POLÍTICA
01/02/2019 20:13 -02 | Atualizado 01/02/2019 20:17 -02

Marcelo Freixo: ‘A Câmara homenageia Rubens Paiva, não homenageia torturador’

Candidato do Psol à Presidência da Câmara também falou de responsabilidades em Brumadinho.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Marcelo Freixo: "Essa democracia está ainda mais ameaçada agora quando ganha a eleição para a Presidência aluguem que não tem compromisso com a democracia".

A estreia de Marcelo Freixo (PSol-RJ) na Câmara dos Deputados se propôs a dar um norte para a oposição ao governo Bolsonaro. Nos 12 minutos que teve para expor sua candidatura à presidência da Casa, disparou: “Aqui homenageia Rubens Paiva, não homenageia torturador”.

É uma referência ao discurso do então deputado Jair Bolsonaro na votação da admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff. Na época, o parlamentar prestou homenagem ao coronel Brilhante Ustra, chefe do centro em que a ex-presidente foi torturada.

Os ataques ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) seguiram: “A Rede tem uma deputada, Joênia Wapichana, mas uma deputada que eu não trocaria por bancadas inteiras. Ela é a única indígena, em um momento em que o governo absolutamente autoritário quer que demarcação de terra indígena seja feita pelo latifúndio. Um governo que não tem consciência histórica, que age contra as minorias e não tem qualquer compromisso com a democracia”. 

O deputado insistiu na fragilidade da democracia. Ele destacou que só 5 presidentes eleitos de forma direta, secreta, concluíram o mandato ao longo de 130 anos de República.

“Essa democracia está ainda mais ameaçada agora quando ganha a eleição para a Presidência alguém que não tem compromisso com a democracia. Essa Casa tem homenagem a Rubens Paiva, não tem homenagem a torturador. Essa Casa homenageia Rubens Paiva para que a gente tenha memória, para que a gente não esqueça que o primeiro lugar a ser fechado em um regime autoritário é o Parlamento.”

A renúncia de Jean Wyllys ao mandato e o assassinato da vereadora Marielle Franco, ambos do PSol, também foram considerados por Freixo exemplos de fragilidade da democracia. Ele destacou que Wyllys está sendo “ameaçado brutalmente pelo crescimento da intolerância, da violência, da homofobia”.

O deputado finalizou com uma reflexão: “Se essa Casa tivesse recebido o movimento de atingidos por barragens e investido lá mais que com representantes da Vale, talvez a gente não tivesse hoje contando corpos em Brumadinho”.

Presidência da Câmara

Candidato à presidência da Casa, Freixo reconheceu que não há consenso entre a esquerda em torno de seu nome. O parlamentar aproveitou o discurso para dar um puxão de orelha no PCdoB e no PDT, que não integraram o bloco da oposição e fecharam acordo com o atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

“Infelizmente não estamos juntos nesse bloco, mas não tenho dúvida de que estaremos juntos nas lutas”, disse. Segundo ele, haverá oportunidade para que esses partidos repensem a decisão e possam integrar um bloco ao longo da legislatura em defesa das pautas historicamente defendidas pela esquerda.