ENTRETENIMENTO
29/07/2020 15:06 -03

As maiores surpresas e esnobadas do Emmy

Equipe do Huffpost analisa os indicados ao prêmio e aponta quem surpreendeu e quem não deveria ter ficado de fora da lista.

Illustration: Damon Dahlen/HuffPost; Photos: Zach Dilgard/HBO/Netflix/Hulu/PopTV
Os indicados ao Emmy incluem "Little Fires Everywhere", "Watchmen", "Ozark", "Big Little Lies" e "Schitt's Creek".

Não há como negar que 2020 seja um ano imprevisível. Mas em uma reviravolta muito bem-vinda, as 72 indicações ao Emmy foram bem convencionais.

Na terça (28), a apresentadora Leslie Jones e os apresentadores virtuais Josh Gad, Tatiana Maslany e Laverne Cox anunciaram os indicados ao Emmy, o Oscar da TV. Watchmen reinou supremo com 26 indicações, os amados atores de Schitt’s Creek foram homenageados e séries da Netflix apareceram em todos os lugares.

Ainda assim, havia muitos desprezados - Merritt Wever! Reese Witherspoon! - e algumas surpresas emocionantes - Zendaya! O primo Greg (de Succession)! Até The Mandalorian!

Abaixo, os repórteres do HuffPost dão sua opinião sobre as maiores surpresas e esnobadas do Emmy 2020:

Men's Health
Zendaya na série "Euphoria", da HBO.

ESNOBADA: Reese Witherspoon, nas categorias de Melhor Atriz em Série Dramática ou em Minissérie/Telefilme.

Nos últimos anos, Reese Witherspoon parece onipresente. Ela teve três chances nas indicações ao Emmy deste ano: The Morning Show, Big Little Lies e Little Fires Everywhere. Talvez a superexposição foi o grande problema. Todas os três produções foram destacadas em outras categorias, ou seja, os eleitores do Emmy gostaram delas. Ainda assim, seus personagens mais espertos do que você em Big Little Lies e Little Fires Everywhere eram bastante semelhantes, e a co-estrela Jennifer Aniston a superou em todos os momentos em The Morning Show. Witherspoon, que também se tornou uma produtora extraordinária, pode ter sido vítima de fadiga no setor.— Matthew Jacobs

SURPRESA: Zendaya, Melhor Atriz em Série Dramática.

Zendaya foi obviamente fenomenal na primeira temporada de Euphoria, da HBO, como Rue, uma adolescente viciada em drogas em recuperação que vive a vida e o amor. Esse é o tipo de performance que deve receber uma indicação ao Emmy. Foi a primeira vez que vimos Zendaya interpretando um personagem com realismo, complexidade e humor sombrio - muito distante de seus dias no Disney Channel. Então, sim, ela deveria ter sido indicada, mas se você olhar para os nomeados ao Emmy, especialmente nas categorias de atuação, eles tendem a permanecer muito consistentes, muito seguros - você raramente vê recém-chegados. Mas neste ano, os Emmys vincularam o número de indicados ao número de envios, resultando em mais vagas em determinadas categorias e oferecendo a chance de novos rostos. Ver um candidato tão jovem pela primeira vez em uma série popular, mas também super divisiva, é bem legal. ― Zeba Blay

ESNOBADA: Tom Pelphrey, Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática.

Tom Pelphrey roubou o show na terceira temporada de Ozark como o irmão de Laura Linney na tela, Ben Davis, que lida com o transtorno bipolar em meio às tensões dos acordos de cartel de drogas de sua família. Embora se pensasse que ele fosse um nome forte para indicação, o nome de Pelphrey foi deixado de fora em uma categoria bem acirrada. A lista de indicados inclui Giancarlo Esposito (Better Call Saul), Matthew Macfadyen, Nicholas Braun e Kieran Culkin (Succession), Bradley Whitford (O Conto da Aia), Billy Crudup e Mark Duplass (The Morning Show) e Jeffrey Wright (Westworld). ― Leigh Blickley

SUPRESA: Nicholas Braun, Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática.

