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31/10/2019 19:08 -03 | Atualizado 01/11/2019 09:57 -03

Após ser repreendido pelo pai, Eduardo Bolsonaro diz estar sendo mal interpretado

“Vivemos sob a égide da constituição de 1988 e eu fui eleito democraticamente, não há motivo para se imaginar em radicalizar.”

Adriano Machado / Reuters

O filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recuou depois que o pai, Jair Bolsonaro, disse que quem fala em AI-5está sonhando. Na manhã desta quinta-feira (31), foi divulgada uma entrevista do deputado para a jornalista Leda Nagle, na qual ele defende uma reposta, que pode ser por via de um AI-5, caso a esquerda se radicalize. Horas depois, o deputado divulgou outros vídeos reforçando sua opinião.

A postura contundente durou até o presidente se pronunciar. Depois da reação de Bolsonaro, Eduardo foi ao Instagram dizer que está sendo mal interpretado.

“Não há a possibilidade de retorno do AI-5 atualmente. Vivemos sob a égide da constituição de 1988 e eu fui eleito democraticamente, não há motivo para se imaginar em radicalizar. Igualmente sigo sendo parlamentar, meu trabalho é falar, parlar e é para isto que temos imunidade”, disse.

Ao saber da declaração do filho, o presidente disparou: “Não apoio. Quem quer que seja que fale em AI-5 está sonhando. Está sonhando, está sonhando. Não quero nem ver notícia nesse sentido aí.”

A repercussão negativa não ficou só dentro da família Bolsonaro. A declaração do deputado foi encarada como um atentado à democracia por partidos de direita, de esquerda e de centro. Além de unir adversários políticos, Eduardo que é líder do PSL foi repreendido pelo próprio PSL. Em nota, o partido que viabilizou a candidatura do presidente e do filho afirmou que “a simples lembrança de um período de restrição de liberdades é inaceitável”.

Partidos como o PSol e o PDT também afirmaram que acionariam o STF para cassar o mandato do parlamentar. O PSol alega que ao enaltecer a ditadura, o parlamentar comete os crimes de incitação ao crime e de apologia de crime ou criminoso. 

O que foi o AI-5?

O ato institucional número cinco foi o decreto que inaugurou o tempo mais sombrio da ditadura militar brasileira, assinado em 1968. Em 12 artigos, o ato ampliou os poderes e o autoritarismo do presidente. Deu entre outros, o poder de fechar o Congresso Nacional, o que foi feito; de cassar direitos políticos por 10 anos de qualquer pessoa e confiscar bens.

Como definiram as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling, “era uma ferramenta de intimidação pelo medo, não tinha prazo de vigência e seria empregado pela ditadura contra a oposição e a discordância. Já o historiador Kenneth P. Serbin fala que, por meio do AI-5, as forças de segurança do governo tiveram carta branca para ampliar a campanha de perseguição e repressão contra a esquerda revolucionária, oposição democrática e Igreja”.