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05/05/2020 09:23 -03 | Atualizado 05/05/2020 14:41 -03

Presidente da Funarte demitido por Regina Duarte é reconduzido ao cargo por general

Maestro Dante Mantovani, que ficou conhecido por associar rock a aborto e satanismo, foi novamente nomeado ao cargo nesta terça; Decisão é assinada por Braga Netto, da Casa Civil

Em mais uma decisão controversa, o governo Bolsonaro reconduziu ao cargo de presidente da Funarte o maestro Dante Mantovani, que havia sido demitido pela secretária de Cultura, Regina Duarte, assim que ela assumiu a pasta, no início de março. A decisão, publicada no Diário Oficial nesta terça (5), não é assinada pela secretária, mas pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto.

Mantovani ficou conhecido por relacionar o rock ao aborto e ao satanismo. Assim que o maestro assumiu pela primeira vez a Funarte, em dezembro de 2019, viralizou um vídeo em seu canal no YouTube em que ele, ao falar sobre o festival de Woodstock, disse que “o rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto”. “A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse abertamente, mais de uma vez, que ele fez um pacto com o diabo, com o satanás para ter fama, sucesso”, afirmou.

 

 
Reprodução/DOU
Recondução de Mantovani ao cargo foi assinada por general e não pela secretária ou pelo ministro do Turismo, a quem a pasta é subordinada.

A decisão que aparentemente passa por cima da secretária de Cultura vem depois de Jair Bolsonaro confirmar, publicamente, que há um incômodo seu com a atriz, apenas dois meses depois de Regina Duarte assumir o posto.

Na última semana, Bolsonaro criticou o distanciamento da secretária, que, em meio à pandemia do coronavírus, está trabalhando de sua casa, em São Paulo. O presidente também afirmou que a subordinada tem “dificuldade” em lidar com o quadro do antigo ministério que, segundo Bolsonaro, tem “muita gente de esquerda”.

“Infelizmente a Regina está trabalhando pela internet ali e eu quero que ela esteja mais próxima. Uma excelente pessoa, um bom quadro, é também uma secretaria que era ministério, muita gente de esquerda, pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade, a massa da população não admite e ela tem dificuldade nesse sentido”, disse o presidente.

Ele, contudo, negou que a secretária estaria de saída. “Quem falou que ela sai? Você acredita na imprensa? Eu não acredito”, disse. “Eu queria que ela estivesse em Brasília para conversar mais com ela. Só isso. Mais nada. Eu sou também apaixonado pela namoradinha do Brasil.”

Depois dessas declarações, Regina Duarte chegou a Brasília nesta semana para uma reunião com Bolsonaro, ainda sem data.

Segundo trechos de conversas obtidas pela revista Crusoé, ao saber da nomeação de Mantovani, a secretária afirmou: “Que loucura isso, que loucura. Eu acho que ele [Bolsonaro] está me dispensando”.

NurPhoto via Getty Images
"Infelizmente a Regina está trabalhando pela internet ali e eu quero que ela esteja mais próxima", disse Bolsonaro; A secretária estava despachando de casa, em São Paulo, em meio à pandemia.

No último dia 30, Mantovani postou em seu Twitter que, ao entrar e sair do governo Bolsonaro, foi “alvo de uma das maiores campanhas de assassinato de reputações da história do Brasil” disse que “combate o totalitarismo comuno-globalista” e criticou a “grande mídia”.

“Porque sou conservador, cristão, olavista, bolsonarista, tenho uma formação clássica e milito pela restauração da Alta Cultura como forma de combate ao totalitarismo comuno-globalista. Até aí seria o esperado, não fosse a quantidade de gente na ‘direita’ que apoiou a campanha difamatória, muitos batendo no peito de orgulho por tamanha ‘valentia’, unindo-se à turba de hienas histéricas e descerebradas que repetiam bovinamente os mantras e falsas associações criadas pela grande mídia”, escreveu.

À Folha de S.Paulo, ele afirmou que tentou inúmeras vezes se explicar para Regina Duarte, dizer que suas declarações foram tiradas de contexto. Segundo Mantovani, no vídeo em que liga o rock ao satanismo, ele estava dando aula e expunha para seus meus alunos o pensamento de outros autores, de três livros diferentes. “Não é o que eu penso. Eu fazia uma reflexão histórica sobre o que outros autores falavam”, diz. 

O novo presidente da Funarte disse que recebeu o convite para voltar ao órgão de um assessor do Planalto e que espera que, agora, a secretária o receba. “Vamos rezar para que me receba.”