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06/12/2019 16:38 -03 | Atualizado 06/12/2019 17:14 -03

Suspensão de Eduardo do PSL abre novo capítulo da guerra com Joice Hasselmann

Ataques à Joice motivaram um dos processos aos quais Eduardo responde no Conselho de Ética.

Reprodução/Facebook/@joicehasselmann
Deputados federais Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann em dezembro de 2018, antes de Jair Bolsonaro tomar posse.

A possibilidade de o deputado Eduardo Bolsonaro (SP) ser destituído da liderança do PSL, por causa da suspensão do partido, abriu uma nova linha de batalha com uma ex-aliada: a ex-líder do governo na Câmara Joice Hasselmann (PSL-SP). A deputada que, agora, é considerada uma das principais rivais a ser combatida, é dada com predileta para ocupar a vaga, caso o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confirme que, com a suspensão do partido, o 03 seja impedido de seguir como líder pesselista.

A ala do PSL favorável à Joice já iniciou o recolhimento de assinaturas para a substituição do filho de Jair Bolsonaro. O embate entre Joice e Eduardo estourou há cerca de dois meses, quando se tornou pública a divisão entre a ala bolsonarista e a mais próxima ao presidente do PSL, Luciano Bivar (PSL-PE). O estopim foi a declaração do presidente a um fã contra Bivar, ao dizer que o comandante da legenda estava “queimado pra caramba”.

Joice entrou na mira do Planalto após não assinar uma lista em apoio a Bolsonaro, contra Bivar. Ela, então, começou a ser chamada de traidora. Não durou mais duas semanas na liderança da Câmara. Caiu, mas atirando, chamou o presidente de “ingrato” e o 03 de “menino”. 

Esta semana, ao depor na CPMI das Fake News do Congresso, Joice disse que 03 é um dos coordenadores da estrutura montada pelos apoiadores do presidente da República para ataques virtuais. Afirmou que também fazem parte do ‘gabinete do ódio’ assessores do filho do presidente, deputados federais, estaduais e integrantes do Palácio do Planalto.

Segundo ela, somadas, as redes de Eduardo e Jair são seguidas por mais de 1,8 milhão de robôs usados para impulsionar as informações falsas e difamatórias. No caso do presidente, de acordo com dados apresentados pela deputada, os robôs representam um quarto dos seguidores.

“Nós temos quase dois milhões de robôs em apenas duas contas de Twitter. Eu quero crer que o presidente Bolsonaro não sabe disso. Mas pelo que vocês vão ver nas conversas do grupo do gabinete do ódio, o deputado Eduardo Bolsonaro está amplamente envolvido e é um dos líderes desse grupo que chamamos milícia digital”, afirmou a deputada na quarta (4).

Briga foi parar no Conselho de Ética

A aliança que se transformou em rivalidade foi parar no Conselho de Ética da Câmara. É de Luciano Bivar uma das representações contra Eduardo no colegiado que podem lhe cassar o mandato. Ele tomou a iniciativa em defesa de Joice Hasselmann depois que ela se tornou alvo de ataques nas redes sociais, aos quais classificou como “sórdidos”. 

“Não vai ter homem, seja deputado, senador, presidente, quem quer que seja, não vai ter homem e nem mulher que vai fazer isso com a minha família. (…) Quando meu filho perguntou porque estavam fazendo isso comigo, eu respondi que são criminosos, são bandidos. O Código Civil e o Código Penal não deixam de existir só porque é virtual. Se não pararmos essa esquizofrenia, essa loucura, essa gangue, a gente não tem como reconstruir esse País”, discursou na tribuna da Câmara, em 5 de novembro. 

Eduardo publicou montagens que mostram uma nota falsa de R$ 3 estampada com o rosto de Joice e incentivou ataques com a hastag “DeixedeSeguiraPepa”, em alusão a personagem Peppa Pig.

Há um outro processo no Conselho de Ética contra Eduardo Bolsonaro, este por sua fala sobre o AI-5 na entrevista que ele concedeu à jornalista Leda Nagle no início de novembro. Na ocasião, disse que se esquerda radicalizar nas manifestações de rua, a saída pode ser a edição de um novo AI-5, ato institucional baixado pelo presidente Costa e Silva em dezembro de 1968 que aprofundou a repressão na ditadura militar.

Os pedidos para que o 03 perca o mandato foram apresentados em conjunto pela Rede, PT, PSOL e PCdoB, que o acusam de quebra do decoro parlamentar.