Como esperado, a segunda temporada de Succession recebeu o merecido amor por parte do Emmy, com 18 indicações, o que de alguma forma ainda não parece suficiente. Como correspondente de Succession residente do HuffPost, fiquei agradavelmente surpreso ao ver o desempenho de Nicholas Braun, como o primo Greg, incluído na categoria de ator coadjuvante, ao lado dos colegas Kieran Culkin e Matthew Macfadyen, cujas indicações eram mais esperadas. Como o desajustado do lado de fora olhando para a família Roy e seu império comercial, o primo Greg é o alívio cômico do programa e o mais próximo possível de um centro moral. Seja atingido por uma chuva de garrafas de água, se atrapalhando com o depoimento no Congresso ou levantando preocupações sobre os atos ilícitos da família Roy, Braun o leva com calma. Marina Fang

ESNOBADA: Pose, Melhor Série Dramática.

Enquanto Billy Porter recebeu justamente uma indicação por sua atuação estelar como Pray Tell em Pose, é frustrante que por mais um ano o resto do elenco e dos criadores da série tenham sido desprezados. A produção não recebeu indicações de direção ou roteiro e, principalmente, para a produtora Janet Mock. MJ Rodriguez, que sem dúvida é o coração do show, ainda não foi reconhecida por sua atuação. Nem as estrelas de apoio Dominique Jackson ou Indya Moore. Angelica Ross, que apresentou uma performance final comovente e emocionante como Candy, foi a melhor coisa da segunda temporada. É ótimo que um negro gay como Porter esteja recebendo esse tipo de reconhecimento. Mas, como a maioria dos personagens e histórias de Pose são sobre mulheres negras trans, é uma pena que essas mulheres (e pessoas não binárias como Moore) não estejam recebendo uma parcela igual desse reconhecimento. ― ZB

ESNOBADA: Late Night with Seth Meyers, Melhor Talk Show. 

Emmy, é hora de olhar mais de perto. Por que você mais uma vez desprezou Late Night with Seth Meyers na categoria de talk shows? O programa recebe repetidamente indicações de roteiro, então sabemos que você sabe que ele existe. Os dois prêmios vão sempre para Last Week Tonight with John Oliver justamente pela capacidade do programa de se aprofundar em vários tópicos. Mas Late Night faz mergulhos profundos várias vezes por semana com o segmento “Um olhar mais atento”. Além disso, os segmentos pungentes da roteirista Amber Ruffin lembrando perturbadores encontros policiais, fazem parte de uma liga própria no que diz respeito à TV noturna. Emmys, desprezando Late Night, você acabou de perder toda a credibilidade. Você está queimado! — Bill Bradley

SURPRESA: Octavia Spencer, Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme.

Fico surpresa com isso porque não consegui superar A Vida e a História da Madam C.J. Walker. Vários críticos articularam - melhor do que eu posso nesta sinopse - seus problemas com a série em geral. Suponho que Spencer se saiu tão bem quanto qualquer um na minissérie. A produção é cheia de estereótipos de negros e não fez justiça à história e ao legado da senhora C.J. Walker. Basta perguntar a sua tataraneta, A’Lelia Bundles. ― Erin E. Evans

ESNOBADA: Pamela Adlon e Better Things, Melhor Série de Comédia.

Criadora, roteirista, diretora e estrela da comédia Better Things, Pamela Adlon é constantemente ousada em seus episódios de quebra de formato e visão singular, por isso foi enlouquecedor ver todo o programa, mas especialmente Adlon, excluído.

No sexto episódio da temporada mais recente, o personagem de Adlon, Sam, vai a Nova Orleans para assistir ao casamento de um amigo. O episódio de sonho acontece durante um fim de semana, seguindo Sam enquanto ela bebe, vê apresentações de rua e olha para as casas ornamentadas no Garden District. Como espectadores, nós, conseguimos escapar como Sam. Coincidentemente, o episódio foi ao ar durante o auge da quarentena da pandemia do coronavírus, dando a ele uma sensação adicional de saudade e melancolia. O episódio maravilhoso resumiu perfeitamente o que torna o programa e a visão de Adlon tão bons. — MF

ESNOBADA: Zoë Kravitz, Melhor Atriz em Série de Comédia.

