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28/05/2020 18:36 -03

Partidos reagem a chamado de Eduardo Bolsonaro por ‘ruptura’: ‘É inconstitucional’

“O problema não é mais se, mas quando [haverá uma ruptura]”, disse o filho do presidente.

Andressa Anholete via Getty Images
"Eles [Forças Armadas] vêm, põem um pano quente, zeram o jogo e, depois, volta o jogo democrático. É simplesmente isso", disse o filho do presidente.

O chamado do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pelas Forças Armadas para uma ‘ruptura’ institucional e para colocar “pano quente” na crise entre os poderes gerou uma reação imediata no Legislativo e no Judiciário. A fala do filho do presidente Jair Bolsonaro foi encarada como mais um passo na escalada autoritária que o País tem vivido, em meio à crise sanitária do coronavírus.

Partidos tanto mais à direita quanto à esquerda reagiram. Para o DEM, a democracia é inegociável. “O Democratas acompanha, com apreensão, o momento atual e acredita que a única saída está no diálogo e na união de todos. O país precisa de equilíbrio e responsabilidade, não de radicalizações ou ameaças”, diz nota do partido.

O PSDB seguir a mesma linha. “O PSDB jamais se afastará da defesa intransigente e firme da democracia. Frente a ataques feitos por minorias e seus representantes que enxergam na desarmonia entre os três poderes uma forma de buscar saídas autoritárias para o País, o PSDB condena qualquer tentativa de ruptura institucional e seguirá atento e firme na defesa das liberdades dos brasileiros.”

Líder do PSol, Fernanda Melchionna considerou a fala do deputado inconstitucional. “A declaração ontem de Eduardo Bolsonaro, dizendo que haverá uma ruptura institucional , a organização dessas milícias que estamos vendo, grupos cada vez menores socialmente, mas perigosos, que ameaçam todo tempo a imprensa, as liberdades democráticas, o Supremo, o Congresso Nacional, colocam uma situação extremamente delicada no país. É preciso que as instituições deem uma resposta à altura no combate ao autoritarismo.”

No STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Marco Aurélio Mello afirmou que não passa pela sua cabeça que as Forças Armadas se engajem neste tipo de ação. “Não há campo para retrocesso, não é? E não passa pela minha cabeça as Forças Armadas se engajarem aí em qualquer tentativa de virar a mesa. Isso está fora de cogitação”, disse, em resposta à Rede Globo.

O que disse Eduardo

O filho do presidente reagiu às investigações que apurem crimes relacionado a uma rede organizada de produção de fake news. Para ele, o inquérito é ilegal. “O problema não é mais se, mas quando [haverá uma ruptura]”, disse.

“Entendo quem tem uma postura mais moderada pra não chegar um momento de ruptura, uma momento de cisão ainda maior, eu entendo. Mas falando bem abertamente, opinião de Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opinião de se, mas sim de quando isso vai ocorrer. E não se engane, as pessoas discutem isso. Porque a gente estuda história, a gente sabe que ela se repete. Não chegou de uma hora pra outra a ditadura na Venezuela. (…) temos que pontuar, deixar a sociedade ciente do problema e depois tomar algumas atitudes.”

Nesta quinta (28), ele repetiu: “E vou me valer de novo das palavras de Ives Gandra Martins: o poder moderador para reestabelecer a harmonia entre os Poderes não é o STF, são as Forças Armadas. (…) Eles [Forças Armadas] vêm, põem um pano quente, zeram o jogo e, depois, volta o jogo democrático. É simplesmente isso”.

Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno afirmou que o governo jamais pensou em intervenção militar. Na semana passada, o ministro assinou uma nota  em que falou de “consequências imprevisíveis” caso o STF decidisse apreender o celular do presidente.

“Intervenção militar não resolve nada. E ninguém está pensando nisso. Ninguém está pensando nisso. Não houve esse pensamento, nem parte do presidente nem da parte de nenhum dos ministros. Isso só tem na cabeça da imprensa”, afirmou.