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23/07/2019 18:50 -03 | Atualizado 24/07/2019 18:02 -03

Boris Johnson enfrentará conservadores e trabalhistas para fazer o Brexit

Johnson prometeu tirar o Reino Unido da União Europeia até 31 de outubro, mesmo que isso implique um Brexit sem acordo.

PA Wire/PA Images
Boris Johnson, de 55 anos, que ajudou a comandar a campanha vitoriosa do Brexit no referendo de 2016, deve tomar o lugar de Theresa May na tarde de quarta-feira.  

Depois de vencer nesta terça-feira (23) a disputa pela liderança do Partido Conservador, Boris Johnson se tornará o novo primeiro-ministro do Reino Unido.

O político de 55 anos, que ajudou a comandar a campanha vitoriosa do Brexit no referendo de 2016, deve tomar o lugar de Theresa May na tarde de quarta-feira.

Sua vitória sobre seu rival Jeremy Hunt, o atual secretário de Relações Exteriores, nunca chegou a estar em dúvida realmente, dada sua popularidade entre os 160 mil membros do Partido Conservador que votaram na disputa.

Com o Parlamento atolado em um impasse em torno do Brexit, Boris Johnson prometeu tirar o Reino Unido da União Europeia (UE) até 31 de outubro “aconteça o que acontecer”, mesmo que para isso seja preciso sair da UE sem um acordo.

Mas muitos conservadores veteranos prometeram fazer oposição a um Brexit sem acordo, avisando que isso prejudicaria a economia britânica de maneira irreparável.

O ministro das Finanças, Philip Hammond, que anunciou que vai renunciar a seu cargo para não servir sob Johnson, sugeriu que, se for preciso, votará para derrubar o governo — na tentativa de impedir que o Reino Unido saia da UE sem um acordo.

A expectativa é que vários outros ministros conservadores renunciem antes de as chaves de Downing Street, número 10 serem entregues a Johnson.

Jeremy Corbyn, líder do oposicionista Partido Trabalhista, também prometeu que vai combater uma saída da UE sem acordo e reivindicou que Boris Johnson convoque uma eleição geral.

Theresa May tornou-se primeira-ministra em julho de 2016, semanas após o referendo sobre o Brexit. Ela anunciou sua renúncia em maio deste ano, depois de o acordo da saída do bloco que ela selou com líderes da União Europeia ter sido rejeitado três vezes pelo Parlamento.

No Twitter, ela parabenizou a eleição de Johnson e prometeu apoio.

O presidente americano Donald Trump já elogiou Johnson em diversas ocasiões. Na sexta-feira, disse a repórteres no Salão Oval que Johnson fará “um ótimo trabalho” como premiê britânico.

“Ele é um sujeito diferente, mas dizem que eu também sou um sujeito diferente”, comentou Trump.

Em seguida, Trump criticou Theresa May, dizendo que ela fez “um péssimo trabalho com o Brexit”.

Apesar do “relacionamento especial” histórico entre os EUA e o Reino Unido, o clima diplomático entre os dois países azedou nas últimas semanas. Depois da visita de Estado feita por Trump à Inglaterra em junho, memorandos enviados pelo embaixador britânico Sir Kim Darroch contendo críticas a Trump foram vazados para um tabloide. Darroch renunciou a seu cargo este mês em função do vazamento.

Enquanto isso, as tensões entre Londres e Teerã também se intensificaram nos últimos dias, depois de o Irã ter tomado um petroleiro de bandeira britânica no Estreito de Ormuz.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.