summit reuniu milhares de pessoas na edição de 2019.

Nesta semana, a organização do maior brainstorming da América Latina anunciou mais uma mudança de data por conta da pandemia. A Gramado Summit vai ser realizada nos dias 10, 11 e 12 de março de 2021 no Serra Park, em Gramado (RS). Apenas o curso de vendas com o “Lobo de Wall Street” está mantido para setembro deste ano.

O CEO da Gramado Summit, Marcus Rossi, explica que o foco da empresa neste momento não é apenas reagendar as atividades da conferência para o ano que vem. A crise virou oportunidade para a Summit desenvolver tecnologias de check-in digital e de pagamento cashless (feito sem dinheiro nem uso de cartões) a fim de evitar aglomerações e contato próximo entre as pessoas durante os eventos. 

“Como não teremos o crachá físico, todas as informações dos participantes ficarão disponíveis no aplicativo oficial do evento”, adianta Rossi, sobre o check-in digital, que será feito com base em geolocalização.

Sobre o cashless, “os participantes compram suas refeições por meio do aplicativo oficial, de forma antecipada, e fazem a retirada quando forem notificados pelos respectivos estabelecimentos”, explica o CEO da Summit. As ferramentas serão usadas na conferência em Gramado no ano que vem e, com a continuidade das regras de distanciamento social, poderão ser vendidas para outros organizadores de eventos e feiras de negócios do Brasil.

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