ENTRETENIMENTO
28/05/2019 18:31 -03 | Atualizado 28/05/2019 19:04 -03

Dorina Nowill e a jornada em prol da inclusão e bem estar dos cegos brasileiros

Educadora e ativista ganha homenagem do Google em seu 100º aniversário.

Dorina Nowill foi uma mulher pioneira na luta pelos direitos dos cegos no Brasil, em especial no cenário da educação. Nesta terça-feira (28), data em que educadora, filantropa e ativista completaria 100 anos, o Google presta uma bela homenagem com um doodle especial.

Veja abaixo:

Divulgação
Doodle na página inicial do buscador mostra ilustração com o rosto de Dorina à frente da palavra "Google”, que também aparece representada em braile.

Nascida em São Paulo em 1936, Dorina de Gouvêa Nowill ficou cega aos 17 anos, em decorrência de uma doença não diagnosticada. A cegueira não impediu a paulistana de escolher a carreira de docente e empreender uma incessante luta em prol da inclusão e bem estar de pessoas cegas. 

Ela cursou o magistério na Escola Caetano de Campos e convenceu a instituição a criar o primeiro curso de especialização de professores para o ensino de cegos. Posteriormente, Dorina seria figura fundamental para a elaboração da lei de integração escolar, que foi regulamentada em 1956.

Após concluir o magistério no Brasil, ela ganhou uma bolsa de estudos para se especializar em educação para cegos no Teacher’s College da Universidade de Columbia, em Nova York. Em 1956, fundou a então Fundação para o Livro do Cego no Brasil, a fim de tanto suprir a demanda quanto popularizar os livros em braile em seu país de origem.

Em 1948, Dorina conseguiu da Kellog’s Foundation e da American Foundation for Overseas Blind a doação de uma imprensa braille completa. Hoje, a Imprensa Braille da Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma das maiores do mundo em produção.

 

Dorina trabalhou na Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, sendo responsável pela criação do Departamento de Educação Especial para Cegos. Ela também atuou em  Brasília, no comando do primeiro órgão nacional de educação de deficientes visuais, criado pelo Ministério da Educação - e que permaneceu ativo de 1961 a 1973.

A educadora foi eleita presidente do Conselho Mundial dos Cegos, em 1979.

Dois anos depois, Dorina representou o Brasil na Assembléia Geral das Nações Unidas – era o Ano Internacional da Pessoa Deficiente. Ela também foi destaque na Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, em 1982, quando conseguiu que a Recomendação 99, referente à reabilitação profissional entrasse na pauta do evento. 

Dorina também colaborou junto ao poder público pela criação de campanhas sobre a importância da prevenção de doenças que possam levar à cegueira.

Em 1996, ela lançou a autobiografia ... E Eu Venci Assim Mesmo, na qual contava sobre sua jornada de superação e grandes feitos em prol da vida de pessoas cegas. A obra também ganhou tradução em espanhol.

Dorina Nowill morreu em 2010, aos 91 anos, vítima de uma parada cardíaca. Ela deixou cinco filhos e 12 netos. A Fundação que leva seu nome é atualmente referência mundial no trabalho de acessibilidade para cegos.