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13/10/2019 08:38 -03

Eduardo rebate denúncia de milícia virtual: 'Aqui estão todos os robôs, WhatsApps, caixas 2'

Deputado diz que há "perseguição" contra bolsonaristas. Reportagem da Crusoé afirma que assessor de Assuntos Internacionais da Presidência interage com grupos de WhatsApp que articulam ataques contra adversários.

Foto: Comunicação CPAC
Deputado Eduardo Bolsonaro no CPAC Brasil.

“Não adianta eles [da esquerda] ficarem com birra e querendo dizer que existe uma rede bolsonarista. Aqui estão todos os robôs, todos os WhatsApps, todos os caixas 2 e tudo o mais que a gente há de usar está aqui: as pessoas.” A declaração é do deputado Eduardo Bolsonaro, em entrevista exclusiva ao HuffPost concedida neste sábado (12) durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que reuniu centenas de bolsonaristas em São Paulo. Ele comentou a denúncia dos possíveis laços do assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, com grupos de ataques virtuais, conforme revelado pela revista Crusoé

A reportagem afirma que há grupos de WhatsApp que se dedicam a articular ataques contra adversários, jornalistas e ministros do governo. E destaca que há integrantes do governo Bolsonaro que mantiveram contato com participantes desses grupos. 

A revista Crusoé diz que teve acesso a mensagens, áudios, e denúncias de dissidentes da militância bolsonarista. Conta que Filipe Martins esteve em um encontro da “milícia virtual”, nome que o próprio grupo passou a usar após reportagens. A reunião, cuja presença do assessor presidencial deveria ser mantida em segredo, foi descrita como “planejamento de guerra” por um dos integrantes, o tesoureiro do PSL de São Paulo, Otavio Oscar Fakhoury.

“Eu não vejo como uma rede articulada e, mais uma vez, sempre tacham de algum apelidinho pejorativo. Neste caso, milícia virtual. Não entenderam o que ocorreu em 2018. Não têm conexão com a população. Estão dobrando a aposta e vão cair do cavalo de novo. O Brasil vai ganhar essa guerra”, afirmou Eduardo Bolsonaro. 

Para o deputado, existe “uma deliberada perseguição a qualquer um que não se alinhe à conduta desejada pela esquerda”. 

Também questionado pelo HuffPost, Filipe Martins disse que não comentaria o assunto porque vai recorrer judicialmente por direito de resposta. 

De acordo com a Crusoé, Martins falou na necessidade de “entrosamento maior” com a militância. “Só quero um entrosamento maior dos movimentos. Porque vamos precisar”, teria dito Martins, segundo mensagem divulgada pela revista.

Embora sua participação não devesse ser divulgada, o próprio postou foto em suas redes e disse se tratar de um “feedback”de movimentos conservadores sobre os primeiros 100 dias de governo.

Eu não vejo como uma rede articulada e, mais uma vez, sempre tacham de algum apelidinho pejorativo. Neste caso, milícia virtual.

Ataques e conspirações

Ainda de acordo com a reportagem da revista semanal, o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência e o tesoureiro do PSL, também responsável pelo site Crítica Nacional, instigaram a militância bolsonarista a atacar o ex-ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, às vésperas do encontro dos 100 dias.

Em 5 de abril, Santos Cruz deu uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em que ponderava o uso de redes sociais e dizia que elas não podiam “virar arma nas mãos de grupos radicais”. 

A reportagem da Crusoé diz que Martins afirmou a interlocutores que o ex-ministro vinha “impedindo a comunicação do governo de deslanchar” e que “tem as críticas do Carlos [Bolsonaro] a ele”. A revista ainda atribui ao assessor mensagem em que ele diz que Santos Cruz “interfere em vários ministérios”, caçando tudo que é conservador”. Dias depois, o vereador, filho do presidente Jair Bolsonaro, abriu uma frente de batalha contra Santos Cruz, o que culminou com a demissão dele. 

Indicação

Segundo a Crusoé, o senador Flávio Bolsonaro indicou Camila Abdo, uma das participantes dos grupos da “milícia virtual”, como assessora parlamentar do deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL-SP). 

A revista afirma que Camila é responsável pelo site Divas da Opressão e conta que ela se posicionou e classificou como fake news notícias de que o padrinho político estaria trabalhando contra a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Lava Toga, que pretende investigar membros do Judiciário.  

No início deste mês, o ministro Gilmar Mendes mandou suspender investigações contra o senador no caso Queiroz. O senador e seu ex-assessor Fabrício Queiroz são alvo de procedimentos do Ministério Público do Rio de Janeiro iniciados a partir de relatórios do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) hoje Unidade de Inteligência Financeira.