ENTRETENIMENTO
15/09/2020 11:51 -03

Diversidade nas indicações do Emmy é ponto fora da curva ou progresso real?

Premiações e indústria do entretenimento ditam "histórias que vemos no mundo sobre quem somos", afirmam especialistas.

Das mulheres de 20 e poucos anos da série Insecure à estrela muçulmana-americana de Ramy, a lista de participação no Emmy do próximo domingo (20) é uma vitrine sem precedentes para pessoas não brancas.

Mas a indústria da televisão precisa tomar medidas concretas sobre as promessas de estimular escritores e diretores não brancos para garantir que a cerimônia da premiação neste ano não seja apenas um ponto fora da curva desencadeado por protestos contra o racismo sistêmico nos Estados Unidos.

Esta é a visão de especialistas ouvidos pela Reuters. “Tenho certeza de que a última coisa que a Television Academy queria era ter um ‘Emmy branco demais’ no meio de tudo isso”, disse Eric Deggans, crítico de TV da National Public Radio. “Portanto, não estou surpreso que eles tenham prestado atenção especial ao trabalho dos artistas negros”, afirmou Deggans.

Rich Fury/VF20 via Getty Images
Kerry Washington é uma das estrelas de Little Fires Everywhere e uma das candidatas a levar o Emmy.

O recorde de indicações ao Emmy para não brancas incluem Kerry Washington (Little Fires Everywhere e American Son), Sandra Oh (Killing Eve), Billy Porter (Pose), Regina King (Watchmen), Issa Rae (Insecure) e Sterling K. Brown (This is Us e Watchmen).

Watchmen, o drama de realidade alternativa com temas raciais, liderou as indicações com 26 no total. Estas indicações abrem portas para outras pessoas negras, asiáticas e latinas, além de moldarem percepções, disse Rashad Robinson, presidente da organização de justiça social Color of Change.

“O que esses prêmios representam é a maneira da indústria de criar um sistema de entrada de pessoas, de acesso a empregos e oportunidades”, declarou. “Ela dita as histórias que vemos no mundo sobre quem somos, e isso tem profundas implicações nas regras tácitas sobre como somos tratados em hospitais, por juízes e nas escolas.”