LGBT
02/12/2019 18:15 -03 | Atualizado 02/12/2019 18:17 -03

Adolescentes acusados de agredir casal de lésbicas em Londres se declaram culpados

Em maio, casal foi agredido dentro do transporte público após se recusarem a dar um beijo para que grupo de homens observasse.

Reprodução/Facebook
Melania e Chris foram atacadas por um grupo de homens em um ônibus na área central de Londres.

Três adolescentes se declararam culpados por assediar e agredir física e verbalmente um casal de lésbicas no início deste ano, em Londres, no Reino Unido. O julgamento do caso foi realizado na última quinta-feira (28).

Os jovens responderão por acusações de roubo, assalto e por cometerem um crime de ódio agravado pela Lei da Ordem Pública, segundo nota divulgada pela Polícia Metropolitana de Londres. Eles serão sentenciados em 23 de dezembro. As acusações foram retiradas contra um quarto adolescente devido à falta de provas contra ele.

Eles são responsáveis pelo ataque ocorrido em maio contra Melania Geymonat, uma comissária de bordo uruguaia da companhia aérea Ryanair, de 28 anos, e sua namorada, uma americana identificada apenas como Chris.

A juíza Susan Williams, responsável pelo caso, disse que o ataque “foi claramente direcionado a esse casal por causa de quem elas são”.

Melania e Cris estavam dentro de um ônibus quando foram intimidadas pelos jovens. Elas foram agredidas após se recusarem a dar um beijo para que eles observassem; ambas tiveram seus pertences pessoais roubados e foram agredidas. Em seguida, a polícia encaminhou o casal para um hospital.

No dia 7 de junho, cinco rapazes foram identificados e detidos. Todos eles permaneceram sob custódia, onde também foram interrogados. A partir desta acusação formal, quatro deles foram intimados a comparecer ao Tribunal da Juventude de Highbury Corner em agosto.

O que aconteceu naquela noite?

Naquela madrugada de maio, segundo Geymonat relatou em post em seu Facebook, o grupo de jovens exigiu que ela beijasse sua namorada, antes de desferir golpes nos rostos de ambas e de lhes roubar um celular e uma bolsa. 

“Eles começaram a se comportar como selvagens, exigindo que nos beijássemos para que pudessem assistir, chamando-nos de ‘lésbicas’ e simulando posições sexuais”, escreveu Geymonat à época.

Na noite do crime, o casal estava voltando de uma balada na área de West Hampstead, na capital inglesa. Segundo a jovem, as ofensas começaram pouco depois que elas ocuparam seus lugares no segundo andar do ônibus.

Os agressores iniciaram o ataque mandando que elas se beijassem, enquanto jogavam moedas na direção do casal e fazendo gestos ofensivos. “Estou cansada de ser vista como um objeto sexual, de descobrir que essas situações são comuns, de amigos gays que foram espancados”, desabafou.

A jovem acrescentou que “está cansada de a violência ter se tornado algo comum” e disse que é preciso “ver uma mulher com o rosto sangrando” para que as pessoas tenham empatia. À época, o jornal The Sun divulgou o vídeo do momento. 

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, condenou o incidente, dizendo que foi um “ataque nojento e misógino” em seu Twitter. “Os crimes de ódio contra a comunidade LGBT + não serão tolerados em Londres”, escreveu.

A ex-primeira-ministra, Theresa May classificou o ataque como “repugnante”. “Meus pensamentos estão com o casal. Ninguém jamais deve esconder quem é ou quem ama e devemos trabalhar juntos para erradicar a violência inaceitável contra a comunidade LGBT.”