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29/02/2020 15:19 -03

Eduardo Bolsonaro diz que expansão do conservadorismo é luta pessoal

“Se você tem inimigos, parabéns, isso significa que fez algo na sua vida”, disse filho do presidente Jair Bolsonano na CPAC.

O deputado federal e filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), afirmou, neste sábado (29), que entende a expansão de sua ideologia como uma luta pessoal. “Depois que meu pai foi esfaqueado por um ex-membro do partido socialista, agora é pessoal”, afirmou em referência à facada que Jair Bolsonaro sofreu na campanha eleitoral por Adélio Bispo de Souza, que era filiado ao Psol. “Se você tem inimigos, parabéns, isso significa que fez algo na sua vida”, completou.

O parlamentar participou de painel no maior evento conservador dos Estados Unidos, o Conservative Political Action Conference (CPAC).

De acordo com Eduardo, o principal desafio no momento é a formação de uma cultura conservadora no Brasil. “Não temos uma mídia e universidades conservadoras”, disse. “Temos de manter a liberdade, a liberdade de expressão, a liberdade na internet e construir toda a estrutura de um movimento conservador”, disse.

Esses canais têm sido usados por bolsonaristas para disseminar informações falsas, de acordo com denúncias feitas por reportagens e por parlamentares ligados ao presidente.

De acordo com o parlamentar, o governo Bolsonaro faz parte de uma luta contra o “socialismo”. Ele citou a aprovação da reforma da Previdência como uma vitória e prometeu a votação da reforma tributária em 2020.

Eduardo também associou o socialismo a discussões sobre identidade de gênero. “Eles discutem sobre um terceiro banheiro nas escolas, ideias de ideologia de gênero… cara, o que é isso? As pessoas querem educação de verdade e menos intervenção do Estado no setor privado”, disse.

Reprodução/Facebook
“Depois que meu pai foi esfaqueado por um ex-membro do partido socialista, agora é pessoal”, disse Eduardo Bolsonaro.

Liberação de armas de fogo 

No debate, Eduardo também defendeu a flexibilização ao acesso a armas de fogo no Brasil no governo de Jair Bolsonaro. “Sou 100% contra o controle de armas de fogo”, disse. “No Brasil, nós temos um forte controle de armas desde 2003. Depois disso, o número de homicídios aumentou. Mas após o primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro, com novas regulações, os brasileiros podem comprar uma arma, pelo menos para mantê-la em casa. e no ano passado, o número de homicídios caiu 20%”, afirmou.

Em 2019, o presidente editou oito decretos que flexibilizaram o acesso às armas.

Estudos científicos, no entanto, mostram que a regulação de armas reduz o número de mortes violentas. De acordo com o Mapa da Violência 2015, o Estatuto do Desamamento, em vigor desde 2003, contribuiu para reduzir mortes por armas de fogo. Segundo a pesquisa, a lei foi responsável por poupar 160.036 vidas desde sua sanção pelo presidente Lula.

O número de homicídios no Brasil registrou uma queda entre 2018 e 2019, segundo levantamento feito pelo site G1 em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o NEV-USP (Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo). Foram 19% menos assassinatos de um ano para outro, uma queda de 51.558 em 2018 para 41.635 no ano seguinte.

A redução, contudo, é apontada por pesquisadores com ressalvas. Os dados não incluem, por exemplo, as mortes em decorrência de ação policial. Acontecimentos relacionados ao crime organizado também são citados como fatores que tiveram impacto na diminuição de homicídios.

CPAC, a conferência conservadora

Na sexta-feira (28), em painel no mesmo evento, o parlamentar já havia citado a facada de que Jair Bolsonaro foi alvo. “Eles falam que nós somos racistas, nazistas, xenofóbicos, homofóbicos, que nós não gostamos de mulheres... Mas, durante as eleições de 2018, meu pai foi esfaqueado, porém você quase nunca vê a imprensa dizer que quem deu a facada no meu pai era um ex-membro do Partido Socialismo e Liberdade, que temos no Brasil. Extrema-esquerda. Então quem é o intolerante? ”, questionou.

Em vídeo publicado em seu perfil no Twitter, com trechos de seu discurso, Eduardo cita as manifestações que pediam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e diz que os brasileiros estavam cansados de “tanto socialismo” praticado pelos governos petistas.

Eduardo foi responsável pela primeira edição da CPAC no Brasil, em outubro de 2019. O evento chegou ao País após o deputado assumir o posto de representante na América do Sul do The Movement, grupo que apoia o nacionalismo populista e rejeita a influência do globalismo.

O filho do presidente brasileiro assumiu o cargo a convite de Steve Bannon, ex-estrategista doo presidente Donald Trump. Fora da Casa Branca, Bannon se aproximou da família Bolsonaro por meio do assessor de relações internacionais, Filipe Martins, pupilo do escritor Olavo de Carvalho. 

A CPAC foi realizada pela primeira vez nos EUA em 1973 com a presença de Ronald Reagan e já teve nos palcos em Washington outros ex-presidentes norte-americanos, como George W. Bush. O atual mandatário, Donald Trump, tem sido a principal atração nos últimos anos.