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07/05/2019 20:32 -03 | Atualizado 07/05/2019 20:34 -03

Ministro da Educação nega cortes em universidades: é 'contingenciamento'

Segundo ministro, situação deverá se normalizar se reforma da Previdência for aprovada e quando a economia mostrar sinais de recuperação.

Adriano Machado / Reuters

Com a Agência Senado 

 

O ministro da Educação Abraham Weintraub disse nesta terça-feira (7), em audiência na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, que os bloqueios de orçamento nas universidades, anunciados na última semana, não são cortes de verbas, mas um “contingenciamento”. 

Segundo ele, é preciso “diminuir a temperatura do embate”, porque haverá apenas “um contingenciamento desses recursos”. Ele ainda afirmou que a situação deverá se normalizar com a aprovação da reforma da Previdência e quando a economia brasileira mostrar sinais de recuperação. 

“A economia impôs esse contingenciamento diante da arrecadação mais fraca e nós obedecemos”, afirmou. “Mas não da para cortar em nada [no ensino superior]? O país está todo apertando o cinto.” 

Weintraub também criticou os governos anteriores, que expandiram o ensino superior sem priorizar antes a educação básica.

“A gente aqui no Brasil quis pular etapas e colocou muitos recursos no telhado antes de ter a base da casa”, disse. 

Os ânimos se acirraram em alguns momentos durante a audiência, que durou mais de quatro horas. O senador Jean Paul Prates (PT-RN) criticou a afirmação do ministro de que universidades brasileiras estariam fazendo “balbúrdia” e a punição anunciada em virtude disso. 

Já o senador Confúcio Moura (MDB-RO) disse que Weintraub foi nomeado de forma súbita e questionou o ministro se ele se sente preparado para liderar o movimento pela melhoria da qualidade da educação brasileira. 

O ministro respondeu que foi escolhido para a pasta por sua experiência de mais de 20 anos de gestão e pela avaliação positiva que recebeu de superiores e subordinados ao longo de sua trajetória. 

“Minha formação acadêmica é robusta. Estou bem acima da média dos últimos 15 ministros que passaram por lá, em termos de qualificação e em termos de nomes das universidades das quais eu vim”, declarou.

O ministro fez críticas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), considerando o programa uma “política desbalanceada”.

″É uma tragédia o financiamento estudantil. São 500 mil jovens começando a vida com o nome sujo”, afirmou, apontando que a taxa de inadimplência do crédito estudantil representa 17,2% do total das matrículas privadas.