Muitas outras pessoas provavelmente assistiram Zoë Kravitz se safar de assassinato em Big Little Lies, mas é absolutamente criminoso que ela não tenha sido reconhecida por seu desempenho no reboot de Alta Fidelidade, do Hulu. Kravitz toma o lugar de John Cusack como a melancólica dona de uma loja de discos Rob, em uma recriação da comédia de 2000, que teve uma participação de sua mãe, Lisa Bonet. Mas é aí que as comparações terminam. Em vez de produzir outra refilmagem derivada, os criadores reinventaram a história de uma amante da música apaixonada não apenas para se adequar aos pontos fortes de Kravitz, mas também para nos mostrar seu potencial. Aqui, a atriz não apenas carrega o peso emocional da série, como seu personagem percorre sua história romântica, mas também permitiu, pela primeira vez, ser engraçada, trocando farpas com amigos, amigos coloridos e futuras almas gêmeas. Sua performance é incrivelmente viva, pois a série renuncia ao ritmo tradicional para dar lugar a uma atmosfera agradável de convívio, que finalmente permite que Kravitz relaxe e mostre seus muitos talentos. ― Cole Delbyck

Hulu
Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones em "Normal People" coprodução entre a BBC e o Hulu.

SURPRESA: Paul Mescal, Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme.

Em uma ligeira reviravolta, Paul Mescal ganhou uma indicação a ator principal por seu retrato cheio de nuance de Connell em Normal People. Superando candidatos como Russell Crowe (The Loudest Voice) e Aaron Paul (El Camino), Mescal prova que você não precisa ser um ator estabelecido de Hollywood para obter algum merecido reconhecimento. Sua atuação sincera e sincera em Normal People merece todos os elogios. ― LB 

ESNOBADA: The Good Fight, Melhor Série Dramática.

Mais uma vez, o Emmy não reconheceu que The Good Fight é uma das melhores séries da TV na atualidade. Tendo concluído recentemente sua quarta temporada, o estrelado spin-off de The Good Wife foi perdido no submundo da CBS All Access, o que é uma pena, porque Christine Baranski, Delroy Lindo, Audra McDonald, Cush Jumbo e Sarah Steele acabaram de entregar seu melhor trabalho na série. A falta de atenção dada a Fight é uma evidência do inchaço geral do streaming. Um programa desse porte não deve ser descartável. — MJ

ESNOBADA: Susan Kelechi Watson, Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática.

Justiça para Susan Kelechi Watson! Ela ainda não foi indicada ao Emmy por seu papel como Beth Pearson na viciante e emocional This Is Us. No entanto, ela continua impressionando em seu papel tanto quanto seu marido na tela, Sterling K. Brown, que ganhou outra indicação este ano.— EEE

ESNOBADA: Merritt Wever e Kaitlyn Dever, Melhor Atriz e Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme.

Em Inacreditável, Merritt Wever brilha como um incansável, paciente e compassiva policial tentando conectar os pontos em uma série de casos de estupro. Kaitlyn Dever, que provou ser uma das jovens atrizes mais versáteis da atualidade, interpreta uma sobrevivente em uma investigação que é completamente maltratada pelos investigadores do caso. Ambas oferecem performances poderosamente discretas na minissérie da Netflix que adota cuidadosamente o esclarecimento de traumas sexuais sem transformá-los em algo sensacionalista e que foi amplamente aclamada como uma das melhores produções de 2019. Embora as categorias de minisséries tenha se tornado impossivelmente competitiva, essas duas omissões são gritantes. Já está na hora do Emmys expandir a categoria como faz com as séries. — MF

SURPRESA: The Mandalorian, Melhor Série Dramática.

