LGBT
30/06/2019 16:31 -03

Diego Hypolito à ESPN: 'Não me considero um demônio' por ser gay

No programa 'Bola da Vez', ginasta contou sobre reação das pessoas ao sair do armário em maio deste ano.

Reprodução/Instagram
Diego Hypolito falou sobre impacto da revelação da homossexualidade em programa da ESPN.

O ginasta Diego Hypolito, que saiu do armário em maio deste ano, falou sobre a repercussão de sua decisão no programa Bola da Vez, da ESPN. Se por um lado passou a ser alvo de mensagens de ódio, por outro, recebeu bastante apoio por expor sua orientação sexual.

“Quero falar uma coisa”: esse é o título do texto no UOL em que o atleta revelou ao mundo que é gay. Hypolito escreveu que temia perder patrocínios e arruinar a carreira caso sua sexualidade viesse à tona. Por isso, só se sentiu seguro para falar publicamente do assunto após ganhar medalha de prata nas Olimpíadas do Rio, em 2016, além de dois títulos mundiais.

“A partir do momento que falei da sexualidade, mudou que várias pessoas demonstraram ódio, mas teve muito apoio também”, contou a jornalistas da ESPN. 

Hypolito também abordou a tensão entre ser LGBT e ser religioso. Ele foi criado em um lar evangélico e hoje frequenta culto da Bola de Neve toda quinta-feira. 

“A Bíblia diz que os homossexuais não herdarão o reino dos céus. Eu acredito que temos que considerar o que está nas escrituras, mas também não acredito que seja assim; se amo Jesus, se falo isso para as pessoas, eu só desejo o bem dos outros”, argumentou. “Eu não me considero um demônio, como por muitos anos me falaram.”

Hypolito já havia usado a palavra “demônio” no texto para o UOL, relembrando o medo de se tornar um “ser amaldiçoado que vive em pecado” desde a sua infância.

Também no Bola da Vez, ele relembrou os abusos sofridos na ginástica olímpica por ser gay. Segundo ele, a maioria dos treinadores sabia dos “trotes” que atletas mais velhos faziam com ele e outros colegas.

“Prendiam a gente em um quarto, e a gente tinha medo e tinha que ficar nu. Dois atletas tinham que competir, pegando uma pilha com o ânus e levá-la, sem usar as mãos, para dentro de um tênis. Um tinha que vencer ou os dois apanhavam”, relatou.

O ginasta disse que chegou a ter um ataque epilético durante um dos trotes. Ele afirmou que se sentia culpado e chegou a ter síndrome do pânico e depressão. Precisou de remédio e de internação para superar o trauma.