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11/10/2019 20:44 -03 | Atualizado 11/10/2019 20:47 -03

Eduardo chama vice do PSL de 'pacificador' e sugere que crise interna acabou

Filho do presidente Jair Bolsonaro é ovacionado no CPAC Brasil, evento de direita dos EUA importado pelo deputado pela primeira vez para o Brasil.

Foto: Débora Álvares
Eduardo Bolsonaro abraça o vice-presidente do PSL, Antonio de Rueda. Também no palco o ativista político Matt Schlapp.

O vice-presidente do PSL, Antonio de Rueda, disse na noite desta sexta-feira (11) que o partido “está pacificado com o presidente”. A afirmação ocorreu em São Paulo, minutos antes da abertura da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), evento da direita importado dos Estados Unidos pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro. O filho 03 do presidente Jair Bolsonaro chamou Rueda de “o pacificador do PSL”.

Em coletiva à imprensa mais cedo, Eduardo evitou falar da crise do partido. Disse apenas que o assunto precisa ser tratado “de maneira interna” para evitar “descontinuidade”. “No momento que eu estiver atrapalhando, é o próprio presidente que deveria puxar minha orelha”, destacou em resposta a um questionamento da Globo News. 

Em seguida, um repórter da Agência Estado tentou fazer uma nova pergunta sobre a guerra interna na legenda. Foi interrompido por vaias da plateia e pela organização, que afirmou que as perguntas deveriam se ater ao tema da coletiva, o CPAC. 

A crise no PSL teve um novo capítulo nesta semana, após um vídeo que o presidente Jair Bolsonaro gravou com um apoiador na entrada do Palácio da Alvorada vir a público. Nele, o mandatário diz que o comandante da legenda, Luciano Bivar, “está queimado pra caramba”. Bivar acabou excluído da programação do evento.

Guerra à esquerda

Também na coletiva, Eduardo Bolsonaro falou da necessidade de reforçar o conservadorismo no Brasil. “Não temos uma grande imprensa, um grande partido conservador. Aqui no Brasil estamos décadas atrasados. A esquerda é muito mais organizada. Aqui vamos trocar ideias para saber o que é ser conservador, saber mais sobre identidade do que a coisa política”, explicou. 

Eduardo também estava ao lado de Matt Schlapp, ativista político casado com Mercedes Schlapp, que trabalha na campanha de reeleição do presidente norteamericano, Donald Trump. Antes desse cargo, ela foi diretora de comunicações estratégicas da Casa Branca. 

O deputado disse que a influência dos EUA no Brasil é importante para “resgatar” a luta contra “nazismo e fascismo” que voltaram a estar presentes. “Para que as liberdades individuais voltem para cá. Para que ninguém pense que aqui é como China ou Venezuela”, completou o filho do presidente Jair Bolsonaro.

Evento conservador

Estrela da conferência, Eduardo foi aplaudido de pé e chamado de mito pelo público formado por caravanas de bolsonaristas e conservadores que vieram de diversos estados. Ele conduziu a plateia, que não lotou o auditório do hotel Transamérica, na zona Sul de São Paulo no primeiro dia do evento — houve troca de local por causa da quantidade de inscritos — como um verdadeiro showman. 

Fez piada, levantou bandeiras, pediu que os presentes gravassem vídeos e que “as tiazinhas do WhatsApp” distribuíssem o conteúdo. 

Essa é a primeira vez em que a conferência, tradicional nos Estados Unidos, está sendo realizada no Brasil. Entre esta sexta-feira (11) e sábado (12), ministros do governo Bolsonaro e aliados falarão “contra o terror do comunismo”, para “pensar e discutir o conservadorismo”, como descreve o texto de apresentação do evento no site.

A CPAC foi realizada pela primeira vez nos EUA em 1973 com a presença de Ronald Reagan e já teve nos palcos em Washington outros ex-presidentes norte-americanos, como George W. Bush. O atual mandatário, Donald Trump, tem sido a principal atração nos últimos anos.