ENTRETENIMENTO
29/06/2020 05:00 -03 | Atualizado 29/06/2020 05:00 -03

Delroy Lindo, de 'Destacamento Blood', finalmente está recebendo o reconhecimento que merece

Com papeis de destaque em “Destacamento Blood” e “The Good Fight”, o ator virou uma estrela. Já não era sem tempo.

Illustration: Damon Dahlen/HuffPost; Photos: Getty/Netflix
O novo filme de Delroy Lindo, “Destacamento Blood”, está disponível na Netflix.

Durante quase quatro décadas, Delroy Lindo ficou esperando. Ele é famoso, mas não estrela do primeiro time de Hollywood ― pelo menos, não para quem não é fã de carteirinha de Spike Lee ou admirador de atores que fizeram blockbusters esquecidos dos anos 1990.

Poucas pessoas apreciam sua atuação em The Good Fight, porque pouca gente assiste The Good Fight, uma das melhores séries de TV da atualidade. Mas nos dias que se seguiram ao lançamento de seu mais novo filme, Destacamento Blood, viu-se uma repentina exaltação de Delroy Lindo na internet. O consenso pode ser resumido da seguinte forma: “Peraí, você sabia que esse cara é ótimo em tudo o que faz?”

E ele é. Lindo brilha interpretando personagens que crescem graças às suas próprias convicções. Ele começou no teatro e hoje tende a fazer papeis mais dramáticos, o que significa que Lindo tende a retratar pessoas de princípios ferozes ― e também com falhas.

Ele é ator definitivo para monólogos, capaz de passar por várias emoções em uma única frase. Paul, o perturbado veterano do Vietnã que ele faz em Destacamento Blood, é a apoteose dos seus talentos.

No final do filme, ele faz dois solilóquios diretamente para a câmera, andando pela floresta com um facão e uma coleção de horrores que descreve a existência de Paul. O suor escorre pelo seu rosto. Sua voz é um coaxar gutural. “Você não matará Paul”, diz ele, enquadrado em close, pausando entre cada palavra. No papel, o texto soa afirmativo. Na boca de Lindo, é hipócrita e provocador.

“Tem esse aspecto técnico de recitar um monólogo de Shakespeare ou August Wilson ou de qualquer uma das grandes peças”, diz Lindo. “Quando você recita um monólogo para a plateia, ou quando alguém está falando consigo mesmo, você está, na minha opinião – me disseram isso anos atrás em alguma aula de teatro ―, falando com a pessoa que você acha que tem a resposta. Não vou dizer que considerei a câmera uma pessoa real, mas preciso humanizar essa lente e imaginar que estou falando com pessoas com quem quero me comunicar. Alguém me mandou um email dizendo: ‘Cara, eu amo o monólogo em que você está fazendo aquele discurso inflamado na selva’. O público tem o direito de defini-lo como um discurso retórico. Para mim, não é um discurso inflamado. Para mim, estou falando a minha verdade, na tentativa de obter algum esclarecimento.”

A precisão é importante para o Lindo, principalmente quando se trata das palavras. Mesmo por telefone, sua enunciação é a de um artista de palco treinado. Como o personagem Paul, ele tem a tendência de falar longamente, escolhendo o que diz com cuidado, buscando frases que combinem perfeitamente com sua perspectiva.

O que deveria ser uma entrevista de 30 minutos acabou durando uma hora, porque ele tinha muito a dizer. Por que não estávamos ouvindo antes? Aos 67 anos, o ator nascido em Londres conquistou a oportunidade de refletir sobre seu trabalho, que inclui aclamados protagonistas da Broadway (Raisin in the Sun e Joe Turner’s Come and Gone), quatro filmes de Spike Lee (Malcolm X, Uma Família de Pernas pro Ar, Irmãos de Sangue e Destacamento Blood), papeis coadjuvantes em vários sucessos comerciais (Congo, O Nome do Jogo, O Preço de um Resgate, 60 Segundos, Romeu Tem que Morrer) e alguns projetos de prestígio que nunca o elevaram ao status de nome conhecido (Regras da Vida, Lackawanna Blues, The Good Fight).

