COMPORTAMENTO
12/02/2019 00:11 -02

Após festa de Donata, Vogue Brasil anuncia fórum de ativistas para pautar revista

“Nós acreditamos em ações afirmativas e que a empatia é a melhor alternativa para a construção de uma sociedade mais justa.”

HuffPost Brasil

Após a repercussão negativa da festa de 50 anos de Donata Meirelles, em Salvador (BA), a cúpula da Vogue Brasil esteve reunida por horas ao longo desta segunda-feira (11) para dar uma resposta às milhares de queixas recebidas em suas redes sociais. A publicação diz lamentar “profundamente o ocorrido” e afirma esperar que “o debate gerado sirva de aprendizado”. 

Diretora da revista, Donata celebrou seu aniversário em um jantar luxuoso no Palácio da Aclamação, na capital baiana, em evento apontado como racista por diversos críticos e ativistas por trazer a atmosfera da época escravocrata e colonial do Brasil. 

Nas imagens que ganharam as redes nos últimos dias, mulheres negras são vistas na entrada do local, ao lado de um trono, para fazer a recepção dos convidados da aniversariante. Críticos da festa afirmam que elas estavam vestidas com roupas de mucamas ladeando o “trono de sinhá”.

Em nota postada no Instagram, a Vogue Brasil anunciou a ampliação das vozes dentro da equipe e a criação de um fórum formado por ativistas e especialistas que, juntos à redação, ajudarão a escolher as pautas e imagens da revista no intuito de combater “as desigualdades históricas do País”. Esse fórum será instituído de forma permanente.

“Nós acreditamos em ações afirmativas e propositivas e também que a empatia é a melhor alternativa para a construção de uma sociedade mais justa”, destacou o comunicado da Vogue.

Leia a íntegra: 

Donata chegou a se defender das críticas, argumentando que não se tratava de uma festa temática. 

“Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas.”

O buzz do episódio chegou aos Estados Unidos, onde uma executiva da L’Óreal criticou o evento. A diretor de Marketing da empresa, Shelby Ivey Christie, classificou como “repugnante” a festa.

“Parece que a escravidão brasileira foi o tema. Mucamas [escravas de casa], foram colocadas como adereços ao lado de convidados”, descreveu Shelby.

Associação das Baianas nega racismo

A Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares da Bahia (Abam) afirma que houve má interpretação sobre a festa de Donata Meirelles.

Em entrevista ao jornal baiano A Tarde, a coordenadora da Abam, Angelimar Trindade, negou representação da escravidão e racismo no evento, cuja organização levou mais de 1 mês.

Ela confirmou que as cadeiras eram representações do candomblé. “Foram 4 cadeiras daquelas espalhadas pelo espaço da festa para as baianas sentarem. Durante a foto, nós que sugerimos que a Donata sentasse na cadeira, no centro de todas. Afinal, a aniversariante é o centro das atenções, né?”, disse Trindade ao jornal.