COMIDA
16/10/2019 03:00 -03 | Atualizado 16/10/2019 09:38 -03

A crise suína na China e o temor dos americanos de ficarem sem seu querido bacon

Já imaginou um café da manhã americano sem a iguaria?

Uma notícia está assustando muito americano por aí. Segundo comunicou a Bloomberg na última semana, os Estados Unidos podem ter uma diminuição de suprimentos ou até escassez de carne de porco no próximo ano. O maior medo é que falte bacon nos supermercados do país. Já imaginou um café da manhã americano sem a iguaria? 

Na semana passada, a Bloomberg noticiou que a maior produtora de carne suína, a americana Smithfield Foods Inc., considera aumentar as exportações da carne suína, como barriga de porco e presunto, para a China. O país asiático enfrenta uma crise de abastecimento desde que a mortal peste suína africana se alastrou e dizimou 41% do rebanho de suínos chinês, segundo a Reuters.

O porco é a carne mais popular entre os chineses e a saída do governo chinês foi aumentar drasticamente os preços do produto. No varejo, os valores da carne suína tiveram um aumento de 84% na comparação anual

Ainda que a crise na China não tenha muito impacto no mercado norte-americano neste ano, as coisas podem se complicar em 2020, uma vez que a China será forçada a aumentar as importações diante de um déficit prolongado da proteína. 

Arnold Silver, diretor de compras de matérias-primas da Smithfield, disse à Bloomberg que os chineses “são insaciáveis ​​em seu apetite por carne de porco”. 

Ainda que a fabricante Smithfield diz que “priorizará” o fornecimento de sua antiga clientela nos Estados Unidos antes de direcionar a carne para os novos compradores, “a forte demanda da Ásia significa que mais exportações de carne suína dos EUA podem fluir para o país asiático, e alguns cortes de carne podem enfrentar um aperto especial”, informou a reportagem. 

Esta situação ocorre mesmo em um momento que a China mantém suas tarifas retaliatórias contra a importação de carne suína vinda dos EUA. Se estas tarifas forem suspensas, as exportações americanas ao país asiático aumentarão ainda mais, acrescentou Silver.

De acordo com a Reuters, empresas chinesas já compraram 700 mil toneladas de carne suína dos Estados Unidos neste ano. Na semana passada, importadores fizeram uma compra recorde de carne suína norte-americana, na ordem de 18.810 toneladas para envio neste ano e 123.362 toneladas para embarque em 2020.

A peste suína africana que já matou milhões de suínos na China e em outros países da Ásia acabou sendo uma “oportunidade única na vida” para os agricultores dos EUA, informou Conselho Nacional de Produtores de Carne Suína. As importações, no entanto, podem impactar o mercado interno. 

Não só os Estados Unidos estão se beneficiando com a crise chinesa. O Brasil também viu suas exportações aumentarem. Em junho deste ano, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de carne suína do Brasil cresceram 41%, puxadas pela demanda da China. Foram 67,2 mil toneladas embarcadas em maio. 

Apesar do temor que assolou os EUA, dificilmente vai faltar bacon no café da manhã ― dos americanos como dos brasileiros. Isso porque as exportações americanas de carne suína para todo o mundo representa apenas 12%. E em 2020 deve subir para 13%. 

Então, americanos, não se preocupem. Não precisa estocar bacon porque dificilmente faltará no mercado.