OPINIÃO
05/03/2020 03:00 -03 | Atualizado 05/03/2020 03:00 -03

'Dois Irmãos' pode não ser dos melhores da Pixar, mas agradará público de 8 a 80 anos

Nova animação do estúdio é até um pouco genérica às vezes, mas traz momentos que tocarão o coração do espectador.

Primeiro (e menos aguardado) lançamento da Pixar em 2020, Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica pode não ter o mesmo hype de Soul, animação do mesmo time do excelente Divertida Mente (2015) que estreia em junho. Mas está longe de fazer feio entre os títulos do estúdio.

Segunda experiência de Dan Scanlon como diretor depois do fraquíssimo Universidade Monstro (2013), o filme - que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (5) - pode parecer, à primeira vista, bem diferente do padrão. Mas os elementos excêntricos da trama se limitam ao mundo que ele retrata - o dos jogos RPG cheios de seres como elfos, duendes, fadas, magos, unicórnios e afins, mas que aqui vivem em um ambiente urbano da vida real.

Na trama, o jovem Ian Lightfoot (Tom Holland na voz original), um elfo tímido e inseguro que está completando 16 anos de idade, recebe um presente especial de aniversário. Um cajado mágico que seu pai, que morreu quando ele ainda era um bebê, fez para ele. Junto com o cajado, ele recebeu instruções para um feitiço que traria seu pai de volta à vida por um dia.

Empolgado com a possibilidade de finalmente conhecer seu pai e encorajado por seu irmão mais velho Barley (Chris Pratt), que ainda acredita no passado cheio de magia e aventura que seu mundo perdeu com o progresso tecnológico, Ian testa a magia do cajado. Mas algo dá errado, e eles revivem seu pai apenas da cintura para baixo.

Para completar o feitiço, que expira em 24 horas, eles precisam achar uma pedra mágica que só pode ser encontrada em um local longe da cidade em que moram. Mas os dois não se dão por vencidos, e, juntos, embarcam na van de Barley - uma verdadeira lata velha - rumo a um mundo esquecido pela vida moderna.

Divulgação
Or irmãos Ian e Barley embarcam em uma jornada de autoconhecimento em uma van não tão mágica assim.

Tirando os elementos puramente estéticos e a falta de momentos musicais, Dois Irmãos é, na verdade, uma animação bem padrão. Até um pouco genérica às vezes. Mas a produção vai ganhando muita força na metade final do filme, quando se entrega de vez à mensagem de compreensão, autoconhecimento e amor fraterno daqueles tradicionais momentos “para chorar” da Pixar - que aqui, aliás, acertam em cheio o coração do espectador.

Uma pena que boa parte desse público no Brasil não poderá curtir as vozes do elenco original, como Holland, Pratt, Julia Louis-Dreyfus e Octavia Spencer, mas Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica é bem divertido. Pode não estar entre os melhores títulos da Pixar, mas, definitivamente, não está entre os piores. É uma aventura bem razoável com elementos esquisitos na medida certa e que traz alguns momentos bem tocantes com o DNA do estúdio, ou seja: vai agradar crianças e adultos na mesma medida.