LGBT
28/06/2019 02:00 -03

Estes 3 documentários ajudam a entender o que foi a Revolta de Stonewall

Há exatos 50 anos, LGBTs norte-americanos saíram às ruas para dar um basta à violência policial e desencadearam uma luta mundial por direitos.

Ho New / Reuters
A ativista trans norte-americana Marsha P. Johnson em um dos protestos por direitos LGBT em Nova York que aconteceram em 1969.

Em 28 de junho de 1969, a polícia de Nova York invadiu o bar Stonewall Inn, localizado em Manhattan, conhecido por ser um dos poucos locais da época que aceitavam a presença de gays, lésbicas, trans e drag queens ― que desencadeou uma onda de protestos na luta pelos direitos LGBT.

É por causa desta revolta que o mês LGBT é comemorado em junho e que o “Dia do Orgulho” para essa população é celebrado na data de hoje. Na época, ter “orgulho” de ser LGBT era um crime. E ficar “dentro do armário” era a lei. Até 1969, era proibido manter relações com pessoas do mesmo sexo em todos os Estados norte-americanos, exceto Illinois.

“Foi mais uma reação geral da juventude gay, lésbica e trans da cidade. Não se confiava na polícia; ela era o inimigo, e a reação se deu contra a violência policial”, afirma James Green, que viu o movimento nascer nos EUA e no Brasil e hoje é professor da Brown University, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Cinquenta anos depois, Stonewall é mais do que um local físico. É o símbolo de um movimento que ganhou visibilidade mundial. Mas ainda existem mitos sobre o que aconteceu naquela noite de 1969. E há também muito para ser conquistado ― cerca de 70 países ainda consideram a homossexualidade um crime. 

Ellen Broidy, Mark Segal, Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera são alguns dos nomes mais conhecidos que participaram dos protestos na época. Mas a pergunta “quem jogou o primeiro tijolo em Stonewall?” reverbera até hoje.

Em essência, as revoltas de Stonewall foram um movimento de pessoas que estavam cansadas e decidiram reclamar suas narrativas em uma sociedade que tolhia seu direito de existir com dignidade. Estes três documentários ajudam a entender o que foi e qual o significado das revoltas:

A Revolta de Stonewall, de Kate Davis (2010)

Shannon Stapleton / Reuters
Filme que ajuda a entender historicamente o contexto dos protestos em um momento de profunda opressão nos Estados Unidos.

As Revoltas de Stonewall (Stonewall Uprising), de Kate Davis, lançado em 2010, traz a voz dos principais ativistas que participaram dos protestos para contar essa história ― e ainda mostra o lado dos policiais que, autorizados pela moralidade da época e pelo Estado, invadiram o bar de forma violenta. 

Um filme que ajuda a entender historicamente o contexto dos protestos em um momento de opressão e o quanto essas manifestações foram fundamentais para a construção dos direitos civis das pessoas LGBTs nos Estados Unidos e, posteriormente, no mundo. Está disponível no YouTube com legendas em português.

Vida e morte de Marsha P. Johnson, de David France (2017)

Divulgação
Em julho de 1992, Marsha foi encontrada morta no rio Hudson, em Nova York.

Destaque no Festival de Cinema de Tribeca de 2017, o documentário A morte e a vida de Marsha P. Johnson apresenta não só um olhar sobre o protagonismo de pessoas trans e drag queens nas revoltas de Stonewall, mas também novo panorama sobre a morte da ativista trans Marsha P. Johnson, em 1992. Ela, ao lado de Sylvia Rivera, foi pioneira na luta pelos direitos LGBT nos EUA.

Em julho de 1992, Marsha foi encontrada morta no rio Hudson, em Nova York. Na época, a polícia concluiu que o caso se tratava de um suicídio. Mas companheiros de ativismo e pessoas próximas a Marsha, no entanto, nunca acreditaram nessa versão. Vinte e cinco anos depois, o filme dirigido por David France traz novas informações sobre o caso. 

O filme está disponível na Netflix. Assista ao trailer.

Antes de Stonewall, de Greta Schiller (1985)

FIRST RUN FEATURES
Fotografias de um casal de lésbicas, por volta de 1950, disponíveis em Antes de Stonewall.

Como era ser gay, lésbica, bissexual ou trans antes de Stonewall? É esta pergunta que o documentário Antes de Stonewall, de Greta Schiller, tenta responder. Lançado em 1985, o documentário foi relançado agora, em 2019, em homenagem aos 50 anos das revoltas e traz um panorama anterior sobre como era viver em uma sociedade sem visibilidade para pessoas LGBTs.

Narrado pela icônica autora Rita Mae Brown, o documentário traz entrevistas com ativistas como Ann Bannon, Martin Duberman, Allen Ginsberg e Audre Lorde, que viveram essa época e que traçam um panorama anterior aos eventos que culminaram com Stonewall. O documentário busca destacar que a luta LGBT não começou, de fato, em 69 ― ela apenas chegou ao seu ápice.

O documentário está disponível no Amazon Prime. Assista ao trailer.

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