ENTRETENIMENTO
24/10/2019 02:00 -03

Leve e charmoso, 'Downton Abbey' é um deleite tanto para fãs quanto para leigos

Filme traz história independente, mas é verdade que só quem já viu a série vai aproveitar 100% da experiência.

Logo após o lançamento de El Camino, outra série ganha uma versão cinematográfica em 2019: Downton Abbey. Porém, diferente do epílogo de Breaking Bad, o filme do folhetim inglês pode, sim, ser classificado como um filme propriamente dito.

Isso porque El Camino começa exatamente no momento em que a série da qual é derivada termina, restringindo seu consumo a fãs mais versados em seu universo. Já o filme de Downton Abbey, que estreia no Brasil nesta quinta (24), possui uma história independente, sem ligação direta à trama televisiva.

Mesmo assim, não há como negar que, para se desfrutar do prazer supremo de rever seus personagens preferidos de Downton, é recomendável ter visto a série antes — por mais que a trama seja bem resolvida a ponto de não deixar o espectador leigo perdido.

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O grande espaço dado a Tom Branson (Allen Leech) na trama surpreende, mas faz todo o sentido.

Esse fato se comprova logo na abertura do filme. Um fã de verdade vai cair no choro assim que o tema da série (em uma versão mais grandiosa) começa a tocar enquanto a pomposa abadia de Downton aparece na tela. Uma reação que pessoas que não possuem uma ligação afetiva prévia com o material vão achar um exagero.

A trama é bem simples. O ano é 1927. Lord Grantham (Hugh Bonneville) recebe uma importante correspondência diretamente do Palácio de Buckingham. Downton Abbey, a residência dos Grantham servirá de abrigo para o Rei George V e a Rainha Mary (avós de Elizabeth II), em uma turnê pelo interior da Inglaterra. 

A partir dessa espinha dorsal, o criador da série e roteirista do filme, Julian Fellowes, faz o possível para que a história se divida em diversas sub-tramas  para dar o máximo de espaço para a grande lista de personagens amados pelo público fiel de Downton Abbey.

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No papel de Violet Crawley, a veterana Maggie Smith é a alma do filme. Ela simplesmente rouba todas as cenas.

É claro que alguns não conseguem aparecer tanto, mas há espaço suficiente para arcos individuais de Lady Mary (Michelle Dockery), Tom Branson (Allen Leech), Anna (Joanne Froggatt), Carson (Jim Carter), Barrow (Robert James-Collier), Lady Edith (Laura Carmichael), Sra. Patmore (Lesley Nicol) e, principalmente, Violet Crawley (Maggie Smith).

Aliás, falando em Maggie Smith… Nenhuma dessas sub-tramas supera, nem de perto, os momentos mágicos em que a veterana atriz de 85 anos está na tela. Seu personagem, a Condessa de Grantham era o melhor da série e segue com o mesmo status no filme. Absolutamente todas as suas falas são deliciosas e a cena em que ela faz uma confissão a Lady Mary por si só já lhe valeria um Oscar de atriz coadjuvante.  

Downton Abbey é um filme charmoso, leve, com roteiro bem amarrado, atuações precisas e figurino e direção de arte caprichadíssimos que não só faz jus à série, mas amplifica todos os pontos positivos que fizeram do folhetim um verdadeiro queridinho do público no mundo todo.