MULHERES
12/02/2020 21:15 -03 | Atualizado 12/02/2020 21:26 -03

Debora Diniz recebe prêmio internacional por atuação em prol da igualdade de gênero

Pesquisadora recebeu, ao lado de outras especialistas, o prêmio acadêmico Dan David Prize.

Carlos Moura/STF
Diniz é responsável pela Pesquisa Nacional do Aborto, um dos principais estudos que revela a magnitude da prática de interrupção insegura da gravidez no País.

Em reconhecimento por seu trabalho e atuação em prol da igualdade entre homens e mulheres, a antropóloga brasileira Debora Diniz venceu nesta quarta-feira (12), o prêmio acadêmico Dan David Prize na categoria igualdade de gênero.

“Estou emocionada com esta honra. Sou a segunda mulher da América Latina a receber este importante prêmio acadêmico”, escreveu a antropóloga ao anunciar o prêmio em seu perfil no Twitter.

“Agradeço a todas as mulheres que eu conheci ao longo da minha carreira de pesquisadora. É alentador saber que a luta pelo aborto no Brasil é central à igualdade no mundo”, completou Diniz. 

A iniciativa reconhece pesquisas interdisciplinares que “quebram paradigmas e fronteiras” e promovem “impacto social e cultural” desde 2001. Diniz, que já foi colunista do HuffPost Brasil, é professora da UnB (Universidade de Brasília) e pesquisadora da ONG Anis Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.

Mas ela não venceu o prêmio sozinha. Diniz e a pesquisadora indiana Gita Sen, que trabalha com empoderamento econômico das mulheres, dividiram o prêmio que, além de ter um valor simbólico significativo, agraciou as participantes com um milhão de dólares (o equivalente a R$ 4,7 milhões).

Debora Diniz, que trabalha com a temática dos direitos reprodutivos e aborto, foi uma das pesquisadoras que, em 2018, saiu do País devido à ameaças de morte. Atualmente, mora nos Estados Unidos e é pesquisadora do centro de estudos Latino-Americanos e Caribenhos na Brown University.

Diniz é responsável pela Pesquisa Nacional do Aborto, um dos principais estudos que revela a magnitude da prática de interrupção insegura da gravidez no País. Segundo os dados mais recentes, divulgados em 2016, uma em cada 5 mulheres de até 40 anos já fez um aborto ao longo da vida no Brasil.

Em 2018, ao participar de audiência pública sobre descriminalização do aborto no STF (Supremo Tribunal Federal), se consolidou como uma das defensoras da descriminalização do aborto até a 12ª semana de gravidez.

Na época, a corte ouviu ativistas pró e contra o aborto em audiência que debateu uma ação proposta em março de 2017 pelo PSol em conjunto com a Anis, que pede pela a descriminalização da interrupção voluntária da gestação.

Durante o encontro, o Ministério da Saúde divulgou dados inéditos sobre o tema. Segundo a pasta, a criminalização não impede que 1 milhão de abortos induzidos ocorram todos os anos no Brasil. 

Ainda de acordo com o órgão, os procedimentos inseguros de interrupção voluntária da gravidez levam à hospitalização de mais de 250 mil mulheres por ano, cerca de 15 mil complicações e 5 mil internações de muita gravidade.

O aborto inseguro causou a morte de 203 mulheres em 2016, o que representa uma morte a cada 2 dias. Nos últimos 10 anos, foram duas mil mortes maternas por esse motivo.