OPINIÃO
02/05/2019 18:56 -03 | Atualizado 02/05/2019 18:56 -03

Educação pode dar salto de qualidade em período de crise econômica

Em debate promovido pelo UM BRASIL, especialistas analisam reforma educacional feita em Portugal entre 2011 e 2015 e discutem como os problemas nacionais podem ser resolvidos.

Períodos de crise econômica podem servir de oportunidade para o avanço da educação. Foi o que ocorreu em Portugal entre 2011 e 2015. Em encontro promovido pelo UM BRASIL, o matemático português Nuno Crato conta como reformou o sistema português no período em que esteve à frente do Ministério da Educação.

“Entramos [no ministério] em um momento de grande dificuldade financeira em que o país essencialmente estava falido e conseguimos fazer mais com menos. O que nós fizemos não tem muito mistério. Nós pudemos ajudar os professores a ser exigentes com seus alunos. Estabelecemos metas mais avançadas e momentos de avaliação e tentamos ter bons manuais escolares e bom material de apoio ao professor”, lembra Crato.

A implementação de um currículo focado nas disciplinas essenciais também auxiliou na queda do índice de abandono escolar – de 25% para 13,7% – e nos satisfatórios resultados em Matemática alcançados pelos alunos da quarta série, superiores aos da Finlândia — um exemplo mundial em sistemas educacionais.

Ao analisar o caso brasileiro, a diretora da Escola Municipal Professora Coraly Júlia Gonçalves Carneiro, Adriane Gallo Alcantara da Silva, aponta que o papel do diretor é fundamental no avanço da educação. “O diretor não pode ser de gabinete. Ele tem de cuidar da parte administrativa, mas tem que sair na escola e conversar com as pessoas. Tem de conhecer o meio de trabalho da escola, envolvendo todos, num único objetivo comum que é a aprendizagem dos alunos”, aconselha.

Na conversa, o professor de História da Escola Estadual Alfredo Dohr Di Gianne de Oliveira Nunes criticou a forma como a educação é tratada pelos políticos e falou da falta de continuidade das boas práticas já implementadas. “As políticas públicas chegam a atrapalhar. Não existe um projeto de início, meio e fim. A dificuldade de uma reforma é muito grande porque não vai ter resultado da noite para o dia”, critica.

Divulgação/Christian Parente/UM BRASIL

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