“Tenho muito orgulho do fato de ainda estar aqui e continuar trabalhando”, diz Lindo. “Os altos e baixos, os tropeços ― no geral, tudo forma uma carreira da qual me orgulho.”

NETFLIX
Delroy Lindo cercado pelos atores Isiah Whitlock Jr., Norm Lewis, Clarke Peters e Jonathan Majors em “Destacamento Blood”.

Quando Lindo apareceu em Malcolm X, em 1992, já havia passado quase duas décadas no teatro. Foi lá que Lee o viu pela primeira vez. Depois de assistir à performance de Lindo em Joe Turner, o diretor pediu que ele fizesse um teste para o que seria seu filme definitivo, Faça a Coisa Certa. Lindo recusou.

O personagem, parte de um coro grego humorístico que observa várias idas e vindas em uma esquina do Brooklyn, não o empolgou. Mas Lee, responsável por muitas carreiras de sucesso, incluindo Halle Berry e John David Washington, persistiu. Alguns anos depois, ele ofereceria a Lindo o papel de um mafioso do Harlem que foi mentor de Malcolm X.

Com mais de três horas de duração e cercado de controvérsias, Malcolm X não foi um grande sucesso. Mas as resenhas foram muito positivas, e o filme virou o que Lindo chama de “momento cultural” pelo qual ele não passaria até Destacamento Blood. Em outras palavras, era um filme que falava sobre seu tempo. Denzel Washington estava prestes a virar uma megacelebridade, Los Angeles tinha acabado de passar por uma enorme convulsão social e o espírito da política de Malcolm X estava voltando à tona.

“Mas esse é o negócio de Malcolm X”, afirma Lindo. “Eu não estava aqui quando ele estreou. Estava trabalhando em outro filme, em Martinica (no Caribe), e fui besta: não me organizei para estar em Nova York para a estreia. Nunca esquecerei minha mulher me ligando depois de voltar da estreia: ‘Meu Deus, você tinha de ter estado lá’.”

Os dois projetos seguintes de Spike Lee confirmariam a versatilidade de Lindo e construiriam uma ponte para Hollywood. Na adorável comédia dramática Uma Família de Pernas pro Ar (1994), ele interpreta um músico de jazz lutando para ajudar sua esposa (Alfre Woodard) a sustentar seus cinco filhos. E na saga de Irmãos de Sangue (1995), Lindo faz um chefão do tráfico com um ego muito inflado. Seu sorriso torto anunciava a perspicácia do personagem, como se ele soubesse como o mundo funciona de fato. Quando os críticos dizem que a câmera ama certos atores, é disso que estão falando.

O trabalho de Lee é tão intenso que seus atores principais acabam parecendo coautores. No semi-autobiográfico Uma Família de Pernas pro Ar, Lindo e Woodard passaram as filmagens atuando como pais improvisados de seus filhos fictícios. “Lembro de trocarmos um olhar quando percebemos que eram crianças de verdade, com quem lidaríamos o verão inteiro”, diz Woodard. Nos ensaios, ela viu o cuidado de Lindo com a preparação. Quando o ator se transformava em Woody Carmichael, seus gestos ficavam mais delicados, sua voz, mais suave.

“Ele tem aquela aparência que os Estados Unidos consideram formidável”, diz Woodard. “Ele é um homem negro chocolate, escultural, musculoso e intenso. A imagem diz: se for necessário, vou te cortar, mas Delroy, jamais. Delroy vai conversar. Mas você nunca saberia isso só de olhar. Essa é uma das razões pelas quais sou tão feliz e agradecida por Spike ter lhe dado Paul em Destacamento Blood. Delroy pode mostrar tudo o que tem. As pessoas falam sobre raiva justa, e Delroy tem esse poder como ator. Mas, por trás dessa presença poderosa, existe uma vulnerabilidade. As pessoas tiram conclusões precipitadas quando veem homens negros e nunca conseguem enxergar essa vulnerabilidade porque a maioria dos homens negros foi profundamente influenciado por suas mães.”

