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26/10/2019 16:58 -03 | Atualizado 26/10/2019 17:02 -03

Peronismo deve derrotar Macri na eleição e voltar ao poder na Argentina

Fatura pode ser liquidada já no primeiro turno das eleições presidenciais neste domingo (27).

ASSOCIATED PRESS
Maurício Macri concorre à reeleição, mas está bem atrás do candidato peronista na Argentina.

A Argentina se prepara para ir às urnas neste domingo (27) no primeiro turno das eleições presidenciais. As pesquisas de intenção de voto apontam que o atual presidente, Maurício Macri, deve ser derrotado logo no primeiro turno, de maneira esmagadora, pelo peronismo do candidato da oposição, Alberto Fernández, que tem a ex-mandatária Cristina Kirchner em sua chapa como vice.

Macri aparece nas sondagens com apenas 32% das preferências, contra 52% de Fernández. Pelas regras locais, um candidato pode ser declarado vencedor se conseguir 45% dos votos, ou 40%, mas desde que alcance 10 pontos percentuais de diferença do segundo colocado.

Nas primárias eleitorais, em agosto, Macri foi derrotado por Alberto Fernández, o que fez o dólar disparar e a Bolsa cair, reagindo ao cenário político argentino. Tentando ganhar o eleitorado, Macri anunciou o aumento do salário mínimo e trocou o ministro da Fazenda. Mas o país enfrenta um cenário de crise, com a taxa de desemprego em torno dos 10% e limites para a compra de dólar.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro já deu declarações públicas de que preferiria a reeleição de Macri a um retorno do peronismo, quebrando a tradição diplomática de não interferir em pleitos em outros países. Apesar da crise, a Argentina ainda é um importante parceiro comercial do Brasil.

Já Cristina Kirchner anunciou em maio que seria candidata na chapa de Alberto Fernández, seu antigo chefe de gabinete. Os dois tinham rompido relações em 2008, com Fernández sendo uma das principais vozes críticas a Kirchner.

No entanto, diante do cenário político com Macri no poder, reaproximaram-se. A ex-presidente, que responder a vários processos judiciais na Argentina, decidiu se lançar como vice, em uma estratégia para unir votos de dois setores do peronismo e preservar sua imagem política — já arranhada por escândalos de corrupção.

Crise econômica na Argentina 

Ao contrário das promessas de campanha em 2015, o governo Macri levou a Argentina a um cenário de aumento da pobreza, da inflação e do desemprego e desvalorização da moeda argentina, que afetou diretamente a população e aumentou a impopularidade do presidente. A gestão atual também frustrou a expectativa de aumento de investimentos externos. 

Segundo dados do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), em 2018, a pobreza atingia 33% da população.

Já a inflação chegou a 47% no ano passado. Para 2019, a previsão era de 40%, mas o número pode aumentar com os últimos acontecimentos.

Apesar do relativo fracasso de Macri, o mercado tem mais simpatia por ele do que por Fernández, o que influencia as previsões econômicas. As turbulências financeiras resultaram em uma depreciação de quase 30% do valor do peso argentino e uma alta maior que 2.000 pontos no índice de risco-país após o resultado das primárias que indicaram a vitória do peronista.