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13/02/2019 21:06 -02 | Atualizado 15/02/2019 20:49 -02

Donata Meirelles pede demissão da Vogue Brasil após festa em Salvador

Críticos apontaram temática racista na comemoração dos 50 anos da então diretora da revista.

Donata Meirelles, diretora da revista Vogue Brasil, pediu demissão da publicação nesta quarta-feira (13). Em uma mensagem enviada para os amigos mais próximos, ela comunicou o afastamento, segundo a colunista Sônia Racy, do Estadão.

De acordo com a apuração do HuffPost Brasil, a decisão da saída da executiva foi oficializada na quarta.

Na segunda-feira (11), a cúpula da editora se reuniu a portas fechadas durante todo o dia para gerenciar a crise iniciada no fim de semana, que teve até repercussão internacional. A demissão de Donata ocorre após sua festa de 50 anos ser apontada com temática racista

O jantar luxuoso no Palácio da Aclamação, em Salvador (BA), na última sexta-feira (8), foi criticado por trazer a atmosfera da época escravocrata e colonial do Brasil. 

Em imagens que circularam nas redes sociais, mulheres negras eram vistas na entrada do local, ao lado de um trono, para fazer a recepção dos convidados da aniversariante. Críticos da festa afirmam que elas estão vestidas com roupas de mucamas.

Pedido de desculpas de Donata e Vogue

Ainda no sábado Donata fez uma postagem no Instagram afirmando que não se tratava de “festa temática” e que as roupas usadas “não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa”. Ela pediu desculpas se “causou uma impressão diferente”.

Após a repercussão negativa do evento, a Vogue Brasil disse lamentar “profundamente o ocorrido” e afirma esperar que “o debate gerado sirva de aprendizado”. 

Em nota postada no Instagram, na segunda-feira (11), a direção da revista anunciou a ampliação das vozes dentro da equipe e a criação de um fórum formado por ativistas e especialistas que, juntos à redação, ajudarão a escolher as pautas e imagens da revista no intuito de combater “as desigualdades históricas do País”. Esse fórum será instituído de forma permanente.

Associação das Baianas nega racismo

Para a Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares da Bahia (Abam), houve má interpretação sobre a festa de Donata Meirelles.

Em entrevista ao jornal baiano A Tarde, a coordenadora da Abam, Angelimar Trindade, negou representação da escravidão e racismo no evento, cuja organização levou mais de 1 mês.

Ela confirmou que as cadeiras eram representações do candomblé. “Foram 4 cadeiras daquelas espalhadas pelo espaço da festa para as baianas sentarem. Durante a foto, nós que sugerimos que a Donata sentasse na cadeira, no centro de todas. Afinal, a aniversariante é o centro das atenções, né?”, disse Trindade ao jornal.