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16/08/2019 12:52 -03

Desmatamento avança 15% na Amazônia nos últimos 12 meses, diz Imazon

Foram destruídos mais de 5 mil km² de florestas na Amazônia Legal. Pará, Amazonas e Mato Grosso são os líderes de desmatamento.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dados do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), divulgados nesta sexta-feira (16), mostram que o desmatamento na Amazônia Legal cresceu 15% nos últimos 12 meses em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados apresentados pelo instituto, que não é ligado ao governo, foram coletados por meio do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que detectou  5.054 km² de desmatamento na floresta. 

Só em julho deste ano, a área desmatada foi de 1.287 km² — aumento de 66% em relação a julho do ano passado. Até estados que não costumam aparecer na lista dos que mais desmatam, como o Acre, entraram no ranking este ano.

De acordo com o Imazon, os municípios com maiores áreas desmatadas, em julho de 2019, foram Altamira (128 km²) e São Félix do Xingu (96 km²), no Pará, e Porto Velho (78 km²), em Rondônia. Ao longo dos últimos 12 meses, os estados que mais desmataram foram Pará, Amazonas e Mato Grosso.

‘Psicose ambiental’

Os dados sobre desmatamento no Brasil estão no centro de uma discussão sobre o papel do governo na preservação do meio ambiente. Desde o início do mandato do presidente Jair Bolsonaro, o País tem tomado atitudes controversas em relação à biodiversidade no país.

O presidente acredita que há “psicose ambiental” e tem atuado para mudar a maneira como a Floresta Amazônica é preservada.

Países parceiros do Brasil no combate ao desmatamento, especialmente a Noruega e a Alemanha, têm questionado o governo e desistido de investir no País. Na última semana, os dois países congelaram investimentos na preservação do meio ambiente.

Ambos criticam alterações propostas pelo presidente no Fundo Amazonia e duvidam se há interesse do País em combater o desmatamento. Bolsonaro tem ironizado os parceiros. Na quinta-feira (15), afirmou que a Noruega deveria pegar o dinheiro e dar para “Angela Merkel [chanceler alemã] reflorestar a Alemanha”.

O presidente também tem questionado os dados de desmatamento no País. No início de agosto, chegou a dizer que os dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) eram mentirosos. A briga de Bolsonaro com os dados causou a demissão de Ricardo Galvão da direção do Inpe.

Imagens de satélites monitoradas pelo Sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), do Inpe, mostraram que em junho houve um crescimento de 88% em comparação ao mesmo período do ano passado e em julho, foi de 278% — também em comparação ao mesmo período do ano anterior.