A Força é mais forte com The Mandalorian - daqui em diante referido como “a série do Baby Yoda” - do que pensávamos. Ainda mais improvável do que um caçador de recompensas que não tira seu capacete para nada se unindo a um bebê verde de 50 anos, de alguma forma, “a série do Baby Yoda” ganhou uma indicação para Melhor Série Dramática extraordinária. Isso, porque “a série Baby Yoda” não estava no radar nessa categoria, que também inclui Better Call Saul,The Crown, O conto da Aia, Killing Eve, Ozark, Stranger Things e Succession. Mas a série do universo Star Wars tem muito coração e muito Baby Yoda, que claramente se relacionava com fãs e críticos (recebendo 15 indicações no total.) Agora, tudo o que resta é fazer com que o Baby Yoda receba uma indicação para melhor ator na segunda temporada. — BB

ESNOBADA: Never Have I Ever, Melhor Série de Comédia.

Historicamente, Never Never I Ever nunca foi o tipo de série reconhecida pelo Emmys: é um romance adolescente da Netflix, com um elenco predominantemente não-branco, apresentando uma atuação principal de um ator não muito conhecido. Embora nenhuma dessas coisas deva ser desqualificante, talvez seja por isso que a série criada por Mindy Kaling, que tem muito mais a oferecer do que a média das comédia sobre o ensino médio, foi negligenciada nas principais categorias. Abaixo da superfície, há uma história silenciosamente revolucionária que finalmente coloca um adolescente indiano-americano (Maitreyi Ramakrishnan) em primeiro plano, à medida que a série explora tópicos como sofrimento, casamento e identidade através de uma lente intergeracional. Embora Ramakrishnan seja certamente a estrela principal, Poorna Jagannathan, como a mãe viúva que luta para cuidar da filha ficou  presa comigo muito tempo depois do episódio final. É um poderoso contraponto aos estereótipos de mães indianas cansadas que já vimos na tela antes e uma performance que merece estar na disputa de prêmios futuros. ― CD

ESNOBADA: Kay Oyegun (de The Dinner and the Date e This Is Us), Melhor Roteiro em Série Dramática.

Ainda penso naquele episódio de This Is Us, especialmente na conversa entre os pais de Malik, Darnell e Kelly (interpretada perfeitamente por Omar Epps e Marsha Stephanie Blake), e Beth e Randall (Susan Kelechi Watson e Sterling K. Brown). Parecia exatamente uma conversa real entre pais negros, com diálogos cortantes e golpes sutis, que dirão e farão qualquer coisa para proteger seus filhos. Quando Darnell tira a camisa para revelar suas tatuagens, eu vivi e morri no mesmo momento.— EEE

CBS Photo Archive via Getty Images
Michele Fitzgerald, Tony Vlachos, Sarah Lacina, Ben Driebergen, Denise Stapley, Jeremy Collins e Nick Wilson no Conselho Tribal durante um episódio de "Survivor: Winners at War".

ESNOBADA: Survivor, Melhor Reality Show.

Após uma controversa temporada 39 no outono passado, 2020 marcou o retorno dos dias de glória de Survivor. Winners at War conquistou a série com as maiores audiências em anos e entreteve os espectadores em quarentena, com 20 ex-campeões disputando o título de “melhor dos melhores” e um prêmio de US$ 2 milhões. Embora a longa série de reality shows não seja indicada na categoria desde 2006, a divertida temporada 40 - estrelando artistas como Yul Kwon, Sandra Diaz-Twine, Rob Mariano, Parvati Shallow, Jeremy Collins e Tony Vlachos - merecia um pouco mais de reconhecimento. (Pelo menos ainda há Top Chef). ― LB

ESNOBADA: The Clark Sisters: First Ladies of Gospel, Melhor Minissérie ou Telefilme.

Esta biografia sobre o lendário grupo gospel The Clark Sisters deveria ter sido indicada na categoria de Melhor Minissérie ou Telefilme. No auge da pandemia - na cidade de Nova York, de qualquer maneira - assistir a este filme parecia realmente o bálsamo comunitário de que muitos de nós precisávamos. Aunjanue Ellis realmente incorporou o espírito e a tenacidade da Dra. Mattie Moss Clark, a matriarca da família Clark que os ajudou a alcançar o status de estrelato. Ela merecia algum reconhecimento também.― EEE

SURPRESA: Quibi.

Quibi, a plataforma de streaming de Jeffrey Katzenberg, lançada no meio da pandemia de coronavírus, ganhou 10 indicações. Sim, isso é tudo.― LB

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost