ENTRETENIMENTO
01/03/2019 20:28 -03 | Atualizado 01/03/2019 20:31 -03

Os livros que fizeram a cabeça da redação do HuffPost em fevereiro

Qual livro mexeu com você no último mês?

 

A redação do HuffPost segue com o propósito de compartilhar mensalmente leituras marcantes a fim de inspirar você a também completar a leitura de, pelo menos, um obras no prazo de 30 dias. Veja a lista de fevereiro abaixo:

A Revolução dos Bichos, de George Orwell  (adaptado e ilustrado por Odyr)

Divulgação/Companhia das Letras

Gosto muito de histórias sombrias ou nada infantis contadas no formato de fábula.  Nunca considerei A Revolução dos Bichos uma fábula. Tudo bem que praticamente todos os personagens sejam animais falantes e esse seja o termo correto para classificar esse clássico de George Orwell, mas sempre achei que falta um elemento mais lúdico, mágico ao texto, mesmo amando o livro.

Acho que encontrei esse toque nessa  adaptação do quadrinista gaúcho Odyr. Muito se deve ao texto, definitivamente, que é bem mais econômico por se tratar de quadrinhos, transformando o livro quase em um poema. Mas o detalhe definitivo são as  ilustrações. Lindas pinturas que um tom infantil e melancólico história que eu amei. É uma das mais incríveis adaptações de um livro para quadrinhos que já li na minha vida.

Rafael Argemon, redator sênior

 

Boy Erased - Uma Verdade Anulada, de Garrard Conley

HuffPost Brasil

Depois de assistir - ok, ilegalmente - Boy Erased, em fevereiro, também li livro homônimo que inspirou o longa. Escrito por Garrard Conley, o livro é realmente bem melhor que o filme (o próprio autor me disse isso nessa entrevista). Mas é igualmente perturbador, principalmente por trazer mais detalhes da violência que um processo de “cura gay” pode provocar.

Aos 19 anos, Conley foi estuprado em uma espécie de acampamento ou retiro espiritual da igreja batista que frequentava com seus pais. E chama a atenção o fato de que esse mesmo agressor fez questão de revelar aos pais dele, de forma anônima, que Conley era homossexual. Importante frisar que nesse momento Conley namorava uma mulher e que ainda não tinha plena consciência de sua orientação sexual. Mas é a partir desse episódio que ele, nascido em uma família branca e tradicional do Arkansas, nos Estados Unidos ― com um pai pastor e uma mãe religiosa ― , aceita passar pelo “tratamento” que mudou sua vida de uma forma brusca e violenta. O objetivo era “curar” sua homossexualidade e, assim, colocá-lo mais perto de Deus.

Depois de alguns meses submetido ao processo para exorcizar seus demônios e fazer dele um “verdadeiro homem”, ele relata um sofrimento psíquico e social extremo. Em um ato de rebeldia, ele foge do local após um colega de terapia tirar a própria vida. E aqui talvez não seja interessante contar como tudo termina. Só vale dizer que a mãe dele se revela uma mulher muito diferente do esperado e que este é um livro que traz um exemplo dos efeitos práticos do extremismo religioso, do preconceito e do que é a tão falada “ideologia de gênero”, mas também de perdão. Hoje, Conley é o escritor que sempre quis ser, é casado com seu marido e vive uma vida feliz em Nova York. 

Andréa Martinelli, editora de Mulheres & LGBT

 

Atenção Plena: Mindfulness, de Mark Williams e Danny Penman

Divulgação/Sextante

Nossa cabeça é um turbilhão. Se você parar um minuto e prestar atenção vai reparar na velocidade com que os pensamentos aparecem. Eles podem ser positivos ou negativos, podem te trazer diversas sensações e muitas vezes conseguem te tirar de foco. Muito do que importa é que é possível observar os pensamentos e fazer escolhas conscientes. Tudo isso e mais um pouco eu aprendi lendo Atenção Plena: Mindfulness

Aprendi ainda que muito do que eu penso são sintomas de estresse ou mesmo de ansiedade. Veja bem, são sintomas. Como febre é sintoma de que algo não vai bem. Tem cara de autoajuda, confesso. Mas não é. O livro, com técnicas cientificamente fundamentadas (!), ensina um método baseado em meditação para te ajudar a estar consciente. Estou lendo o livro enquanto faço o curso de mindfulness, que acredito ser o ideal. Mas posso garantir que só o livro já é meio caminho andado. Mentes inquietas, uni-vos! 

Grasielle Castro, editora de Notícias e Política

 

21 lições para o século 21,  de Yuval Noah Harari

HuffPost Brasil

Foi o primeiro livro que li do autor e, confesso, fui bastante influenciada pelo buzz que ele recebeu após o lançamento de Sapiens

No final de 2018, comecei a me dedicar a leituras que me oferecem algum tipo de distanciamento para entender melhor o tempo em que vivemos (e os que virão). 21 lições para o século 21 caiu muito bem nesse sentido.

Os capítulos são formatados em reflexões e argumentações do autor construídos a partir de questionamentos que ele recebeu de seus leitores ou em suas palestras. O objetivo do historiador não é oferecer respostas ou previsões para o futuro, mas contribuir na reflexão do famoso paradigma de “onde estamos e qual a direção que estamos seguindo”. 

Chamou a minha atenção o capítulo dedicado a inteligência artificial, algoritmos e as “massas de irrelevantes” criadas por nossa forma de capitalismo. Ainda, gostei da abordagem do autor para a meditação como ferramenta de autoconhecimento e compromisso com o “estar presente”. Indico a leitura, valeu a inspiração! 

Ana Beatriz Rosa, editora de Comportamento