POLÍTICA
16/07/2019 10:00 -03

Dallagnol cobrou diárias no Beach Park por palestra, diz Folha

Coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato sugeriu mesmo esquema ao então juiz Sérgio Moro.

ASSOCIATED PRESS
Mensagens do coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato têm sido divulgadas pelo site Intercept Brasil com parceiros.

Coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol cobrou hospedagem no parque aquático Beach Park, em Fortaleza (CE), para dar uma palestra sobre combate à corrupção na Fiec (Federação das Indústrias do Ceará), em julho de 2017, além de passagem e cachê. A informação é da coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo desta terça-feira (16).

Segundo a publicação, em diálogo obtido pelo The Intercept Brasil, Dallagnol sugere ao então juiz responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, Sérgio Moro, o mesmo esquema.

“Eu pedi pra pagarem passagens pra mim e família e estadia no Beach Park. As crianças adoraram”, disse Dallagnol. “Além disso, eles pagaram um valor significativo, perto de uns 30k [R$ 30 mil]. Fica para você avaliar”, diz a mensagem.

Em seu perfil no Twitter, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, criticou o vazamento das mensagens. Desde o início da Vaza Jato, em 9 de junho, o ex-magistrado não confirma a veracidade dos diálogos e tem classificado o episódio como um “ataque criminoso”.

Nesta terça, Moro também criticou o trabalho da imprensa brasileira:

Reportagem publicada pela Folha em parceria com o Intercept no último domingo (14) revela que Dallagnol teria montado um plano de negócios de eventos e palestras para enriquecimento próprio.

Para evitar questionamentos legais e críticas, Dallagnol sugeriu ao colega, o também procurador Roberto Pozzobon, que o negócio fosse aberto em nome das esposas, segundo a reportagem. Integrantes do Ministério Público podem ser sócios de empresas, mas não administradores.  Não há provas, contudo, de que a empresa tenha sido formalizada.

Independentemente do planejamento empresarial, Dallagnol tem realizado palestras nos últimos anos, o que também é alvo de questionamentos. Segundo a reportagem, o coordenador da Lava Jato usou os serviços de duas funcionárias da secretaria da Procuradoria com objetivos pessoais, relativos a palestras que proferia. De acordo com a legislação, procuradores só podem exercer atividades remuneradas relativas ao magistério.

Tanto Dallagnol quanto Pozzobon negaram a abertura da empresa e declaram que “não reconhecem as mensagens que têm sido atribuídas a eles” e que “esse material é oriundo de crime cibernético e não pôde ter seu contexto e veracidade comprovado”, segundo nota enviada pela assessoria de imprensa da Procuradoria no Paraná à Folha e ao Intercept.

Nesta segunda (15), tanto o PT quanto o PSol entraram com representações contra Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para que possíveis irregularidades sejam apuradas.