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31/08/2019 12:00 -03

Trump reúne-se com Eduardo e Ernesto 'contra internacionalização da Amazônia'

Deputado e ministro das Relações Exteriores se encontraram com presidente dos EUA na Casa Branca nesta sexta-feira (30).

Yuri Gripas / Reuters
Após reunião com Trump, Ernesto Araújo e Eduardo Bolsonaro falam com a imprensa.

As queimadas na Amazônia e o conflito internacional provocado pela crise ambiental no Brasil foram tema central da reunião do presidente Donald Trump com o chanceler Ernesto Araújo e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), nome aprovado pelos Estados Unidos para assumir a embaixada do Brasil em Washington.

“Num mundo de nações soberanas e independentes, elas devem cooperar, sim, inclusive na questão ambiental. [Trump é] totalmente contrário a essas ideias de que é preciso internacionalizar a Amazônia ou coisas desse tipo”, explicou Araújo, após o fim da reunião nesta sexta-feira (30).

Eduardo Bolsonaro também foi incisivo no enfrentamento, direcionado ao presidente da França: “Em que pese alguns líderes tentarem fazer qualquer tipo de negociação da Amazônia, sem a presença do Brasil, eles vão encontrar muito problema de tentar fazê-lo, porque os Estados Unidos vão se opor a isso”, disse.

No dia 22, Emmanuel Macron chamou os incêndios na Floresta Amazônica de “crise internacional” e cobrou posição dos líderes do G7, as sete nações mais ricas do mundo, que estiveram reunidos em Biarritz, na França, nesta semana. A França também ofereceu ao Brasil US$ 20 bilhões de ajuda para combater o fogo na região.

Para o governo brasileiro, a postura e as declarações de Macron foram um ataque à soberania nacional. Bolsonaro disse que só se o presidente francês retirar “esses insultos” aceitará o dinheiro.

À medida que a tensão subia entre Brasil e França — com direito a ofensa de Bolsonaro sobre a primeira-dama francesa, Brigitte Macron —, o presidente Donald Trump usou o Twitter para manifestar apoio ao companheiro brasileiro.

“Eu conheci bem o presidente Jair Bolsonaro em nossos acordos com o Brasil. Ele está trabalhando bastante nos incêndios da Amazônia e, de todas as maneiras, fazendo um ótimo trabalho para o povo do Brasil. Não é fácil; ele e seu país têm total e completo apoio dos Estados Unidos”, escreveu na terça-feira (27).

Na reunião desta sexta, Ernesto Araújo disse que a comitiva brasileira fez questão de agradecer a atuação de Trump no G7 por rebater ideias que “contestam a soberania brasileira”.

Yuri Gripas / Reuters
Eduardo Bolsonaro deixa reunião com Trump na Casa Branca.

Eduardo Bolsonaro embaixador

O encontro na Casa Branca durou 40 minutos. Araújo comemorou ter sido recebido por Trump, a despeito de ser ministro. “Foi uma das primeiras vezes que um presidente americano recebeu pessoas que não são presidentes ou chefes de Estado de outros países... Isso foi uma deferência muito especial que mostra um caráter muito especial que tem hoje a relação Brasil-Estados Unidos”, afirmou o chanceler.

Ampliação de acordo comerciais também esteve na pauta do encontro. Nenhum detalhe sobre o tipo de negociação foi apresentado à imprensa.

Sobre a indicação de Eduardo Bolsonaro como embaixador nos Estados Unidos, a mensagem de formalização ainda não foi enviada por Jair Bolsonaro ao Senado. 

“Pela parte dos Estados Unidos, o agreement já foi aceito. Nesta oportunidade, o presidente Trump espontaneamente reforçou sua intenção, de maneira bem-educada, de apoiar minha candidatura, mas não aprofundamos”, contou Eduardo, logo após a reunião na Casa Branca.

(Com informações da Reuters e da Agência Brasil)