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Champanhe, Prosecco e Cava: Qual é a diferença, afinal?

Saiba exatamente com o que você está brindando da próxima vez que escolher um espumante.

Com o estalo da rolha, uma cascata de bolhas e um tilintar de copos, beber espumante se torna um acontecimento nessas celebrações de fim de ano.

Mas você não sabe com que tipo de espumante deve encher o seu copo? Pedimos a especialistas em vinhos que explicassem as diferenças entre três tipos populares de espumantes: champanhe, prosecco e cava. A resposta resume-se a onde e como eles são feitos.

O champanhe e a cava passam exatamente pelo mesmo processo de fermentação

Para ser chamado de champanhe, o espumante deve ser feito na região de Champagne, no nordeste da França, a partir de uvas pinot noir, meunier e chardonnay por meio de um processo chamado “methode champenoise”, uma fermentação em duas etapas que inclui a fermentação em garrafa.

Os sucos de uva são misturados e depois fermentados para se transformarem em álcool. O vinho é engarrafado para reter o dióxido de carbono, que forma as bolhas. Com a mistura na garrafa, os fabricantes de champanhe adicionam levedura e açúcar, e o vinho é fermentado uma segunda vez, o que permite formar a quantidade certa de carbonatação para desenvolver os sabores, de acordo com Richard Vayda, diretor de estudos de vinhos e bebidas do Instituto de Educação Culinária de Nova York.

Depois, os vinhos passam por um processo chamado “le remuage”, que colocam leveduras e sedimentos para fora da garrafa. As garrafas são então arrolhadas e engaioladas. Algumas são deixadas para envelhecer.

A levedura é adicionada ao sumo de uva colhido na região de Champagne, na França.
A levedura é adicionada ao sumo de uva colhido na região de Champagne, na França.

A maioria das cavas, que provêm da região de Penedes, no nordeste da Catalunha, é feita de forma semelhante, também com fermentação em garrafa. Na Espanha, o processo de produção de cava é conhecido como “método tradicional”, explica Vayda.

Tradicionalmente, a cava é feita com uvas xarello, macabeo e parellada, mas algumas podem conter pinot noir e chardonnay.

O prosecco é feito mais rápido, e por isso é mais barato

O prosecco vem das regiões de Veneto e Friuli-Venezia Giulia, no nordeste da Itália, e é feito principalmente a partir da uva glera, usando um método a granel chamado Charmat, segundo Vayda.

Os sucos de uva são misturados e logo em seguida a fermentação começa. Para a segunda fermentação, as bolhas ficam presas em um grande tanque pressurizado. Depois, é filtrado para remover quaisquer impurezas e engarrafado.

O processo Charmat é mais rápido e barato do que o processo usado para fazer o champanhe e a cava, e é por isso que tende a ser menos caro, afirma Christina Sherwood, sommelier certificada pela Associação Sommelier da América do Norte e diretora de vinhos dos Restaurantes Granville no sul da Califórnia.

Trabalhadores colhem uvas para o prosecco em uma vinha em Treviso, Itália.
Trabalhadores colhem uvas para o prosecco em uma vinha em Treviso, Itália.

Mas, de acordo com Sherwood, bons vinhos espumantes podem ser encontrados em todas as faixas de preço. Ela recomenda gastar um pouco mais em vinho espumante para uma ocasião especial em que você vai bebê-lo puro, ao invés dos momentos em que for servi-lo em mimosas. Neste último caso, você já vai diluí-los com suco de laranja de qualquer maneira.

Há diferenças no sabor e nas bolhas

Em termos de sabor, o prosecco tende a ser mais leve: “muito fresco, super-fragrante, tipicamente frutado e florido”, diz Vayda. As suas bolhas são mais leves do que as da cava ou do champanhe.

A cava tem mais notas cítricas e notas de pêra ou marmelo, mas é mais saborosa, com sabores minerais e menos frutado doce, diz ele.

O champanhe, dependendo do fabricante, pode ser mais leve ou mais pesado, com sabores cítricos ou de maçã madura e um tom levedado. Também é normalmente mais ácido, acrescenta Sherwood.

As bolhas de champanhe tendem a ser mais finas e persistentes, uma vez que é produzido com maior pressão, indica Vayda.

Em todas as categorias, alguns vinhos espumantes são mais doces do que outros, diz Sherwood. Isso porque às vezes é adicionado mais açúcar, em um processo chamado de dosagem, antes de o vinho ser engarrafado.

O vinho espumante tende a ter menos calorias do que outros tipos de vinho, mas o teor de açúcar é algo a se notar.

“A única coisa a ter em mente é o nível de açúcar residual - algumas destas bebidas vão fornecer mais açúcar do que outras”, explica Ginger Hultin, porta-voz da Academia de Nutrição e Dietética de Seattle e dona da ChampagneNutrition.

Os espumantes são rotulados com os termos “brut”, “extra brut” ou “sec” (seco) — quando têm menos açúcar residual, e são rotulados com doux (doce) quando têm mais, disse Hultin.

Saiba como tirar o máximo proveito da sua escolha

Manter o sabor de uma garrafa de espumante depende de como ela é armazenada, tanto antes como depois de ser aberta. De acordo com Sherwood, é importante armazenar champanhe, prosecco e cava na geladeira, mas evite bebê-los muito frios.

“Isso é verdade com qualquer vinho branco, até mesmo tinto”, diz Sherwood. “Se você tem vinho que é frio, só quando começar a esquentar, você realmente começará a ser capaz de provar os sabores muito mais intensamente. Especialmente se você estiver bebendo um espumante legal, não o beba muito gelado.”

Retire o vinho da geladeira cerca de 10 minutos antes de servir. Para o que sobrou na garrafa, ela sugere fechar com uma tampa que faça pressão para manter as bolhas.

Outra dica é beber o espumante logo que você comprar ou ele vai perder o sabor, acrescenta a especialista. Segundo ela, conforme esse tipo de vinho envelhece além do recomendado, ele perde a essência.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.