NOTÍCIAS
09/02/2019 18:19 -02 | Atualizado 10/02/2019 10:14 -02

Donata Meirelles, da Vogue, faz festa de 50 anos e é criticada por 'temática racista'

Mulheres negras recepcionam os convidados vestindo "roupas de mucama", segundo os críticos. Aniversariante diz que trajes eram de "baiana de festa".

Reprodução/Instagram
“O dia a dia da escravidão foi duro e violento", escreveu a historiadora Lilia Schwartz em seu perfil do Instagram, sobre o jantar.

Donata Meirelles, diretora da revista Vogue Brasil, comemorou seus 50 anos em um jantar luxuoso no Palácio da Aclamação, em Salvador (BA), na última sexta-feira (8). O evento está sendo apontado como racista por trazer a atmosfera da época escravocrata e colonial do Brasil. 

Em imagens que circulam nas redes sociais, mulheres negras são vistas na entrada do local, ao lado de um trono, para fazer a recepção dos convidados da aniversariante. Críticos da festa afirmam que elas estão vestidas com roupas de mucamas.

Segundo a coluna de Ancelmo Goes, no jornal O Globo, o jantar contou com a presença de famosos como Regina Casé, Ivete Sangalo, Gilberto Gil, Preta Gil e Caetano Veloso, que fez um show no evento. 

Durante a festa, a diretora da Vogue também foi parabenizada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

Os artistas também foram criticados nas redes sociais por posarem com as “mucamas”. 

Após a repercussão negativa das imagens do evento, alguns leitores da revista começaram a marcar a edição norte-americana da Vogue nas redes sociais, pedindo posicionamento da publicação.

Ao mesmo tempo, ativistas recuperaram imagens da época da escravidão para explicar por que o jantar foi problemático.

A jornalista baiana Rita Batista publicou um trecho do livro Jóias de Crioula de Laura Cunha e Thomas Milz, acompanhado de duas fotos: uma tirada entre 1870 e 1880 e a outra, em 2019, do evento da última sexta.

Na tarde deste sábado (9), Donata publicou uma foto do arranjo de rosas brancas da festa e explicou que “não era uma festa temática”, que as roupas usadas “não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa” e pediu desculpas se “causou uma impressão diferente”:

“Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições.”

″É isso que se chama racismo estrutural! Um racismo tão enraizado que parece invisível. Mas não é. Muito triste esse nosso país que cria essa falsa nostalgia de um passado romântico que jamais existiu”, escreveu a historiadora Lilia Schwarcz e autora de O Racismo e o Negro no Brasil, em seu perfil do Instagram.

“O dia a dia da escravidão foi duro e violento. Não há da para comemorar ou celebrar. Melhor é refletir e mudar. Todos juntos.”

Neste sábado (9), a comemoração continuará no restaurante Amado, também em Salvador, com shows de Preta Gil e Ivete Sangalo. Já no domingo (10), Gilberto Gil comandará um outro evento para finalizar as comemorações do aniversário da diretora.