LGBT
25/06/2019 19:10 -03 | Atualizado 25/06/2019 19:23 -03

O discurso e o beijo de Daniela Mercury e Malu Verçosa no Congresso Nacional

Cantora criticou posturas homofóbicas e questionou o papel do Legislativo na garantia de direitos para a comunidade LGBT.

Michel Jesus/ Câmara dos Deputados
Malu Verçosa (à esq.) e Daniela Mercury no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).
Eu era casada com um homem, e quando casei com Malu, perdi todos os meus direitos.

A frase acima é da cantora Daniela Mercury, de 53 anos, ao receber uma homenagem na Câmara dos Deputados, nesta semana, em evento para celebrar os 50 anos das Revoltas de Stonewall ― marco para a luta LGBT.

Ao lado de sua esposa, Malu Verçosa, de 42 anos, ela falou sobre sua experiência ao lado da companheira, questionou posturas homofóbicas e lembrou que o Legislativo tem obrigação de garantir direitos à esta população.

“Perdi o direito de colocar nome nas minhas filhas. Perdi direito de me casar oficialmente com ela. Vocês entendem a inversão (de valores)? Que loucura isso”, disse Daniela ao citar a represália que sofreu ao casar com uma mulher.

A cantora que esteve na 23ª Parada do Orgulho LGBT neste domingo (23), citou também a importância do evento, realizado em São Paulo, e a necessidade da população continuar pressionando os poderes públicos.

“Não é fácil para nós, ativistas LGBTs, trabalharmos um ano inteiro, fazermos as coisas acontecerem. Precisamos de muitas rebeliões, de muitas ‘stonewalls’, desse movimento contínuo na sociedade para que a democracia se efetive.”

Para ela, as conquistas obtidas recentemente pelo Judiciário, como o casamento homoafetivo, a alteração do nome no registro civil por pessoas trans e a criminalização da LGBTfobia ― sejam garantidas na forma da lei.

“A sociedade está atenta e espera que esse governo tenha políticas públicas que contemplem toda a população brasileira”, acrescentou. “70 anos da declaração universal dos direitos humanos, 30 anos da nossa constituição. Não há mais tempo para nos desrespeitar”, disse a cantora, ao finalizar sua fala.

Por fim, Daniela e Malu deram um beijo no plenário da Câmara. A cantora publicou o momento em sua conta do Instagram. Assista abaixo:

Malu Verçosa, ao subir no plenário, cobrou os deputados da casa, pedindo leis específicas para a população LGBT e que “garantam para sempre” o casamento homoafetivo e a criminalização da homofobia.

“Que a gente tenha os mesmo direitos que as famílias heterossexuais. Hoje, aqui, especialmente, dentro dessa Casa, eu peço a todos os deputados e deputadas que nos devolvam os nossos direitos. Que nos ouçam, que nos enxerguem. E que não façam nada além da obrigação de vocês”, disse.

Michel Jesus/ Câmara dos Deputados
Câmara faz homenagem a ativistas LGBT em homenagem aos 50 anos de Stonewall.

No evento realizado na Câmara, Daniela e Malu integravam uma lista de ativistas e entidades homenageadas. Entre elas, Toni Reis, presidente da ABGLT, Maria Berenice Dias, presidente da Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da OAB e Mônica Benício, esposa da vereadora Marielle Franco, que foi assassinada em março de 2018, no Rio.

Nesta semana, a Casa realiza o 16º Seminário LGBT do Congresso Nacional, para comemorar os 50 anos da luta LGBTI e discutir o impacto do governo do presidente Jair Bolsonaro ― conhecido por seu histórico de declarações homofóbicas e cuja agenda coloca em risco conquistas da comunidade LGBT. 

A representante do coletivo norte-americano Black Lives Matter, Amika Tendaji, e deputados estaduais e federais ligados à causa, como Erica Malunguinho, primeira mulher transexual da Assembleia Legislativa de São Paulo estarão presentes em mesas e painéis realizados durante a semana.