LGBT
09/10/2019 19:48 -03 | Atualizado 09/10/2019 20:57 -03

Os pais do Ryan deram a ele a festa de aniversário dos sonhos de todo LGBT

É assim que uma "mãe de viado" e um "pai de viado" se parecem.

Os pais de Ryan, que se apresenta como a drag queen Pérolla Lee, não só celebraram o orgulho de tê-lo como filho, mas deram a ele um aniversário que todo LGBT sonha ganhar de sua família: além de bolo e bexigas com as cores do arco-íris, ele ganhou afeto, apoio, e uma grande demonstração de amor.

Para a festa, a mãe de Ryan, Érica, mandou fazer camisetas especiais para ela, Ryan e Rogério, padrasto do jovem. Eles vestiram as camisetas “viado”, “mãe de viado” e “pai de viado”.

Assim que foi publicada nas redes sociais, a foto dos três com a decoração da festa viralizou nas redes sociais e foi vista como uma forma de demonstração de amor de uma mãe para um filho, sem censurar as escolhas, a orientação sexual ou até identidade de gênero dos filhos.

A ativista feminista e comentarista do programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, Maíra Azevedo, conhecida como “Tia Má” nas redes sociais, elogiou a postura da família e repostou a foto da comemoração.

“Para que a gente possa refletir o poder do amor e da possibilidade de ressignificar um termo e utilizar para para fazer refletir”, escreveu a jornalista, ao pontuar a conotação pejorativa que a palavra “viado” tem, e como a busca por uma ressignificação de seu significado está presente no movimento LGBT.

“Que mais histórias como essa se repitam e sejam reproduzidas. É importante, é fundamental que pessoas LGBTQI+ possam ter apoio, carinho e afeto de suas famílias”, pontuou. “Que termos usados de forma pejorativa possam ser ressignificados para apenas expressar que toda forma de amor vale a pena.”

Em suas redes sociais Ryan exibe seus looks como a drag Pérola Lee. Em uma das fotos, exibiu sua produção para a Parada do Orgulho LGBT realizada no dia 23 de junho, em São Paulo, na Avenida Paulista. Em outra, mostra que a drag Lia Clark é uma de suas inspirações. 

Os dados sobre LGBTfobia no Brasil

De acordo com o Atlas da Violência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cresceu 10% o número de notificações de agressão contra gays e 35% contra bissexuais de 2015 para 2016, chegando a um total de 5.930 casos, de abuso sexual a tortura.

Canal oficial do governo, o Disque 100 recebeu 1.720 denúncias de violações de direitos de pessoas LGBT em 2017, sendo 193 homicídios. A limitação do alcance do Estado é admitida pelos próprios integrantes da administração federal, devido à subnotificação e falta de dados oficiais.

Por esse motivo, os levantamentos do Grupo Gay da Bahia, iniciados na década de 1980, se tornaram referência.

Em 2018, a organização contabilizou 420 mortes de LGBTs decorrentes de homicídios ou suicídios causados pela discriminação. O relatório “População LGBT Morta do Brasil” mostra, ainda, um aumento dos casos desde 2001, quando houve 130 mortes.

O grupo divulgou nova pesquisa que aponta 141 vítimas entre janeiro e o dia 15 de maio deste ano. De acordo com o relatório, ocorreram 126 homicídios e 15 suicídios, o que dá uma média de uma morte a cada 23 horas por homofobia.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em junho deste ano, que a LGBTfobia deve ser equiparada ao crime de racismo até que o Congresso Nacional crie uma legislação específica sobre este tipo de violência. Pena é de até 3 anos e crime será inafiançável e imprescritível, como o racismo.