MULHERES
08/03/2019 16:14 -03

Plano de Damares para combater violência contra a mulher inclui igrejas e salões

No Dia Internacional da Mulher, ministra sugere "ensinar os meninos a levaram flores, a abrir a porta do carro, elevando a mulher ao patamar de um ser pleno".

Marcelo Camargo/Agência Brasil
No Dia Internacional da Mulher, ministra sugere "ensinar os meninos a levaram flores, a abrir a porta do carro, elevando a mulher ao patamar de um ser pleno".

Os ministros da Justiça, Sérgio Moro, e da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, assinaram nesta sexta-feira (8) um acordo de cooperação técnica para combater a violência doméstica no Brasil.

O objetivo é mobilizar unidades, agentes e serviços públicos em ações de atendimento e proteção, além de fomentar o tratamento dos agressores no sistema prisional, monitorados por tornozeleiras eletrônicas ou em cumprimento de penas alternativas.

As pastas terão 30 dias para assinar o plano de trabalho que irá detalhar metas, cronograma e atribuições de cada órgão e instituições parceiras. O acordo terá duração de 24 meses.

No anúncio feito pelos ministros, não foram detalhadas as ações. O documento também não foi disponibilizado pela assessoria das pastas.

De acordo com Sérgio Moro, a proposta do governo federal é “incrementar” o uso de tornozeleiras eletrônicas e de outros tipos de dispositivo, como o chamado botão de pânico. Ele envia uma mensagem com a localização da pessoa para agentes de segurança, ao ser acionado.

Cerca de 51.250 tornozeleiras são usadas no País, mas só 2,83% estão relacionadas ao combate à violência doméstica, segundo o ministro. Em 2015, eram 4,21%. Equipamentos que não estão sendo usados para casos de violência doméstica serão redirecionados para esse tipo de crime e novos serão comprados.

Na solenidade, Damares Alves disse que o pacote irá incluir ações voltadas aos pais, filhos, irmãos e companheiros agressores. Sem detalhar ações educativas, a ministra defendeu  “ensinar os meninos a levaram flores, a abrir a porta do carro, elevando a mulher ao patamar de um ser pleno”.

No entendimento da ex-pastora, “os meninos vão ter que entender que as meninas são iguais em direitos e oportunidades, mas diferentes por serem mulheres”. “Enquanto nossos meninos acharem que menino é igual a menina, como se pregou no passado em algumas ideologias, já que a menina é igual, ela aguenta apanhar”, completou.

Ao fim da solenidade, Damares fez um apelo às lideranças religiosas. “Sejam os principais agentes de proteção. Ajudem a vítima, acolham, aconselhem. Abram as portas das igrejas. Eu também falo para os sacerdotes, já chega de a mulher chegar na igreja com o olho roxo, e o líder espiritual apenas orar por ela e mandá-la perdoar o agressor e voltar para casa. As igrejas terão que ser agentes nessa luta”, disse.

Campanha nos salões de beleza

 Neste 8 de março, o governo federal também lançou a campanha #SalveUmaMulher. A ação prevê engajamento de profissionais de beleza para conscientizar vítimas de agressões.

“A campanha contará com profissionais da área da beleza, que poderão orientar suas clientes, considerando essa relação que muitas vezes é de confiança. Todos os casos de agressões devem ser denunciados. Por isso precisamos estar unidos nesse objetivo”, afirmou Damares.

No vídeo, o maquiador Agustin Fernandez, conhecido por criticar o ativismo LGBT e por apoiar o presidente eleito Jair Bolsonaro incentiva profissionais de salões de beleza a identificarem sinais de violência doméstica e orientarem clientes.

Ele cita como exemplo uma mulher que voltou ao salão e pediu para mudar sua aparência porque “o marido não gostava que ela fosse muito vaidosa”. “No nosso ramo conversamos muito com as clientes e acaba sendo uma espécie de psicólogo”, disse.

Canal de denúncias oferecido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) recebeu 17.836 denúncias de 1º de janeiro de 2019 ao último dia 26, um aumento de cerca de 36,85% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os números incluem situações de cárcere privado, feminicídio, trabalho escravo, tráfico de mulheres e violências física, moral, obstétrica e sexual.