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24/06/2019 06:26 -03

Dieta cetogênica: Por que talvez essa dieta não seja boa para você

#TragamOMacarrãoDeVolta.

Mais um dia, mais uma dieta saudada como sendo aquela que ajuda celebridades a perder peso. Desta vez todos estão falando da dieta cetogênica.

Essa dieta com baixo teor de carboidratos, alto teor de gordura e alto teor de proteínas data da década de 1920, mas, com adeptos recentes que vão de atrizes de Hollywood a astros de reality shows, está ressurgindo com força hoje.

Em 2017 a Associação Dietética Britânica (BDA) classificou essa dieta, que se assemelha à de Atkins, como uma das piores dietas de celebridades a ser seguida. Então por que ela ainda está ganhando adeptos hoje, dois anos mais tarde?

“Quando uma pessoa está tentando perder peso, ela pode ficar bastante vulnerável”, explicou a nutricionista Kirsten Jackson, porta-voz da BDA. “Hoje em dia, mensagens sobre o ‘corpo perfeito’ nos são mostradas e impostas, vindas de todos os lados. Dietas radicais da moda criam uma experiência que lembra a de pertencer a uma seita e podem facilmente exercer grande atração sobre as pessoas.”

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Proteínas são celebradas na dieta cetogênica.

O que é a dieta cetogênica?

A dieta cetogênica é uma dieta com alto teor de gorduras e proteínas, mas que elimina quase todos os carboidratos, explica Jackson. A ingestão de carboidratos é limitada a cerca de 20 a 50 gramas por dia.

“Normalmente o corpo utiliza como sua fonte de energia a glucose (uma forma de açúcar) obtida dos carboidratos (encontrados em alimentos como açúcar, pão e macarrão”, explica a Epilepsy Society (ONG britânica que dá assistência a pessoas com epilepsia). “Quando o corpo usa a gordura para obter energia, são produzidos compostos chamados cetonas – esse processo é conhecido como cetose. Com a dieta cetogênica, o corpo utiliza principalmente cetonas, em vez de glucose, como sua fonte de energia.”

A dieta ainda é recomendada ocasionalmente para pessoas com epilepsia, porque foi constatado que ela reduz as convulsões epilépticas. Mas esses pacientes são monitorados por profissionais de saúde.

O que preocupa a BDA é que pessoas sem epilepsia estão adotando os princípios da dieta sem acompanhamento médico, em um esforço para perder peso.

Antikwar via Getty Images
A dieta cetogênica tem: 75% de gordura, 20% de proteína e 5% de carbs.

Quais são alguns dos riscos da dieta cetogênica?

Segundo Jackson, a dieta cetogênica pode levar a um risco aumentado de câncer colorretal, diabetes e doenças cardíacas. Isso se deve à limitação à ingestão de fibras, que normalmente seriam obtidas com o consumo de frutas, vegetais e grãos integrais.

“Esses alimentos são eliminados ou restritos na dieta cetogênica. Já foi demonstrado que uma dieta rica em fibras, com o consumo de cerca de 30 gramas diários de fibras, reduz o risco dessas doenças em 30%”, disse a nutricionista.

A dieta cetogênica, segundo ela, também pode provocar a redução no número de bactérias intestinais, na medida em que limita a ingestão de alimentos prebióticos. As bactérias intestinais auxiliam uma série de funções essenciais, desde a digestão e a regulação do peso até o fortalecimento de nosso sistema imunológico.

Além dos riscos à saúde, o alto consumo de carne e outras proteínas previsto pela dieta pode ter impacto negativo sobre o meio ambiente. “Isso contraria as diretrizes atuais que recomendam uma dieta de base mais vegetal”, diz Jackson.

Qual é uma maneira mais saudável de perder peso?

Jackson não recomenda a dieta cetogênica para quem não tenha epilepsia. Em vez disso, ela recomenda uma maneira mais balanceada de reduzir a ingestão calórica, analisando todos os grupos alimentícios, em lugar de tratar um deles como indesejável.

“Como nutricionista, eu sempre recomendo a alimentação feita com mindfulness (ou seja, com consciência e atenção), o controle das porções e que cada refeição seja baseada em alimentos de origem vegetal. Isso não significa que as pessoas precisem ser veganas, mas que a dieta deveria ser predominantemente de origem vegetal”, ela explica. “Isso vai garantir a saciedade e satisfação, ao mesmo tempo em que satisfaz todos os requisitos nutricionais das pessoas.”

Ela também acha importante que as pessoas de vez em quando consumam alimentos que consideram “quitutes” ou “especiais”. “Se você se limitar demais, nunca vai conseguir enxergar sua nova dieta como um modo de vida”, ela explica. “Para uma perda de peso bem-sucedida e sustentável é preciso levar em conta a nutrição, o exercício físico, o sono e o bem-estar mental.”

Jackson quer que os leitores saibam que o controle do peso corporal é complicado para a maioria das pessoas, ressaltando: “É por isso mesmo que as pessoas não devem hesitar em procurar ajuda profissional”.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.