OPINIÃO
28/03/2019 01:01 -03 | Atualizado 28/03/2019 10:25 -03

'Dumbo' é muito bonito, mas falta emoção na versão de Tim Burton

Visão particular do diretor dá força à versão live action de clássico da Disney, que estreia nesta quinta (28) nos cinemas.

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Eva Green até se esforça como a trapezista Colette, mas quem brilha mesmo é o elefantinho voador.

Vamos ser sinceros: Essa nova onda de versões live-action de animações clássicas da Disney cheira a reciclagem. Muitas delas simplesmente repetem cenas “icônicas” frame a frame. Mas esse, definitivamente, não é o caso de Dumbo, filme dirigido por Tim Burton que estreia nesta quinta-feira (28) nos cinemas brasileiros.

Para dar uma cara mais “realista” (o que quer que isso signifique), o diretor famoso por seus contos de fadas sinistros tirou a voz dos animais e criou novos personagens humanos que falem por eles. É o contrário do que acontece na animação de 1941, em que elefantes, ratos, cegonhas e corvos são os personagens falantes.

É claro que sequências inesquecíveis do original não foram totalmente ignoradas - mas estas ganham ou uma nova roupagem ou são citadas como referência. Isso sem falar de situações constrangedoras do original atualizadas:  ações que hoje soam inadequadas e às vezes até racistas.  

Ter a cara de seu diretor dá mais força ao filme, que se destaca entre seus pares como Mogli - O Menino Lobo (2016) e A Bela e a Fera (2017) exatamente por isso. Dumbo não parece um trabalho feito por encomenda, mas um projeto pessoal de Burton, que aliás, foi uma bela escolha da Disney.

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Dumbo ganha banho sem champanhe, porque hoje em dia não pega bem.

Porém… Uma moeda tem sempre duas faces, e o que faz dessa versão de Dumbo a melhor do estúdio nessa categoria pode ser um repelente para o público mais fiel (e radical) desse filão.

Esse tipo de fã não quer uma visão particular de sua animação preferida, mas sim uma cópia da obra original, para que possa rever “aqueles” momentos que marcaram sua vida, como uma criança que assiste ao mesmo desenho inúmeras vezes.

Mas esse é o risco que se corre quando um diretor tem liberdade para impor sua visão.

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No filme, relação entre a mãe, Sra. Jumbo, e seu filho Dumbo não ganha o mesmo destaque que no original.

No caso de Dumbo, o visual dark de Burton acrescenta muito à história do elefantinho que sofre bullying por conta do tamanho avantajado de suas orelhas, mas tem-se a impressão de que ele focou demais nesse aspecto e deixou a emoção de lado.

Mas isso não é só culpa dele. Ela deve ser dividida com muitos dos personagens humanos, que não possuem carisma algum. Principalmente os vividos por Colin Farrell e Michael Keaton. 

Dumbo é bonito de se ver e se destaca por não ser uma simples cópia da animação que salvou os Estúdios Disney da falência no começo da década de 1940, mas muitas vezes deixa a desejar no fator emoção, algo muito importante para a história do elefantinho voador.

O bichinho, tão fofo quanto na animação, cumpre seu papel, coisa que muitos de seus colegas humanos não conseguem.