POLÍTICA
12/03/2019 16:18 -03

PSol quer CPI das milícias após prisão de suspeitos de matar Marielle

Pedido é diferente do apresentado pelo PT, que, além das milícias, incluía investigações sobre Flávio Bolsonaro.

Najara Araujo/Câmara dos Deputados
“Não é aceitável que as pessoas, até hoje, façam política negociando com o crime", disse Marcelo Freixo (PSol-RJ).

Após a prisão de dois ex-policiais militares envolvidos na execução da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ), nesta terça-feira (12), o PSol propôs uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) na Câmara dos Deputados para investigar milícias. São necessárias 171 assinaturas de parlamentares para aprovar a criação.

Apesar de reconhecer as prisões como um avanço, o deputado e amigo de Marielle Marcelo Freixo (PSol-RJ) destacou que o mais importante é encontrar os mandantes do crime e descobrir se há ligação com grupos paramilitares.

“Se nós não descobrimos a razão, a motivação da morte da Marielle, a gente não tem democracia nesse País. Não é porque Marielle era de esquerda, não é porque Marielle era do PSol. É porque há um grupo político no Rio de Janeiro, no século 21, capaz de matar como forma de fazer política. Isso é inaceitável”, disse Freixo a jornalistas.

Pela manhã, a Delegacia de Homicídios (DH) da Capital no Rio de Janeiro e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) prenderam o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz por envolvimento na execução da vereadora e do motorista Anderson Gomes. Na próxima quinta-feira (14) a morte dos dois completa um ano.

Alvo de ameaças desde que presidiu a CPI (comissão parlamentar de inquérito) das milícias, em 2008, Freixo lembrou que Marielle o assessorou na época. “Marielle trabalhava comigo. E a CPI conclui dizendo que crime, polícia e política não se separam no Rio de Janeiro”, disse.

O parlamentar, que há 10 anos é acompanhado por seguranças por ter sofrido ameaças de morte, cobrou o fim das milícias.

Não é aceitável que as pessoas, até hoje, façam política negociando com o crime. Isso deve ser cobrado independente de ter ou não vínculo com a [morte da] Marielle.Marcelo Freixo

Amiga da vereadora e sua colega na Câmara Municipal de Niterói, a deputada federal Talíria Petrone (PSol-RJ) afirmou que o crime “faz parte de uma tentativa de silenciamento de uma mulher eleita parlamentar que usou todo tempo que pode para denunciar as sistemáticas violações cometidas pelo Estado”.

Negra, feminista, lésbica e nascida na Favela da Maré, a vereadora atuava no combate à desigualdade social, racial e de gênero. “Marielle mulher num país que é o quinto com maior índice de feminicídio. Marielle negra num país em que o Estado sistematicamente mata jovens negros. Marielle mulher de favela num país onde o Estado chega com militarização nas favelas. Algum motivo tem para tentar silenciar essa representante do povo”, disse Petrone a jornalistas.

 

Milícia e família Bolsonaro

De acordo com Freixo, o pedido será diferente do apresentado pelo PT em fevereiro, que, além das milícias, incluía investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, e empregou parentes de um miliciano em seu gabinete quando era deputado estadual no Rio.

“O PT mistura assuntos que não devia, com todo o respeito que temos ao PT como parceiros na oposição. A gente quer investigar as milícias”, disse o socialista.

O parlamentar destacou que o presidente já defendeu a legalização das milícias, mas minimizou o fato de um dos presos nesta terça-feira ser vizinho de Bolsonaro e de outro aparecer em fotos com ex-deputado.

No plenário da Câmara, petistas demonstraram apoio às investigações e reforçaram as críticas ao presidente e seus filhos. “As condições da família Bolsonaro com as milícias deve ser motivo de uma CPI”, cobrou Maria do Rosário (PT-RS).

A deputada Érika Kokay (PT-DF), por sua vez, anunciou que assinou o pedido de CPI e também destacou a proximidade da família presidencial com integrantes de grupos paramilitares.