Beber água no Rio é seguro? Infectologista lista cuidados para prevenir contaminação no Carnaval

Como prevenir possíveis riscos à saúde diante da crise da água no Rio de Janeiro.

A crise de abastecimento no Rio de Janeiro está deixando muitos foliões apreensivos. Para quem vai viajar para a Cidade Maravilhosa neste Carnaval, especialistas alertam para alguns cuidados com alimentação que podem prevenir possíveis riscos à saúde.

Desde o início de janeiro deste ano, moradores de ao menos nove bairros da cidade do Rio relataram que a água distribuída pela Companha de Águas e Esgotos do Estado (Cedae) tinha saído turva das torneiras. Além do aspecto escuro, ela apresentava gosto e cheiro de terra.

A Cedae afirmou que a causa era uma substância orgânica chamada geosmina, produzida por algas e que não representa nenhum risco à saúde dos consumidores.

“A substância não oferece riscos à saúde, mas altera o gosto e o cheiro da água. O fenômeno natural e raro de aumento de algas em mananciais, em função de variações de temperatura, luminosidade e índice pluviométrico, causa o aumento da presença deste composto orgânico, levando a água a apresentar ‘gosto e cheiro de terra’”, disse um comunicado da empresa ainda em janeiro.

A companhia ainda informou que funcionário continuam fazendo novas coletas e análises complementares para saber se há alteração no abastecimento.

A crise marcou os bloquinhos de rua que antecederam o Carnaval no Rio. No último fim de semana, moradores da cidade se fantasiaram em protesto contra a água com gosto e cheiro de terra.

Beber essa água do Rio é seguro?

Apesar de a Cedae assegurar a qualidade da água, o infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, João Prats, aconselha evitar o consumo. “Não dá para recomendar o consumo de água que tenha alteração de cor, gosto e odor”, diz. “Se a água é turva ou apresenta um sabor diferente, ela não está potável.”

Segundo o infectologista, até que o abastecimento se normalize, essa água pode ser usada para descarga, limpeza do ambiente ou para regar plantas, mas não para o consumo ou para higiene pessoal, como tomar banho, lavar as mãos e o rosto ou para escovar os dentes. “Se ela tiver de ser consumida, a recomendação é fervê-la ou passá-la em um filtro caseiro, como o de barro. Mas o ideal é evitar o consumo”, pondera Prats.

Além do consumo dentro de casa, o infectologista adverte sobre o consumo fora de casa. Para os foliões, este é o momento de maior atenção.

“Do ponto de vista geral, o conselho para qualquer viajante é evitar comer na rua, principalmente em locais que não têm cozinha. Se for comer em ‘banquinhas’, escolha comidas que foram fervidas”, sugere Prats. Se estiver com sede, a dica é consumir bebidas engarrafadas, como refrigerantes e água mineral.”

O folião, que normalmente passa o dia inteiro na rua, também precisa ter cuidado redobrado ao optar por drinks e sucos, pois não se sabe a procedência da água utilizada. “Evite gelo, frutas frescas e produtos muito artesanais [como o famoso sacolé]”, acrescenta Prats. “Evite também beber água de torneira.”

Além de ter cuidados com a alimentação, o infectologista ressalta que o maior risco desta época é , na verdade, contaminação por outros “meios”. “Como o acesso ao banheiro é mais difícil, as pessoas geralmente não lavam as mãos e isso pode resultar em múltiplas doenças. Assim, será mesmo que foi a água?”, questiona.