OPINIÃO
24/01/2019 21:50 -02 | Atualizado 24/01/2019 21:50 -02

'Creed II': Ao emular 'Rocky IV', filme já nasce ultrapassado

8º filme da "saga Rocky" joga fora o frescor de seu antecessor e aposta em fórmula batida.

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Em Creed II, Adonis (Michael B. Jordan) vira um atleta "mimadinho" estilo Neymar.

Quando apareceu, em 2015, Creed chamou a atenção da crítica e do público ao mostrar uma identidade própria mesmo sendo o 7º filme da “saga Rocky”. Característica que, infelizmente, é sumariamente jogada no lixo em Creed II, que estreia nos cinemas nesta quinta (24).

O filme dirigido por Steven Caple Jr. (The Land) - que substitui o bem mais talentoso Ryan Coogler (Pantera Negra), aqui creditado como roteirista - não é apenas uma sequência de Rocky IV. Ele praticamente copia toda a estrutura da produção de 1985 que, convenhamos, marcou o período mais ridículo da série.

Ou seja, traz de volta um personagem “icônico” do universo Balboa, o russo Ivan Drago (Dolph Lundgren), lacônico e mal utilizado como sempre.

Todo aquele charme do “underdog” que permeava os primeiros filmes do Garanhão Italiano e no que nos apresentou Adonis “Creed” Johnson deu lugar à luta - sem qualquer sentido - do personagem vivido por Michael B. Jordan por legitimação. Adonis chega a lembrar o Neymar da Copa do Mundo de 2018, um atleta talentoso que mais parece um menino mimado vivendo em sua torre de marfim.

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Adonis tornou-se um personagem tão chato que é compreensível que o público passe a torcer por Viktor Drago (Florian Munteanu), filho de Ivan. Este personagem sim traz um arco de história interessante, mas que, infelizmente, é praticamente ignorado na trama.

Na história, Adonis acaba de se tornar campeão mundial de boxe quando é desafiado por um obscuro boxeador russo, Viktor Drago, filho do lutador que matou seu pai, Apollo, no ringue. Com o orgulho ferido, Adonis aceita o desafio, para o desgosto de seu mentor Rocky Balboa (Sylvester Stallone), que rompe com o pupilo.

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Outro fator desestimulante em Creed II é Rocky, personagem que Stallone vive há 42 anos. Seu eterno chororô pela perda de sua amada Adrian e o mal explicado afastamento do filho Robert o deixam ainda mais irritante que Adonis.

Ao contrário de seu antecessor, Creed II aposta no velho. A impressão que fica é que faltaram ideias ou que se optou pela saída fácil de reciclar uma fórmula já pronta. Porém, por qualquer que seja o motivo, o filme já nasceu ultrapassado.