Com o carimbo de Spike Lee em seu currículo, conseguir filmes com orçamentos maiores não foi difícil para Lindo. Mas passar de parceiro criativo para soldado raso é outra história, principalmente porque nem todos esses filmes eram tão dinâmicos como Uma Família de Pernas pro Ar e Irmãos de Sangue.

De 1995 a 2003, Lindo interpretou um traficante de drogas (O Nome do Jogo), um agente do FBI (O Preço de um Resgate), um coronel (A Última Ameaça), o pioneiro do beisebol Satchel Paige (Soul of the Game, da HBO), um sacrificador de animais (O Advogado do Diabo), um anjo (Por uma Vida Menos Ordinária), um trabalhador migrante da Segunda Guerra Mundial (Regras da Vida), um detetive (60 Segundos), um membro de gangue (Romeu Tem que Morrer), um viajante interdimensional (O Confronto), um criminoso profissional (O Assalto) e um geólogo (O Núcleo – Missão ao Centro da Terra).

Apesar da qualidade variável, é uma lista bastante notável para os padrões do final dos anos 1990/início dos anos 2000, quando as franquias ainda não eram a regra no cinema. Você imaginaria que, na sequência, Lindo encabeçasse um drama de Antoine Fuqua ou Michael Mann, rumo à glória do Oscar.

Pelo caminho, diz Lindo, ele ganhou uma certa fama. Talvez mal acostumado com os roteiros idiossincráticos de Spike Lee e todas aquelas peças “cabeça”, o ator se viu resistindo a parte do material que recebia. Quando ele não concordava com alguma cena, ele deixava bem claro.

“Com certeza minha carreira estava na ascendente”, afirma ele. “Olho para trás e sinto muito orgulho por ter participado de alguns desses projetos. Eu diria a você, do ponto de vista profissional, que cometi alguns erros que me custaram. Nem sempre pensei ou agi de forma estratégica. Às vezes era direto demais. Quando um produtor paga um dinheirão para você participar do filme, ele não gosta de ser confrontado por alguém que diz: ‘Eu realmente gostaria que vocês olhassem para X, Y e Z.’ Não que eu estivesse errado. Eu estava envolvido com vários roteiros que precisavam de mais trabalho, ou que eu gostaria que fossem alterados. Não sei se ‘fama’ é a palavra certa, mas sempre pensavam em mim como um ator ‘difícil’. Em minha defesa, houve momentos em que achei que as conversas com diretores ou produtores eram realmente criativas. Mas eles ficaram ofendidos. Eles se sentiram insultados por eu ter, não sei, a ousadia de questionar as coisas.”

Lindo não menciona incidentes específicos, mas aparentemente esses episódios lhe custaram oportunidades futuras. Os produtores conversavam com as equipes dos filmes que ele tinha feito e nem sempre ouviam relatos positivos. Ele estava disputando certos papeis – de novo, Lindo se recusa a contar mais detalhes ― e, de repente, era descartado.

“Houve um projeto em particular ao qual eu achava que realmente poderia acrescentar”, lembra ele, descrevendo sua “decepção” por ser preterido.

Na década de 2010, os papéis de Lindo já não eram tão notáveis. Ele foi coadjuvante em blockbusters de segunda como Domino - A Caçadora de Recompensas, Sahara e o remake Caçadores de Emoção – Além do Limite, além da curta série de fantasia Believe. Foi somente em The Good Fight que Lindo conseguiu um papel digno de seu talento.

“Você tem de tentar ser grande o suficiente para dizer para si mesmo: ‘OK, qual foi minha parcela de culpa?’”, diz Lindo. “Até que ponto eu tenho que admitir que eu meio que fui responsável por isso tudo, em comparação com produtores que eram idiotas ou não me davam a mesma margem de manobra que era concedida a outros atores? Porque não se trata de meritocracia. Você pode dizer que a vida não é uma meritocracia, e a indústria do entretenimento com certeza não é meritocracia.”

