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02/04/2020 17:47 -03

‘Vírus não escolhe ideologia’: A resposta de Doria a Lula

Troca de gentilezas entre rivais políticos polariza com orientações do presidente Jair Bolsonaro.

NELSON ALMEIDA via Getty Images
Doria destacou que ele o ex-presidente Lula  têm muitas diferenças, mas disse que "agora não é hora de expor discordâncias". 

Rivais políticos históricos, o petista Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano João Doria trocaram gentilezas por causa do coronavírus. Ao se referir a uma medida adotada pelo governador de São Paulo e cita-lo nominalmente, o ex-presidente Lula (PT) afirmou que é preciso “reconhecer que quem tá fazendo o trabalho mais sério nessa crise são os governadores e os prefeitos”.

Horas depois, João Doria (PSDB) respondeu. Destacou que ambos têm muitas diferenças, “mas agora não é hora de expor discordâncias. O vírus não escolhe ideologia nem partidos.”

A troca de elogios tem como pano de fundo o cenário político nacional. Doria e o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) têm trocado farpas. Enquanto o governador defende que os brasileiros fiquem em casa no combate à pandemia de coronavírus, Bolsonaro chegou a dizer que o País deveria “voltar à normalidade”.

O alinhamento entre PSDB e PT foi ressaltado em tom crítico e linguagem chula pelo filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

No dia 25, Doria e Bolsonaro chegaram a bater boca. Criticado por Doria, pelo pronunciamento que fez em rede nacional de rádio e televisão no dia 24, quando defendeu a volta à “normalidade” em meio à pandemia, o presidente se irritou e acusou o ex-aliado de ser “leviano” e de apelar à “demagogia”. 

“Acabou as eleições (sic), me vira as costas e começa a me atacar covardemente àquele que emprestou seu nome para a eleição não de forma voluntária. Guarde essas suas observações para a campanha de 2022, quando Vossa Excelência poderá destilar todo o seu ódio por ocasião das mesmas”, afirmou o presidente a Doria. 

Apoiadores do presidente tem também afirmado que na época em que Lula presidiu o País houve um surto de H1N1 e a reação da população e da imprensa não foi alarmante, como atualmente. Uma das principais diferenças entre o surto de H1N1 e o novo coronavírus é a velocidade de contágio. Em 2009, com 50 dias da gripe H1N1 havia 28.738 casos, com 50 dias do novo coronavírus havia 86.556 casos, equivalente a três vezes mais.