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02/12/2019 17:59 -03 | Atualizado 05/12/2019 17:45 -03

Doria: ‘As mortes não foram provocadas por policiais militares, e sim por bandidos’

Na madrugada de domingo (1º), nove pessoas morreram pisoteadas após uma ação da polícia na favela de Paraisópolis.

Amanda Perobelli / Reuters
"Não houve letalidade da polícia, nem utilização de armas, nem houve uma ação da polícia em relação a invadir a área onde o baile funk estava ocorrendo, tanto é fato que o baile continuou", disse o governador de São Paulo, João Doria.

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou que não houve responsabilidade da polícia nas nove mortes que ocorreram após uma ação policial em um baile funk na favela de Paraisópolis (SP), na madrugada de domingo (1º). Imagens mostram que a polícia encurralou a multidão em vielas estreitas. Ao tentar fugir, jovens caíram e foram pisoteados. Outras sete pessoas ficaram feridas.

Na avaliação do governador, é preciso tomar cuidado para não inverter o processo. “Não houve letalidade da polícia, nem utilização de armas, nem houve uma ação da polícia em relação a invadir a área onde o baile funk estava ocorrendo, tanto é fato que o baile continuou. Não deveria. Não deveria sequer ter ocorrido porque ele é ilegal, fere a legislação do município de São Paulo. Até 10h da manhã o baile prosseguiu”, disse Doria, em coletiva de imprensa.

Segundo ele, o que houve foi uma medida comanda por dois bandidos, “sendo que um na motocicleta atirou com arma de fogo contra policias militares”. “Não houve nenhum tiro pronunciado por policiais militares em qualquer momento, em qualquer circunstância, portanto o comportamento, a atitude da Polícia Militar do estado de São Paulo, assim como da Polícia Civil continuará dentro do protocolo de segurança pública.”

O fato de defender os policiais, para o governador, porém, “não nos desobriga de reavaliar e rever pontos específicos, onde falhas possam ter acontecido e penalizar, se as circunstâncias assim determinarem, quem cometeu erros”.

O argumento de Doria corrobora a tese da polícia de que os PMs reagiram a um ataque. Imagens e relatos de pessoas que estavam no baile, no entanto, contradizem essa versão. Eles afirmam que os policiais invadiram o local com intuito de dispersar os jovens por causa do barulho.

De acordo com a Folha de S.Paulo, o dono de um bar no fluxo do baile, Anderson Figueiredo, afirmou que os policiais chegaram atirando bombas de gás e balas de borracha. Há tanto relator de jovens que disseram que ficaram presos em uma das vielas e receberam golpes de cassetetes de policiais militares.

Violência policial no Brasil

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 10 de setembro deste ano, mostram que em 2018 policiais civis e militares em serviço ou não mataram 6.220 pessoas no Brasil. O número é o maior desde 2012, quando a série histórica passou a ser compilada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Ainda de acordo com os dados do anuário, a maioria da população morta é composta por homens (99,3%) e é negra (75,4%). O jovem negro com idade entre 15 e 29 anos é, em geral, a principal vítima, 54,8%.

Policiais também são vítimas da violência, mas em menor escalda. Em 2018, 343 policiais civis e militares morreram assassinados — 75% foram mortos fora de serviço. Do total, 97% das vítimas são homens e 51,5% negros. A maior parte (65,5%) com idade entre 30 e 49 anos.