Universal Pictures
Alfre Woodard, Delroy Lindo e seus filhos fictícios em "Uma Família de Pernas para o Ar”.

Em The Good Fight, um spin-off de The Good Wife, Lindo interpreta Adrian Boseman, sócio-sênior de um escritório de advocacia afro-americano conhecido por combater casos de violência policial em Chicago.

A série estreou em 2017, com Adrian convidando uma advogada branca, Diane Lockhart (Christine Baranski, repetindo seu papel em The Good Wife), para entrar na empresa. Lockhart tinha tomado um golpe e perdeu o dinheiro da aposentadoria. A advogada é um grande chamariz, mas Adrian e sua ex-mulher e colega Liz (Audra McDonald) dão textura à série. Os criadores Michelle King e Robert King criaram um vínculo amoroso sem a corrente sensual que acaba definindo muitas relações heterossexuais na tela.

Talvez por não passar na TV aberta nos Estados Unidos (como The Good Wife), a série não virou a mesma referência cultural de sua predecessora, embora seja tão boa quanto ou até melhor. Mas quem assiste ama The Good Fight, e a série conta com uma lista imaculada de estrelas convidadas (Bernadette Peters, Judith Light, Lorraine Toussaint, Louis Gossett Jr.).

Os criadores me disseram que Lindo foi sua primeira escolha para o papel; eles sabiam que seu Adrian seria um “showman” no tribunal. “Quando estávamos escolhendo os atores, fizemos uma reunião com Delroy no escritório de nosso diretor de elenco, Mark Saks”, diz Michelle King. “Só lembro que era inverno e ele entrou com um casaco e um cachecol. Na hora que ele os tirou, era o próprio Adrian Boseman. Foi uma coisa imperial e tão elegante. Tipo: ‘Ah, sim, esse cara é sócio de um escritório de advocacia’.”

Então foi uma surpresa quando anunciou-se a saída de Lindo da série para estrelar Harlem’s Kitchen, da ABC, criada pelo roteirista Zahir McGhee (de Scandal). Um ator que sai de uma série popular antes de sua conclusão leva a inevitáveis especulações sobre possíveis dramas de bastidores, especialmente quando se trata de um ator que diz que já foi rotulado como “difícil”. Lindo e o casal Michelle e Robert King dizem que não é o caso.

Ao contrário de outros produtores, os King dizem apreciar o fato de Lindo ter “muitas opiniões” sobre o texto. Ele ajudou o casal a considerar os detalhes da vida de um advogado negro e descreveu para os autores como esses advogados se comportariam quando não estivessem na presença de pessoas brancas. Mas, quando eu disse para Lindo que adoro The Good Fight e perguntei o que ele pensa sobre a representação dos negros no programa, ele respondeu com perguntas.

“Você acha que o escritório continua sendo tão negro quanto era no começo? Você percebeu alguma diferença na personalidade da empresa no início e depois, digamos, no final da quarta temporada?”

De fato, a narrativa central da série não trata mais só da entrada de uma advogada branca em um escritório de negros. The Good Fight é uma das poucas séries que encontraram uma maneira inteligente de comentar sobre a presidência de Trump e outros eventos atuais – então agora ela tem diversas preocupações.

“Perguntei porque, considerando que The Good Fight se preocupava com questões atuais, a dinâmica que tinha a ver conosco como um escritório de advocacia afro-americano nem sempre era a ênfase da história contada pela série”, diz Lindo. “Então, o programa acabou se transformando na investigação de vários outros tópicos: Deus, o governo Trump, ética médica, Jeffrey Epstein. O componente real relacionado à raça nem sempre é o mais lembrado.”

Lindo afirma que os criadores da série ficaram “tristes” com sua partida, e os próprios confirmam. Mas, quando conversei com eles, Michelle e Robert King negaram que a questão racial tenha ficado em segundo plano, apontando para os episódios da quarta temporada sobre reparações e o direito de Adrian de usar uma palavra tabu para os americanos.

