ENTRETENIMENTO
28/11/2019 05:00 -03

5 live-actions que a Disney nunca vai fazer

Fracassos de bilheteria, questões culturais que não são mais aceitas... Conheça as animações do estúdio que vão continuar no limbo.

Mesmo que versões de animações clássicas da Disney feitas com atores de carne e osso não sejam lá uma grande novidade, desde o grande e inesperado sucesso de Malévola, em 2014, o estúdio percebeu que tinha uma mina de ouro nas mãos. Tanto que, de lá para cá, vem lançando cada vez mais desses live-actions.

Só em 2019 foram quatro: Dumbo, Aladdin, O Rei Leão e Malévola: Dona do Mal. E já foram anunciados pelo menos mais dois para o ano que vem: Mulan e Cruella, que foca na vilã de 101 Dálmatas

Há rumores de várias outras produções desse tipo para o futuro, relacionadas a animações como Peter Pan, Pinóquio, A Espada era a Lei e até Fantasia. As possibilidades são muitas.

Porém, mesmo que o catálogo da Disney seja enorme, é muito provável que alguns de seus filmes nunca deixem o reino das animações. Os motivos? Fracassos de bilheteria, questões culturais que hoje não são bem aceitas ou porque o filme é basicamente ruim.

Conheça aqui 5 live-actions que a Disney nunca vai fazer:

O Caldeirão Mágico (1985)

Divulgação

O grande projeto da Disney na década de 1980 acabou se transformando em seu maior pesadelo. O Caldeirão Mágico era uma aposta do estúdio, que queria se renovar em todos os aspectos. Tanto no que diz respeito a uma trama mais aventuresca baseada na bem sucedida série literária As Crônicas de Prydain, quanto em uma equipe de animadores mais jovens e com ideias mais novas, como Tim Burton e John Lasseter. O filme até marcou a primeira vez em que a Disney utilizou efeitos digitais em uma animação.

Mas a produção foi das mais conturbadas, com greve de animadores e equipes que mal se comunicavam entre si. Quando o primeiro corte da animação foi apresentado aos chefões do estúdio na época, Michael Eisner e Jeffrey Katzenberg, eles odiaram tanto que ordenaram que fossem cortados 13 minutos do filme. Algo que deixou o produto final ainda pior. Soturno demais para crianças e desconexo demais para o público mais velho, o Caldeirão Mágico foi um fracasso tão grande de bilheteria que quase faliu a Disney. 

Pocahontas (1995)

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Pocahontas

Após o sucesso estratosférico de O Rei Leão, pouca gente se lembra do fato de que o grande projeto da Disney para o ano de 1994 era, na verdade, Pocahontas, que acabou sendo lançado só no ano seguinte. A animação está longe de ser uma das piores da Disney. Tanto que não fracassou nas bilheterias. Mas pintar a figura trágica da Pocahontas real - uma nativa americana subjugada por um colonialista inglês quando tinha apenas 10 ou 11 anos - em uma “princesa Disney” é simplesmente errado.

Isso sem falar de alguns números musicais para lá de equivocados, como a desprezível Selvagens, que coloca nativos americanos em pé de igualdade em relação ao ódio dos colonizadores brancos e que em sua letra traz frases como “destroy their evil race until there’s not a trace left” (destruir sua raça maligna até que não haja mais vestígios). Pocahontas não tem mais espaço no mundo atual.

O Planeta do Tesouro (2002)

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Transposição de um dos maiores clássicos da literatura mundial, A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, para o espaço, ninguém deu muita bola para O Planeta do Tesouro quando a animação foi lançada, em 2002. O projeto nasceu bem antes de sua realização, em 1985, mas a ideia de Ron Clements e John Musker, dois dos grandes responsáveis pelo “renascimento” da Disney nos anos 1990, não caiu no gosto dos executivos da empresa.

E quando a produção finalmente havia começado, o estúdio lançou um projeto muito semelhante, Atlantis - O Reino Perdido, em 2001. Isso acabou prejudicando muito a bilheteria de Planeta Tesouro, um filme que traz algumas boas inovações na mistura de animação tradicional e digital, mas que caiu no esquecimento. A produção até ganhou um status cult com o passar dos anos, mas em comparação a tantos clássicos da Disney para ganhar uma versão live action, este está bem no final da lista.

O Cão e a Raposa (1981)

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É até irônico que um filme que fala de uma amizade improvável que estava fadada a guerra marcou a passagem de bastão de animadores da velha guarda da Disney para uma nova geração formada por caras como John Lasseter, Brad Bird, Tim Burton, Ron Clements e John Musker.

O conflito de gerações ficou bem claro, já que O Cão e a Raposa parece ser dois filmes em um só. Por um lado conta uma história de amizade meio genérica e enfadonha entre dois bichinhos fofinhos, a raposa Tod e o cão de caça Copper, mas que com o tempo se torna um assustador conto realista de ódio entre dois inimigos naturais que deixa qualquer criancinha traumatizada para a vida.

Nem Que a Vaca Tussa (2004)

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A primeira década dos anos 2000 não foi a melhor fase da Disney. Há exceções como Lilo & Stitch (2002) e A Princesa e o Sapo (2009), claro, mas depois do “renascimento” da década de 1990, o estúdio ficou meio perdido em relações a suas tramas. O maior exemplo desse período de (perdoe o trocadilho) vacas magras é Nem que a Vaca Tussa.

A ideia de ver uma comédia estrelada por três vacas dubladas por Rosanne Barr, Judi Dench e Jennifer Tilly parecia muito boa no papel, mas na realidade, o filme não passa de uma colcha de retalhos de conceitos desconexos e piadas sem graça. Mas isso não foi surpresa, porque o projeto já começou com dificuldades desde o começo. O filme foi concebido como um faroeste mais aventuresco e com toque sobrenaturais que não tinha nada a ver com vacas, mas que foi sendo mudado ao longo de sua produção. É considerado por muitos críticos até hoje como a pior animação da Disney.