OPINIÃO
13/06/2019 19:14 -03 | Atualizado 13/06/2019 19:14 -03

Ignorar a realidade do aluno é um dos maiores erros educacionais no Brasil

Educadores da Rede Conectando Saberes contam que tiveram que repensar práticas, dividem experiências e apontam soluções.

Ensinar sem estar conectado com os alunos em sala de aula impede que o professor exerça seu papel. As experiências de três docentes foram debatidas em um encontro produzido pelo UM BRASIL e a Fundação Lemann. Na ocasião, os educadores Gina Albuquerque, professora de educação básica no Distrito Federal; Willmann Costa, diretor-geral do Colégio Chico Anysio, no Rio de Janeiro; e Jayse Ferreira, professor de educação básica de Itambé, em Pernambuco, contaram o que fizeram ao se deparar com estudantes dispersos que não se identificam com os assuntos abordados.

“Quando entrei na sala de aula, percebi que os alunos estavam na sala só de corpo. Eles queriam conteúdos que revelassem a sua realidade de vida, então, surgiu a ideia de abordar temas dos quais se sentissem participantes. Hoje, não dou aula, eles que me ensinam, e nós construímos o conhecimento”, diz Ferreira, que foi escolhido como um dos 50 melhores educadores do mundo no Global Teacher Prize, considerado o “prêmio Nobel da educação”.

Os entrevistados tiveram de repensar suas práticas em vez de procurar um único culpado para o problema de aprendizagem no País, como a evasão e o abandono. “Sempre devemos olhar para a educação considerando o contexto em que o aluno está, mas não podemos usar as limitações como desculpa. O professor precisa de uma formação que dê a ele condições de como intelectual transformador ter entendimento do problema com o qual ele está se deparando, além de ser criativo e inovador a ponto de construir uma solução que não vai estar pronta em nenhum lugar, porque ela é muito específica daquela demanda”, destaca Gina Albuquerque,.

“O professor recém-formado acha que o papel dele é passar o conteúdo, mas o aluno não é um depósito de conhecimento. Ele é um todo e precisa ser respeitado dessa forma. Isso precisa ser revisto. O professor deve perguntar como pode ajudar aquele aluno”, observa Costa.

Eles reforçam a importância de não apenas apontar os erros do estudante para a família, mas também os pontos positivos, trazendo a comunidade para ajudar a melhorar a escola. “Todos podem dividir a culpa e colaborar para resolver”, complementa Ferreira.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.