Ainda assim, eles entendem que o papel oferecido a Lindo em Harlem’s Kitchen é muito tentador (ele vai interpretar o chef de um restaurante chique). Dadas as restrições competitivas da TV aberta, os King dizem que CBS e ABC nunca permitiriam que Lindo fizesse as duas séries ao mesmo tempo. Mas eles esperam que ele consiga completar o arco de Adrian no início da 5ª temporada.

“Quando li o terceiro episódio [de Harlem’s Kitchen], fiquei muito empolgado”, diz Lindo. “Havia algo sobre a maneira como os personagens eram apresentados e como eles interagiam. Pensei: ‘Uau, que oportunidade de investigar as realidades psicológicas e emocionais das pessoas dessa família’. Agora, não sou ingênuo, sei que estamos falando de TV aberta. Tudo o que posso dizer é que espero de verdade que haja espaço para apresentar esses seres humanos afro-americanos em toda a sua complexidade e toda a sua humanidade.”

CBS All Access
Delroy Lindo, Audra McDonald e Christine Baranski em “The Good Fight”.

Nos dias que se seguiram ao lançamento de Destacamento Blood (12 de junho), minha timeline do Twitter, cheia de gente obcecada por cinema, se derreteu em elogios a Lindo. Muita gente falou dele como uma potência subestimada que, até agora, não recebeu o merecido reconhecimento. Na sequência veio o zum-zum-zum do Oscar, com uma ressalva: a premiação foi adiada por dois meses, o que significa que ele precisará manter esse auê até abril do ano que vem.

“Sem ser - qual é a palavra? – jocoso, não estou tirando nenhuma conclusão disso”, afirma Lindo sobre esse entusiasmo. “Claro que é muito legal. É maravilhoso ouvir esse tipo de coisa, mas não vou me empolgar. Estou muito feliz. Estou muito feliz porque as pessoas têm uma resposta extraordinariamente positiva. Mas meu trabalho agora é apenas manter os pés no chão e curtir o orgulho de fazer parte dessa conquista.”

Lindo e Lee não conversavam havia muito tempo quando Lee ligou para oferecer o papel de Paul. Nesse intervalo, Lee continuou produzindo sem parar, dirigindo quase um filme por ano e ganhando um Oscar pelo roteiro de Infiltrado na Klan. Ele começou a trabalhar em Destacamento Blood em 2017, reformulando um roteiro que envolvia veteranos brancos. Quando eles se reconectaram, Lindo viu um lado novo do amigo.

“Ele me disse algumas coisas em uma de nossas primeiras conversas que foram muito comoventes”, diz Lindo. “Cheguei em casa e disse pra minha esposa: ‘Uau. Spike disse tipo uma coisa que não tem nada a ver com ele’. Só posso atribuir isso à sua maturidade e ao seu crescimento como ser humano. Mas também preciso dizer que essa dinâmica não significa que não tenha havido discordâncias e diferenças de opinião enquanto estávamos trabalhando.”

“Não vou te contar. Desculpe. A razão pela qual eu trouxe à tona, em última análise, é que fomos capazes de superar isso. Não foi um obstáculo insuperável. Foi um pouco chato, mas finalmente conseguimos superá-lo, e quero crer que isso diz muito sobre a confiança e o respeito [que temos um pelo outro].”

Talvez por isso Lindo esteja no auge. Ele voltou aos braços do primeiro cineasta a reconhecer seu potencial, capaz de discordar sem consequências. Quando você fez Shakespeare, August Wilson e Spike Lee, por que se contentar com menos? Em meio à desolação de 2020, é catártico assistir Lindo atravessando uma sequência tão frenética de emoções. Seu suor representa anos de trabalho, para Lindo e para toda pessoa que, como Paul, se sente esquecida por seu país.

“Em certo momento, eu estava em sintonia completa com esse homem”, diz ele. “Tive capacidade suficiente de simpatizar com esse homem e humanizá-lo. Não sei se ‘catarse’ é o termo, mas houve criativamente para mim um encontro libertador. Foi afirmador. Liberei toda essa energia criativa a serviço de Paul.”

 

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.