OPINIÃO
27/06/2020 03:00 -03 | Atualizado 27/06/2020 07:40 -03

'Dark' mais explica que confunde em sua conclusão e agradará todos os seus fãs

Trama de série alemã da Netflix continua complexa e difícil de acompanhar, mas fecha seu ciclo de maneira bem satisfatória.

Este texto NÃO contém spoilers da 3ª temporada de Dark, mas descreve o final da 2ª temporada, exibida em 2019. 

Até a sua 2ª temporada (ou ciclo, como preferem seus criadores, Baran bo Odar e Jantje Friese), Dark seguiu à risca a famosa frase de Chacrinha: “Eu vim para confundir, não para explicar”. Mas tudo — bom, quase tudo — mudou na conclusão da série que chega ao catálogo da Netflix neste sábado (27). Data que os fãs sabem o quanto é significativa na mitologia da produção alemã.

Diversos mistérios da complexa trama envolvendo viagem no tempo - e agora até universos paralelos - são explicados. O que pode ser até uma má notícia para seu público cativo, já que o grande barato de Dark são as inúmeras teorias que pipocam em fóruns nerd pela internet. Mas se você é um desses fãs hardcore da série, não se preocupe: algumas pontas foram deixadas soltas de propósito. Odar e Friese conhecem muito bem seu séquito.

A 3ª e derradeira temporada termina exatamente no ponto em que sua antecessora parou. Ou seja, enquanto Jonas Kahnwald (Louis Hofmann) chora a morte de sua amada Martha Nielsen (Lisa Vicari), assassinada por Adam (que é Jonas no futuro), uma outra Martha, com um visual mais gótico, aparece para salvá-lo do apocalipse. Quando Jonas pergunta a essa “nova” Martha de que ano ela é, ela responde que a pergunta certa não seria “qual ano”, mas “qual mundo”.

Divulgação
Martha (Lisa Vicari) ganha mais espaço na trama e tem papel fundamental na conclusão de "Dark".

Confuso? Iniciantes do mundo de Dark e pessoas com dificuldade para ligar nomes a fisionomias, preparem-se. A série é uma sopa de letrinhas do tamanho de um buraco negro. Kahnwalds, Nielsens, Tiedemanns, Dopplers... Você precisa ter as árvores genealógicas da pequena Winden na ponta da língua para encarar a 3ª temporada satisfatoriamente. E não apenas isso, mas versões de personagens de tempos (e agora universos!) distintos.

Nada que um fã raiz não tire de letra, mas pode ser bem desafiador para quem não está familiarizado ou, como acontece com muita gente, não se lembra de mais nada de quando assistiu à 2ª temporada. Por isso, um conselho de amigo: veja (ou reveja) as duas temporadas anteriores antes desta que estreia no “Dia do Apocalipse”.

Dito isso, fãs ou leigos, todos vão ficar satisfeitos com a conclusão da história. Ela pode parecer um pouco acelerada demais em sua segunda metade, distribuindo um caminhão de pequenas revelações sem muita explicação, mas dá uma pisada no freio do último episódio, que em alguns momentos pode soar até didático demais.

Não seria legal entrar em mais detalhes porque Dark depende demais de seus mistérios carregados de referências religiosas, mitológicas, científicas e da mais pura cultura pop, mas uma coisa é certa: ela continuará sendo a mais queridinha do público entre as produções originais da Netflix hoje, ontem ou amanhã, neste ou em outro universo paralelo em que há uma versão sua gótica por aí.