OPINIÃO
15/08/2019 04:00 -03 | Atualizado 15/08/2019 13:28 -03

Prestamos pouca atenção à qualidade do ensino, afirma Eduardo Mufarej

Ex-CEO da Somos Educação enfatiza que deficiências na educação limitam capacidade de pensamento crítico e raciocínio lógico.

Divulgação/UM BRASIL
UM BRASIL entrevista Eduardo Mufarej, CEO da Somos Educação.

A precariedade da educação básica impede a formação de pessoas com espírito crítico e raciocínio lógico mínimo. Isso acaba causando problemas de produtividade e eficiência no mercado de trabalho. A observação do ex-CEO da Somos Educação, maior grupo educacional do País, Eduardo Mufarej, foi feita durante entrevista ao UM BRASIL, em 2017.

“O Brasil fez uma escolha pelo acesso: hoje, a população brasileira em idade escolar tem acesso a vagas em sala de aula e estrutura mínima. Por outro lado, à medida que se universalizou o acesso à educação, prestamos pouca atenção à qualidade. A exclusão começa no momento em que o aluno não aprende português, matemática, e fica fadado a ter limitações severas ao longo de toda a sua vida. Esse senso de urgência é primordial para que possamos constituir gerações distintas a partir de agora”, afirma.

Ao contrário do que o HuffPost publicou originalmente, Mufarej não dirige mais a Somos Educação. O atual CEO é Mário Ghio.

Apesar do enorme desafio, o empresário acredita que o País tem condições para fazer as mudanças necessárias. Mufarej cita a reforma do ensino médio, a Base Nacional Comum Curricular e os programas de formação de professores como movimentos capazes de gerar essa melhoria na educação.

Ele também avalia que o modelo de sala de aula expositiva usado amplamente no Brasil vai passar por um processo de transformação acelerada com o auxílio da tecnologia.  “O interessante da tecnologia é que ela permite ter o acompanhamento desse aluno na vida estudantil, o que é valioso principalmente para identificar onde estão as eventuais dificuldades dele”, explica Mufarej.

O ex-CEO da Somos Educação enxerga a formação de professores como outro ponto de atenção. Segundo ele, o preparo do docente é afetado principalmente por dois agravantes: a formação inicial que não os prepara para entender as salas de aula, e a atratividade da carreira do professor.

“A licenciatura precisa se renovar, revisar suas práticas e se ancorar na experiência do aluno. As teorias de educação são importantes, mas não essenciais para o que a sala de aula de hoje demanda.”

Assista à entrevista completa:

Este artigo é de autoria de articulista do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.