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09/10/2019 15:30 -03 | Atualizado 09/10/2019 23:42 -03

Do casamento ao divórcio: A crise entre o PSL e Bolsonaro em 3 pontos

Dinheiro, falta de atenção e de comunicação — assim como na vida afetiva — são determinantes no relacionamento político.

Adriano Machado / Reuters

“Esquece o PSL.” Esta declaração do presidente Jair Bolsonaro na porta do Palácio do Planalto para um apoiador acirrou a crise no casamento com o partido do deputado Luciano Bivar (PE). Assim como na vida afetiva, a qual o presidente sempre gosta de comparar, muitas vezes a crise termina em divórcio.

Os ingredientes que levam essa união ao fim também se assemelham aos de uma vida amorosa: há problemas com dinheiro, falta de comunicação e falta de atenção.

Vale lembrar que o casamento foi por interesse: “Dificilmente ele (o PSL) sobreviveria à cláusula de barreira, e eu, sem partido, não seria candidato. Então estamos fazendo um casamento”, afirmou Bolsonaro no ano passado.

Desde o início do ano, o relacionamento tem enfrentado resistências. Divergências sobre a conduta do presidente do partido, Bivar, de líderes e de Bolsonaro, especialmente em casos de suspeita de corrupção que envolvem seus filhos, estremeceram a relação.

1. Dinheiro

Um dos principais entraves enfrentados é o controle do dinheiro do partido e o comando dos diretórios estaduais. Há disputa pelos R$ 737 milhões que a sigla deve receber até 2022.

O orçamento aumentou com o crescimento da bancada do partido. Hoje, é a maior da Câmara, com 52 parlamentares eleitos.

Há uma rixa, filhos de Bolsonaro, Eduardo e Flávio, comandam os diretórios de São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, e querem ter acesso aos recursos. Bivar nega que a briga seja pelo controle do fundo partidário.

2. Falta de atenção

A repercussão fala de Bolsonaro evidenciou falta de atenção do presidente com os aliados. Líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO) chamou atenção do presidente. “Bolsonaro não pode cuspir no prato que comeu. Foi Bivar quem deu espaço no PSL a ele e a todos nós para concorrermos no ano passado. Devemos lealdade e agradecimento a Bivar”, afirmou ao Valor.

Ex-ministro e ex-braço direito de Bolsonaro, Gustavo Bebianno afirmou ao Antagonista que Bolsonaro é incontrolável. “O Bivar sempre fez tudo que o Jair pediu, foi submisso até. Mas vem engolindo sapo desde janeiro. Ele engole calado, só que agora foi desmoralizado publicamente. O Jair vai pedir desculpas? A coisa foi tão explícita que não tem volta.”

3. Falta de comunicação

O PSL também sofre com o fato de não conversar sobre os problemas internos e “lavar roupa suja em público”. O senador Major Olímpio (PSL-SP) afirmou, por exemplo, que foi pego de calças curtas.

“O PSL é o partido do presidente, o único partido que é 100% fiel ao presidente em todas as votações. (…) Realmente estou perplexo com essa declaração. Não dá para entender, ele é o nosso líder maior”, afirmou, também ao Valor.

Para o senador, é a mesma coisa de alguém que mora sozinho fugir de casa.

O entrave

Irritado com a crise, Bivar afirmou à jornalista Andrea Sadi que Bolsonaro “já está afastado” do PSL. Há, no entanto, um obstáculo para o fim desse casamento. Não há janela partidária para que deputados que seguiriam com Bolsonaro para outra legenda deixem o partido.